sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Novidades... muitas novidades


Bom gente, eu sei que estou sumida há bastante tempo. E vou confessar que desta vez não foi só a falta de tempo de me afastou do blog, pois muitas vezes tive a oportunidade de escrever, porém quando parava pra fazer isso, faltava inspiração. Estranho isso, pois inspiração pra escrever é o que eu sempre tive, mas não sei o que andou acontecendo comigo, que simplesmente perdi a vontade. Não queria desistir do blog, então resolvi apenas dar um tempo até a inspiração aparecer novamente. E ela apareceu.....


Também pudera né, o assunto do post de hoje é mais um daqueles, repletos de novidades, alegrias, anseios, angústias....

A novidade é que ESTOU GRÁVIDA. Sim.... gravidinha de 8 semanas. 

Mesmo sem fazer os testes eu já tinha certeza, pois meu corpo deu seus sinais. Mas resolvi fazer o teste de farmácia na véspera do dia dos pais, pra poder ter certeza ao dar a notícia pro papai Amaral. Ele saiu pra trabalhar e, em casa, sozinha eu fiz o teste e, batata: positivo. Confesso que na hora que vi os dois traços no marcador não fiquei surpresa, pois como já havia comentado, eu já tinha certeza.

Naquele dia tínhamos uma festa pra ir, então resolvi segurar a língua e não falar nada pro Amaral. Queria que a notícia fosse especial pra ele, então escrevi uma cartinha de dia dos pais e deixei em cima da cama com um presentinho e quando chegamos da festa de madrugada (já era domingo de dias dos pais), ele entrou no quarto e leu que havia recebido um belo presente de dia dos pais. Deixei ele sozinho enquanto lia e fui pra nossa área dos fundos, e de repente o vejo com os olhos cheio de lágrimas, vem me abraçando e beijando minha barriga. Felicidade total, mas optamos por não contar nada à ninguém antes de fazer os primeiros exames. E a semana seguinte seguiu assim, com consultas e exames de sangue. A primeira eco optamos por fazer na outra semana, pra dar tempo suficiente de vermos um embrião maduro, já com batimentos.

A felicidade era tanta em saber que aqui dentro tem um novo coração batendo, que as dificuldades que já passamos parecem que ficaram abafadas. Confesso que eu sentia um certo frio na barriga cada vez que eu ia ao banheiro, mas estava tudo indo muito bem. Então chegou o dia da formatura da minha irmã, a festa estava linda, bombando, e no final, quando estava só a família e os mais íntimos, o Amaral resolveu pegar o microfone e anunciar a gravidez. Nossa, quanta emoção: meu pai caiu sentado no chão chorando, minha irmã, minhas cunhadas e minha melhor amiga (todas dindas) se penduraram no meu pescoço vibrando e comemorando. Minha mãe me abraçava e gritava de alegria. Foi um momento tão feliz, que todo mundo que estava na festa chorava de alegria com a gente. 

Seguimos naquele final de semana comunicando ainda algumas pessoas importantes e confesso que fiquei decepcionada com a reação de alguns, que me disseram que eu devia esperar pra contar, afinal, não sabia se estava tudo bem e como era muito recente, eu poderia perder de novo. Poxa, precisam me lembrar do que eu já passei??? Eu sei o quão doloroso foi ter perdido uma gestação e mais ainda ter enterrado um filho recém nascido, e não era justo tirarem de mim a alegria do momento que eu estava vivendo. Confesso que pensei sim em não contar nada e aguardar passar as 12 semanas, mas independente do que acontecer, eu estou gravida sim, e as pessoas que gostam da gente podem compartilhar desse momento de felicidade junto de nós. Além do mais, se algo sair errado, mesmo assim não seria motivo pra esconder. Olho grande e inveja não me pegam e se alguém tem esse tipo de sentimento por mim, vai se ferrar, porque é Deus quem me protege, e Ele está do meu lado sempre, aconteça o que acontecer.

