sexta-feira, 8 de março de 2013

É o tipo de parto que te transforma em MÃE?

Uma pergunta comum na gravidez e que muitas pessoas me fazem é que tipo de parto eu vou ter. Sei lá por que as pessoas tem essa curiosidade, mas confesso que até eu pergunto isso às amigas.

Eu nasci de parto normal e isso foi extremamente traumatizante pra minha mãe. Já passava 10 dias da data prevista quando a bolsa rompeu num domingo de noite e minha mão não tinha dilatação, então mandaram ela ficar caminhando de um lado pra outro no hospital e eu só fui nascer na segunda-feira as 9hs da manhã. Um bebê de 51cm, com 3,5kg num parto seco e sem dilatação, totalmente forçado a ser “normal”. Vem cá, isso pode ser considerado “normal”???

Tiveram que fazer episiotomia (aquele corte vaginal pra auxiliar e aumentar o espaço para a saída do bebê) e não deu outra... minha mãe teve problema de infecção hospitalar e ficou por vários dias com infecção, sangrando e com dor. Tudo isso porque a médica do plantão disse que minha mãe era novinha e “tinha que ser normal”. Ah vai se catar....

Cresci ouvindo da minha mãe sobre esse trauma e ela fazendo comparações com o parto da minha irmã, que foi cesárea e conforme ela, correu tudo maravilhosamente bem. Eu já tinha 6 anos quando minha irmã nasceu e lembro de ver minha mãe bem depois do parto. Então por conta disso, sempre tive a certeza que quando tivesse filhos, seria parto cesárea.

Daí quando engravidei do João Pedro, eu e o Amaral fizemos o cursinho de gestantes, e numa das aulas o assunto é o tipo de parto. O parto normal foi apresentado de uma forma tão bonita, perfeita e agradável que estava quase me convencendo de que realmente a cesárea era uma brutalidade. Mas aí veio a notícia da HDC e obrigatoriamente a necessidade de cesárea e eu nunca mais pensei no parto normal.

Fora tudo que aconteceu depois, posso considerar que meu parto foi perfeito. Não tive problema nenhum com a anestesia, com o corte, com os pontos, com a recuperação.... Nada, não senti nada. O parto foi quinta de manhã e sexta meio dia (em função do falecimento dele) eu estava de alta. Saí do hospital direto pro velório, passei a noite toda acordada e caminhando normal. Praticamente sem dor. Lógico que sei que o fator emocional conta muito... A minha dor no coração era tanta que eu era incapaz de sentir qualquer outra dor.

Sendo assim, aquele papo que falaram no cursinho de gestante perdeu força e voltei a acreditar que a cesárea é melhor.

Eu não sou aquele tipo de pessoa defensora da cesárea. Acho que cada mulher tem o direito de escolher o tipo de parto que mais lhe convém baseado naquilo que acha melhor.

A minha impressão sobre a cesárea sempre foi pensando na dor e sofrimento que a mulher sente ao ter um parto normal. Claro que sei que cada corpo reage de um jeito e tudo pode ser diferente. Até acredito que eu teria um bom parto normal: tenho quadris largos (muito largos diga-se de passagem) e no parto do JP, só 3 horas depois de romper a bolsa eu já tinha 4 dedos de dilatação. Então por conta disso, acredito sim que teria um parto normal, praticamente “normal”.

Só que tem o fator bebê, que é a principal preocupação na hora do parto. Afinal, o parto só estará acontecendo em função do bebê. Mas não se tem como prever as coisas que podem acontecer durante um parto normal, e depois de assistir muitos programas “Um bebê por minuto” no canal 36 da Sky, tenho certeza que um parto normal cheio de imprevistos não é nada saudável pra um bebê, nem pra mãe. E imprevistos, como já diz o nome, podem acontecer com qualquer um e em qualquer situação.

Acho muito legal quando ouço mulheres falando do vínculo que o parto normal dá entre mãe e bebê, da harmonia e do clima que se cria nessa situação. Mas convenhamos.... não é só no momento do parto que se cria clima, harmonia e vínculo com o bebê.

Como eu já disse, não sou defensora da cesárea, mas compro  briga com gente ignorante que recrimina e critica essa escolha.