Chegou então o dia da primeira eco. Como fiz várias na gravidez do João Pedro, já sou craque em desvendar as manchas do US. Imediatamente percebi que haviam batimentos cardíacos e isso me deixou muito feliz. Quando o médico colocou volume para que pudéssemos ouvir, eu não aguentei a emoção e chorei, chorei de felicidade de ver uma nova vida pulsando dentro de mim, e quando olhei pro Amaral, ele também estava chorando. O médico brincou com a gente, desejou felicidades e enfim ficou constatado: gestação única, embrião de 6 semanas e 3 dias, com 6mm, bem implantado ao útero e com batimentos cardíacos presentes. Nossa, ler o laudo da eco me deu vida, fé, esperança de momentos felizes.

Porém, como de praxe, tudo na minha vida é na base do susto, e naquele mesmo dia à noite, tive um sangramento. Não quis acreditar quando senti algo quente nas minhas pernas, e quando confirmei o que era, corremos pra emergência do Hospital Moinhos de Vento. Diferentemente das outras duas gravidez, desta vez fiquei um pouco mais tranquila, afinal, já passei por isso e sei que o que é meu está reservado, e que se for pra ser será. Claro que estava angustiada, não queria que aquilo estivesse acontecendo, mas já que estava, eu não podia entrar em pânico. Nessas horas, o equilíbrio espiritual tem me ajudado muito.

Bom, chegando ao hospital, me examinaram e constataram que estava tudo bem com o embrião. Da manhã até a noite já tinha crescido 1mm (normal para um dia nesta fase da gestação), permanecia com batimentos cardíacos, continuava bem implantado, o colo do útero estava bem fechado e resistente e não havia sinal de que meu corpo quisesse expelir. A única coisa que apareceu, foi um pequeno hematoma uterino, que pode ser caracterizado com um leve descolamento de placenta. Tinha 0,6cm de diâmetro, o que  é quase nada pelo que a médica falou. Porém, mesmo sendo pequeno, os cuidados precisam ser tomados, ainda mais quando a gestação é tão inicial.

Então a médica (que coincidentemente foi a mesma que me recebeu no parto do JP e a mesma que me recebeu quando tive que fazer a curetagem na segunda gestação) me recomendou repouso absoluto e aplicação do hormônio Ultragestan 200mg intravaginal. Esse hormônio é auxiliar na manutenção da gestação, reforça o cólo do útero e aumenta os níveis de progesterona, hormônio feminino que segura a gravidez. A médica me disse ainda que eu deveria seguir com sangramento pela próxima semana, mas que eu deveria observar, pois tinha que ser sangramento de cor escura. E foi exatamente isso que aconteceu. Tive bem pouco sangramento nos 3 dias que seguiram, depois parou e não sangrei mais. Fiz o repouso que a médica recomendou e aguardei a data da minha consulta com meu obstetra pra ouvir dele quais os próximos passos.

Consultei com ele na última quinta-feira, e como não tinha mais nada de sangramento, estava certa de que ele me liberaria para o trabalho. Porém ele foi taxativo: "não senhora, te quero de repouso por um bom tempo." Nossa, até me assustei, pois na gravidez do João Pedro, quando eu parava de sangrar, a médica (aquela dita que não apareceu no parto) mandava eu retornar ao trabalho. Então meu médico foi muito esclarecedor e me disse que não quer dizer que pq eu não estou mais sangrando, que o hematoma não permaneça no útero, e se fizer esforço nesse período, pode voltar a sangrar e ter que ficar muito mais tempo de repouso. Entendi e aceitei tudo que ele me explicou, afinal, ele estoudou pra isso né...

Só fiquei angustiada pq ele me pediu pra repetir a eco só daqui 15 dias, meu Deus, é muito tempo até ouvir o coraçãozinho de novo. Pra mim que sou ansiosa e quero ter certeza que tudo está bem, isso é uma eternidade. Mas ele me explicou os motivos e realmente é melhor. Ele me deixou bem tranquila, disse que se eu não estou mais sangrando e não tenho cólicas, é pq está tudo bem com o bebê. Então se ele diz.... tenho que acreditar. Mas que estou louca pra fazer esse exame de uma vez, ah estou.... mas tenho que aguardar até dia 11.

Enquanto isso sigo de repouso, usando Ultragestan e rezando muito pra que tudo dê certo e dessa vez possamos ter um final feliz e lá em abril possamos trazer esse bebezinho pra casa e tê-lo em nossos braços com muita saúde.

Assim peço aos amigos que acompanham a minha história, que sabem da minha luta para ter um filho e principalmente àqueles que torcem por mim, para que em seu momento de fé, façam uma oração por nós. Como diz minha amiga Débie "uma oração é pouco pra quem faz, mas muito pra quem recebe".

Então é isso... espero voltar em breve com ótimas notícias.

Abraço a todos



segunda-feira, 9 de julho de 2012

O que nos impede???


Oi amigas... e amigos também, porquê sei que tem alguns meninos que também leem o blog de vez em quando...

Esse ano a coisa tá maluca na minha vida profissional. O trabalho não dá trégua e por conta disso, não sobra muito tempo pra me dedicar ao blog, porque quando não estou trabalhando, estou podre de cansada. Mas até que é bom, pelo menos ocupo a mente.

Hoje, mesmo podre de cansada vim aqui pra escrever um pouquinho. Num outro post comentei que eu e o Amaral fizemos o exame de cariótipo, pra tirar o fantasma do “fator genético” da nossa cabeça. Pois bem, depois de 40 dias, saiu finalmente o resultado e graças a Deus deu tudo normal. Tanto o meu quanto o do Amaral, não apresentou nada de anomalia.

Ufa... que alívio saber disso, mas confesso que fiquei muito apreensiva quando abri o resultado na internet. Antes de ler, fiz uma oração e pedi que Deus me desse coragem pra enfrentar qualquer que fosse o resultado.

Pronto, o teste foi feito, já sabemos que não temos nenhum problema genético que possa ser passado aos nossos filhos. Então porque a HDC surgiu na nossa vida???? Está mais do que confirmado que essa pergunta não tem uma resposta, assim como não há resposta definitiva sobre ser genético ou congênito. A única certeza que temos, é de que não somos nós que decidimos como as coisas vão acontecer nas nossas vidas. O certo, é deixar tudo nas mãos de Deus.

E por falar em mãos de Deus... o que nos impede de tentarmos novamente? Estamos bem física e psicologicamente, o fator genético foi afastado, temos bons empregos, plano de saúde (muuuuito importante), temos uma casa que é nossa e principalmente, temos muito amor em nossa relação. O que nos impede? Nada...

Pois é, nada impede, mas também não estamos 100% certos de que é o momento. Acho que o primeiro passo agora vai ser parar pra pensar sobre o assunto. Mas só pensar, porque eu não quero entrar em neuras de planejar tudo nos mínimos detalhes. Aprendi que isso não depende de nós, e o que tiver que ser, será. Então... “deixa acontecer, naturalmente”... (na gosto de pagode, mas lembrei desse hehe)

Mas falando em naturalmente, sábado tive um sonho, daqueles que há muito não aconteciam. Um sonho tão real, tão natural, que me lembro dos mínimos detalhes.

Sonhei que eu e o Amaral chegamos num lugar que eu não conhecia, e numa cantinho, sentada num banco estava uma pessoa, que não observei se era homem ou mulher, e essa pessoa estava com um menino de aproximadamente um aninho no colo. Era a criança dos meus sonhos: ruivinho, olhos azuis e com sardinhas. O cabelinho dele era tão vermelho que parecia até que era pintado. Esse menino olhou pra gente, nós trocamos sorrisos e de repente alguém (que não apareceu no sonho) disse o seguinte: “ele é de vocês, e deverá se chamar Bernardo.”