Um dia, eu estava no aniversário de uma amiga, conversando com outra amiga que também está grávida e surgiu o assunto do tipo de parto. Ela opta pelo normal e eu pela cesárea. A tia da aniversariante (mãe de gêmeos de parto normal) ouviu nossa conversa e me botou a boca, na frente de todo mundo que tava na festa. Ela disse num tom nada agradável que eu não era mãe se não passasse pelo parto normal. Dizia e repetia várias vezes “mãe que é mãe tem filho de parto normal”, “olha que bonito a fulana, ela sim sabe o que é bom pro filho dela e escolheu parto normal”, “mãe sou eu que tive dois de parto normal em menos de 3 minutos”. Nossa, conforme ela ia falando, eu ia me esquentando e tava segurando pra não fazer um fiasco. Só que ela insistiu tanto nesse assunto, e me colocou numa situação tão constrangedora na frente dos convidados da minha amiga, que eu não aguentei. Dei um grito e disse “chega, meu conceito de MÃE é outro, e vai muito além do tipo de parto escolhido”.

Perdi as estribeiras, mas com isso, calei a boca dela. Ela enchendo a boca pra falar que ela que era mãe, quando os dois filhos dela assim que entraram na adolescência viraram dois marginais, drogados, vivem presos, roubam as coisas de dentro de casa e aprontam todas na vizinhança. E ela como boa mãe que diz ser, a única coisa que faz é pagar a fiança pra tirar eles da cadeira e nada mais. Educação, carinho, e lar ela nunca deu. Sei por que a conheço desde sempre e acompanhei como foi a criação desses guris.

Então depois que ela me insultou dizendo que eu não era mãe pela escolha de parto que eu fiz, não medi as palavras e soltei o verbo. Não insultei, nem coloquei ela na saia justa, porque poucos que estavam alí sabiam a que eu me referia, mas ela engoliu seco e depois veio se justificar. Não quis nem papo.

Comigo não tem essa de que mãe tem que sentir as dores do parto. Pra que? Me digam se realmente há necessidade. O tipo de parto pouco me importa, o que importa é ter minha filha no meu colo com saúde pra eu poder amar a dar todo carinho e sentimento de mãe que tenho abafado dentro do meu peito.
 
As defensoras do parto normal que me desculpem, minha opinião está bem formada. Respeito opinião diferente, mas por favor, não tentem me convencer a mudar pois será perda de tempo.




 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Mais uma festinha

Antes de eu ser afastada do trabalho por causa do repouso, eu já tinha programado que faria um chá de fraldas na empresa. São tantas as pessoas que torcem pelo nosso sucesso que não tinha como deixar passar em branco as comemorações da gravidez.
 
Só que fui pega de surpresa por esse repouso imediato e absoluto, que já não sabia mais se poderia fazer essa festinha. Mas o temo foi passando, o repouso foi dando resultado e saímos do status de repouso absoluto para repouso relativo e pude então me dar ao luxo de algumas saidinhas de casa. Lógico que tudo com autorização do meu médico.
 
Aí no final do Churrasbaby, eu e minhas colegas estávamos avaliando o resultado da festinha e elas perguntaram se eu não faria nada na empresa. Não sabia, pois estava afastada e talvez não fosse conveniente. Mas elas me disseram que o pessoal todo estava perguntando por mim, querendo notícias da gravidez e acabaram me convencendo a repensar no assunto (confesso que não foi muito difícil hehe).
 
Pensamos então na melhor data e decidimos: dia 1º de março o final do dia. Ok, data escolhida, mas eu precisava que alguém ajudasse com a organização, já que eu estou fora da empresa. Não precisava nem pedir, minhas colegas Bruna e Josi assumiram a festa e organizaram tudo: Reservaram uma sala de reuniões grande, mandaram convite, pediram confirmação e mobilizaram o pessoal. E eu em casa só recebendo as informações.
 
Era preciso retribuir o carinho de todas, e a única coisa que eu podia fazer era oferecer os comes e bebes e fazer um agradinho. E como sou adepta do “feito a mão”, lá fui eu preparar as lembrancinhas. O que fazer?
 
Não foi difícil escolher o que seria. Já que na gravidez do João Pedro não tivemos a oportunidade de fazer chá de fraldas porque ele nasceu antes, resolvi fazer a mesma coisa que faria pra ele: um pacotinho com um chazinho e biscoitinhos.
 