Nossa... to escrevendo e lembrando da nitidez do sonho, consigo enxergar direitinho o rostinho daquele menino.  E ainda mais esse nome.... era uma das opções de nome quando esperávamos  João Pedro.
Eu e meus sonhos... já tive tantos sonhos que serviram pra mim como um sinal, que acredito que esse possa ser mais um, porém acho tão engraçado, pois tenho a sensação de que nosso próximo bebê será uma menina. Aliás, não só eu, mas tooooodo mundo ao meu redor acha a mesma coisa.

Vamos aguardar e ver o que acontecerá. Só o que eu não gostaria que acontecesse é que as pessoas nos cobrassem e nos pressionassem. Não temos pressa. Já estamos preparados, só não estamos prontos. Então tudo deverá acontecer com naturalidade, sem pressa e principalmente, sem pressão, ok?  #ficaadica hehehe

domingo, 17 de junho de 2012

Sentimento de mãe de anjo


Oi pessoal....

Hoje resolvi escrever sobre um assunto muito vivido por nós, mães de anjos. Será que um dia essa dor vai passar????

Pois é, essa pergunta eu me faço todos os dias e não encontro resposta. Será que passa? Será que só ameniza? Ou será que continuamos sentindo, porém nos acostumamos com ela???

Pois bem, das mães de anjo que tenho contato, eu sou a que já vive esse dilema há mais tempo.  Através do blog e do grupo de HDC no facebook comecei a me relacionar com algumas virtualmente, e muitas vezes me envolvi ao ponto de chorar e sofrer a perda junto com elas.

Hoje, mais vivida e calejada dessa dor, consigo controlar os sentimentos e não sofrer tanto, até mesmo porque não estou mais tão ativa no grupo por conta dos compromissos do dia a dia. Porém tenho visto os comentários, frases e pensamentos que as amigas mães de anjos postam em suas redes sociais e vejo que não fui só eu que pensei assim, mas que todas nós pensamos e desejamos muito ter outro filho.

Lembro que logo que tudo aconteceu, tive que ir ao meu trabalho levar uns documentos e uma (agora ex) colega me perguntou com todas as letras “e tu vai ter coragem de tentar de novo?” Meu Deus, quando ela me perguntou isso tive vontade de metralhar a cara dela. Ora... Que mãe vai desistir do sonho de ter um filho??? Tudo o que eu mais queria era outro bebê, e logo. Não pra substituir o João Pedro, por que isso é impossível, mas sim pra ter um motivo de alegria e acalentar meu coração.

Tanto eu quis, que fiz. Quatro meses depois eu já estava grávida novamente, porém de novo, tivemos uma fatalidade, e desta vez a gestação foi interrompida. Situações diferentes, mas sofrimentos iguais. Por causa disso eu desisti de tentar??? Não, nunca vou desistir, porém preferi me estabilizar emocionalmente e deixar meu corpo se recuperar, para um dia eu estar totalmente bem pra tentar novamente.

Já faz 1 ano e meio que o João Pedro não está mais conosco, e já faz mais de 1 ano que tivemos a segunda fatalidade,  porém ainda não quis tentar novamente, mas o fato de eu não estar tentando, não significa que eu não queira. Quero sim, e quero muito, porém são vários fatores que envolvem um planejamento familiar.

Hoje eu me sinto totalmente recuperada e preparada para uma nova tentativa, mas isso também não quer dizer que eu não sofra mais e não sinta falta de ter um filho. Respondendo às perguntas que iniciaram este post, tem resposta pra todas: tem dias que sofro, que dói de mais, que a falta que meu filho faz causa um buraco sem tamanho no meu peito, mas confesso que com o passar dos dias, esse sentimento tem se dissipado, foi amenizando até que acostumou. Essa dor que eu vivi, me tornou uma pessoa forte, que as vezes até me confundo se estou mais forte, ou se me tornei insensível. Assisti ao filme “As mães de Chico Xavier” e não derramei uma lágrima. Se tivesse assistido logo no início, ou até mesmo antes de tudo acontecer, certamente teria me acabado de tanto chorar, e como já sabia disso, esperei o momento certo. Sempre fui muito chorona, mas agora, não é qualquer coisa que me faz chorar.

Mas uma coisa que me chateia e me faz chorar é não ser considerada mãe. Vivi uma situação assim no dia das mães, que acredito, que chorei mais de decepção do que qualquer outra coisa. Não fui considerada mãe, pelo simples fato de eu não estar com meu filho nos braços, pelo fato de meu nome não constar em uma lista de pessoas com dependentes. Me perguntei: “se minha mãe morrer eu vou deixar de ser filha?” Não.... então não é porque meu filho morreu que eu deixei de ser mãe. 

Nessa mesma ocasião, ouvi de uma pessoa que “tentou” (só tentou, por que não conseguiu) me agradar o seguinte comentário: “tu FOI mãe”. Não... eu não FUI mãe, eu SOU mãe. Não é porque meu filho não vive comigo que eu deixei de ser mãe dele. 

Então amigas, se vocês compartilham desse sentimento, saibam que não estão sozinhas. Bem provável que todas nós vivemos isso. Àquelas que se perguntam se isso um dia vai passar, eu relato a minha experiência: Passar não passa, mas a gente aprende a lidar com a situação. Depende só da gente ter força e coragem para encarar. E àquelas que, assim como eu, desejam tentar novamente, eu recomendo que não se preocupem com o tempo, em tentar o mais rápido possível. Se preocupem em estarem bem, fortes e preparadas para receber um novo anjo em suas vidas, pois a criança que vir, precisa ser recebida em um lar saudável e ter todas as atenções voltadas a si, e para isso, nós mamães precisamos estar com o corpo e a mente sãs. Deus sabe o tempo certo de cada uma de nós, e se ele ainda não mandou um bebê a quem está tentando, é porque certamente ainda não é o melhor momento. 

Faça acontecer esse melhor momento!

Aproveitando o post de hoje, reafirmo alguns pensamentos:
  • Não é porque meu filho morreu que eu deixei de ser mãe.
  • Não é porque eu não esteja tentando, que eu não queira.
  • Não é porque eu vivo sorrindo, que eu deixei de sentir falta dele.
  • Não é porque eu choro de vez em quando, que eu esteja sofrendo.
  • Não é porque não tenho mais fisicamente o meu filho, que preciso ser infeliz!

Boa noite e boa semana a todos!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

De volta ao blog:: Genético x Congênito


Ahhhh escrever... que saudade que eu tava de escrever pro blog... Já faz um bom tempo que eu não escrevia pro blog, não por vontade própria, mas por falta de tempo. Claro que eu tinha sim uns momentinhos de descanso, mas nesses momentos eu estava sempre tão cansada que a última coisa que queria ver na frente era um computador.

Me envolvi num projeto muito importante no trabalho e isso tomou toda a minha atenção. Tomei essa oportunidade que me deram como um desafio, um desafio que atestaria de vez se eu realmente tinha ativado 100% meu lado profissional. E para minha grata surpresa, esse meu lado voltou com muita força e muito melhor do que era antes. Estar conduzindo esse projeto foi uma forma de me reafirmar, depois que tudo que eu passei, que sou sim capaz de me refazer em todos os pontos da minha vida. Fiquei muito feliz com isso.

Entreguei esse projeto esta semana e com isso ganhei uns dias de folga, coisa boa, porque ta um frio terrível pra levantar cedo e ir trabalhar hehe. Bem provável que logo cairei de cabeça em outro, mas enquanto isso, aproveito pra fazer aquilo que eu estava sentindo a maior falta, que era escrever pro blog e me atualizar com as postagem do grupo de HérniaDiafragmática Congênita que participo no facebook.

Essa semana saiu uma polêmica no nosso grupo que foi se HDC é ou não derivada de fator genético. Nossa, isso deu tanta discução, que teve gente que não entendeu a idéia e acabou se revoltando.
Primeiro que a idéia deste grupo é ajudar as famílias atingidas por este problema, além trocar idéias e informações que possam ser úteis tanto a quem tem seus querubins sobreviventes, quanto às mamães de anjos. Toda a discução surgiu porque no site da revista Pais&Filhos, onde saiu a minha reportagem sobre o João Pedro e a HDC  (falei sobre essa reportagem aqui), uma mamãe postou o seguinte:



Só que ela postou isso em janeiro, e só agora eu fui ver. Então comentei com a Débie (veja o blog dela aqui), que está tomando a frente no grupo para que ela divulgasse isso lá como forma de alerta a todas que desejam tentar novamente.

Confesso que fiquei surpresa com o que essa mãe escreveu, nunca tinha ouvido falar de repetir esse problema em irmãos e isso me preocupou. Tudo que recebi de informações dos médicos a respeito do assunto, é que não há comprovação de HDC ser genético, mas pelo visto também não há comprovação de que não possa ser. O que meu médico me deixou claro, foi que existem problemas genéticos que contribuem para a formação da HDC, mas que ela acontecendo sozinha, sem incidência de outra má formação, não caracteriza ser genético. É meio confuso, eu sei, mas da forma que o médico me explicou eu entendi o que ele quis dizer. Nossa amiga Ana Cleice, que também participa do grupo e também tem um blog contando como sua filhota luta com essa problema até hoje (conheça o blog dela aqui), nos deu uma definição que achei bem fácil de entender:



Enfim, HDC continua sendo um mistério. E enquanto isso, ela continua assombrando as famílias e levando o bem mais precioso dos pais.

Eu e o Amaral pensamos sim em retomar a tentativa de ter filhos e há algum tempo viemos conversando sobre isso. Não temos época prevista pra tentar, mas quando isso for acontecer, quero estar cercada de todas as informações, por isso (antes mesmo de toda essa polêmica), consultamos uma geneticista pra esclarecer algumas coisas. Só o fato de termos tido um bebê com HDC e mais uma gestação interrompida, nos coloca em situação de realização do exame de cariótipo. Esse exame visa analisar a quantidade e a estrutura dos cromossomos em uma célula. Nossas células são normalmente formadas por 23 pares de cromossomos (portanto 46 cromossomos). Um cromossomo é uma longa seqüência de DNA, que contém vários genes, com informações sobre as funções específicas nas células dos seres vivos. No caso de mães que tiveram bebês com HDC, acho importantíssima a realização deste exame, pois em relação à esta doença, a única certeza é a incerteza. 

Tá, mas aí me pergunto: esse exame detecta todos os tipos de doenças genéticas? Encontrei uma definição simples, que me foi muito esclarecedora:

“Não, o cariótipo analisa apenas os cromossomos. As doenças que estão localizadas nos genes fetais ou pequenos rearranjos e deleções não podem ser identificados no cariótipo. Para ficar um pouco mais fácil de entender vamos fazer uma comparação: imagine que nosso material genético é uma biblioteca, onde existem diversos livros (os cromossomos) e dentro destes livros nós temos os capítulos (que seriam as bandas dos cromossomos) e dentro dos capítulos nós temos o texto, que é formado por um conjunto de palavras (que seriam os genes). O exame do cariótipo irá contar o número de livros e verificar ainda o número e ordem dos capítulos. Portanto se estiver faltando um livro ou se houver uma alteração na ordem dos capítulos poderemos saber pelo cariótipo. Entretanto o cariótipo não irá fazer uma análise de todas as palavras e portanto se houver uma palavra faltando ou escrita errada isto não será visto pelo cariótipo”. Fonte: http://www.fetalmed.net/item/cariotipo.html
 
Ou seja, mesmo investigando tudo que está no nosso alcance, ainda há uma possibilidade de não aparecer num exame. É aí que, na minha opinião, entra o fator Deus. Se fizermos de tudo o possível, darmos todas as condições e tivermos todos os exames favoráveis, e ainda assim acontecer um problema, É POR QUE TINHA QUE ACONTECER. Pela minha crença isso é muito simples de entender, mas.... quem é que aceita isso tão fácil? Mesmo estando ciente que tudo é possível, não é tão simples assim aceitar os fatos.

Fizemos o exame e  resultado sai só em julho. Só agora me senti preparada pra fazer esse exame, pois o resultado dele pode mudar a direção das minhas escolhas. O meio que vamos usar para termos filhos é indiferente em relação ao tamanho da nossa vontade.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O que não dizer a quem perde um bebê

Semana passada saiu no site da revista Pais & Filhos uma reportagem sobre “Como ajudar um casal que acabou de perder um bebê?”
(http://revistapaisefilhos.com.br/so-no-site/paola-di-cola/como-ajudar-um-casal-que-acabou-de-perder-um-bebe). Li e recomendei o link pelo facebook, pois achei a reportagem muito interessante. 

Vi que a autora da reportagem também tem um blog, e resolvi visitar. No blog dela, a reportagem era mais completa e mais interessante ainda.  
(http://gentedefamilia.blogspot.com.br/2012/03/como-ajudar-um-casal-que-acabou-de.html).  Recomendo a todos...

Vi naquele texto muitas coisas que aconteceram comigo, muitas coisas que me disseram e que eu odiei, que me deixaram mal, e principalmente, que me fizeram sofrer. Ainda hoje algumas pessoas me dizem coisas meio (totalmente) sem noção, mas como já estou mais forte, quase sempre consigo driblar a raiva que sinto na hora. Outras vezes percebo que as pessoas evitam tocar no assunto, só que muitas vezes tratam como se nada tivesse acontecido, principalmente como se meu filho nem tivesse existido. Diante disso resolvi escrever um post com a minha opinião sobre  “o que não dizer a um casal que perdeu um bebê”
1)      Tu quem que ser forte
Quando se vai a um velório (aí não precisa nem ser só de filho), não vai adiantar nada dizer à pessoa que está sofrendo que ela tem que ser forte. Numa hora dessas a melhor coisa é não dizer nada. Não há nada que seja dito que vai amenizar a dor da perda de quem se ama. Dizer isso dá a sensação de cobrança, de que não se pode desmoronar. Alguém consegue não desmoronar diante da morte de um filho???
2)      Tu precisa descansar
Ainda falando na ocasião do velório... O que eu mais queria era poder ficar o maior tempo possível ao lado do meu filho, mas tinham várias pessoas que insistiam em me mandar deitar e descansar. Dane-se o cansaço. Pais que perdem filhos não estão preocupados se estão cansados ou não, na verdade, diante de toda a situação o nosso maior desejo e morrer, então estar cansado não é nada. Qualquer tempo que se passe junto do filhos, mesmo nesta ocasião, é um tempo ganho. Então não diga à pais que enterrarão seu filho em algumas horas que eles precisam descansar.
3)      Logo vocês terão outro
Com certeza o que mais esses pais desejam é ter outro filho (ou outros), mas jamais  um outro filho substituirá um que os deixou. As vezes as pessoas pensam que se eu tiver outro filho, vou esquecer tudo que aconteceu e viverei normalmente dalí em diante. Acredito sim que um outro filho trará alegrias, mas nunca apagará todo o que se passou.
4)      Mas do que teu filho morreu?
É natural que as pessoas perguntem sobre o bebê, afinal, viram a mulher grávida e de repente não vêem mais a barriga. Aí surge aquela perguntinha “e o bebê, como está?”. Já é difícil pros pais responderem essa pergunta, e se ela vier seguida de um “porque?” pior ainda. Numa situação dessas, o melhor a fazer é se desculpar, dizer que sente muito (se realmente sente) ou até mesmo não dizer nada. A curiosidade é intrínseca ao ser humano, mas numa hora dessas, ela deve ser engolida.
O mesmo acontece no caso de perda do bebê na gestação. Não queira saber o por quê. 
5)      Melhor assim, no início
Quando a perda acontece na gestação, muitas pessoas acham “melhor” perder no início do que no fim. Em hipótese alguma existe um “melhor” nessa situação. A perda é dolorida independente de quando tenha sido. Outra coisa comum de dizerem é, no caso de morte de um bebê nascido “pensa bem, melhor assim, que vocês não tiveram tempo de conviver”. Melhor???? Não existe um época “melhor” para perder um filho.
6)      Melhor assim, talvez nascesse uma criança com problema
Não há compensação para isso. Independente de se ter um filho com problema ou não, é filho. Ou será que porque “seria” uma criança com problema, pode morrer que ninguém vai sentir?
7)      Porque vocês não adotam?
O meio como um casal resolve ter um filho não importa, mas quando recentemente houve a perda, tanto de um bebê nascido quanto na gestação, sugerir adoção é o mesmo que disparar um certificado de “incapacidade”. Quem está sofrendo a dor da perda, ouve isso como um “já que tu NÃO CONSEGUE ter filhos mesmo, adota, assim resolve”. Nada contra adoção, muito pelo contrário, sou completamente favorável e adepta, porém nesta ocasião, acho desnecessário esse tipo de comentário.   
8)      Será que é a “mistura” de vocês que não dá certo?
Se um casal tentou ter um filho de forma natural, significa que eles não sabem se a “mistura” dá certo ou não. Esse tipo de pergunta sugere a insinuação de que um dos dois é o “culpado” pela gestação não ir adiante ou pelo bebê ter nascido com algum problema.
9)      Alguém na tua família já perdeu também?
Isso também é uma insinuação de “culpa”. Como se dissessem “vai investigar se tua família não tem problema e passou pra ti”.
10)   Quando vocês vão tentar de novo?
Natural as pessoas quererem saber se o casal está tentando ou, pelo menos, pensando em tentar novamente, porém dependendo de como a pergunta é feita, pode soar como uma pressão, e ninguém gosta de ser pressionado, principalmente se a perda é recente.

Estas são as coisas que eu mais ouvi, e ainda ouço. Mas tem muito mais situações de coisas que foram ditas que me machucaram, doeram e ficaram entaladas.

A morte de uma criança não é uma coisa comum, pelo menos não habitual, e isso faz com que as pessoas tenham curiosidade. As pessoas são atraídas e se interessam por aquilo que causa dor no outro e a mídia está aí pra incentivar, afinal, só se vê tragédia nos noticiários de TV.

Quando as pessoas falam esse tipo de coisa, na maioria da vezes estão falando com a melhor das intenções, porem há formas e FORMAS de falar, sugerir e questionar alguma coisa. Só que numa situação dessas, a pessoa que está sofrendo a perda não tem capacidade de entender a “boa intenção” do outro e acaba sofrendo. Então, com intenção de “ajudar”, tem gente que acaba piorando as coisas.

Como eu comentei no início, resolvi dar a MINHA opinião sobre isso, ou seja, dar a minha versão de interpretação dos fatos. Mas conversando com algumas pessoas em mesma situação, percebi que muitas relatam a mesma percepção. Então, se você que leu este post, algum dia se deparar com algum casal que perdeu um filho, cuide para que na sua boa intenção, de prestar solidariedade, não acabe causando uma dor maior ainda em quem já tem motivos suficientes pra sofrer.

Num próximo post conto algumas coisas absurdas que me falaram nestes últimos 15 meses.

Abraço a todos.