Mãos à obra... Elaborei o pacotinho do chá, que foi personalizado com o nome “Chá da Lívia” e no verso uma indicação de utilização: “Ao administrar este produto, você será tomado por uma imensa alegria e sensação de casa cheia.” Imprimi o material, recortei, colei e dentro de cada pacotinho coloquei um sachê de chá de capim cidreira.
 
Impresso em folha de ofício, com bordas para dobrar e colar.
  
Depois comprei biscoitinhos amanteigados de nata e chocolate e fiz saquinhos com 5 biscoitos e um pacotinho do “Chá da Lívia”. Amarrei com fitilho e estava pronta a lembrancinha. Um a forma simples de demonstrar meu agradecimento com um mimo fácil de fazer, baratinho e útil, pois é comestível.
 
Saquinhos com biscoitos e chazinho.
 
Chegou então o dia da festinha. Pedi pro meu pai me levar, já que o Amaral estaria trabalhando.  Passamos na padaria, peguei os comes e bebes e fui pra empresa. Liguei pra um colega, pedi ajuda para subir com as coisas e fomos direto para a sala onde seria a festinha e para minha surpresa, minhas colegas estava lá enfeitando e decorando o local. Tudo tão bonitinho, com balões, letrinhas de EVA... um amor.
 
Arrumamos a sala e a mulherada começou a chegar. Estou fora da empresa há mais de um mês e estava com saudade do pessoal. Fiquei tão feliz de rever as colegas de outros setores, todo mundo curioso querendo saber do andamento das coisas, e a Lívia agitada na barriga pela bagunça que estávamos fazendo.
 
Uma pena é que por ser na empresa, precisa ser tudo mais discreto, silencioso e rápido, então não podíamos abusar. A festinha durou só 1 hora, mas foi tão boa. Rever as pessoas, sentir o carinho de todas, receber as vibrações positivas, nossa... isso é revitalizante.
 
No final da festa, minha colega Bruna me de uma carona até em casa e carregou os montes de pacotes de fraldas que a Lívia ganhou. Como resultado da festinha tivemos 807 unidades de fraldas + 1 sabonete + 1 pomada contra assaduras + 1 lenço umedecido, além de muito carinho e boas energias.
 
Resultado da festinha: um mooonte de fraldas
 
Pelas minhas contas e orientação das amigas que já são mamães, isso nos renderá uns 5 ou 6 meses sem precisar comprar fraldas, com mais os pacotes que eu já tinha em casa, ganhamos mais uns meses. Isso é ótimo, pois pelo que dizem, junto com um bebê vem muitos gastos inesperados. Vamos ver como será...
 
Então é isso... nem nasceu ainda e a Lívia já anda badalando festinhas, e o melhor de tudo, recebendo muito amor e carinho das pessoas à nossa volta.


Algumas fotinhos da nossa bagunça na empresa
 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ChurrasBaby da Lívia

Oi gentiiii....

No post anterior eu falei que voltaria em breve pra atualizar sobre o andamento da gravidez. Já que estou de repouso, teoricamente teria mais tempo para escrever, mas não foi isso que aconteceu...

Nesse tempo de repouso, só o que eu podia fazer era de fato repousar. Era da cama pro sofá, do sofá pro banheiro, do banheiro na cozinha e assim era minha rotina, alternando entre deitar e sentar. Um tédio total. Nunca senti tanta falta do meu trabalho como agora. Mas tudo por um motivo maior que minha própria vida.

Pra driblar o tédio, resolvi colocar em prática meus dotes artísticos e fazer alguns acessórios da decoração do quartinho: fiz a guirlanda da porta, móbile para cortina, personalizei álbuns de foto... Mas eu fazia tudo muito rápido e logo ficava sem atividades. Quando o quartinho estiver totalmente pronto venho aqui pra mostrar as fotos.

Como não consigo ficar no ócio, comecei então a bolar como seria chá de fraldas, e isso sim tomou meu tempo com todo o prazer.

Primeira coisa: definir o tipo de festa. Como a ideia era de que os homens também participassem, tinha que ter algo atrativo a eles, então não seria bem um “Chá de fraldas”, optamos por um churrasco e batizei a festinha de “ChurrasBaby da Lívia”.

Decidido o formato da festa comecei a pensar nos detalhes. Não era um Chá, mas tinha que ter cara de festinha de bebê, então tinha que ter decoração adequada. Tudo em tons de lilás, que é a cor que amo e predomina no quartinho dela também.

Num chá de fraldas normalmente se faz adivinhação de presentes, a mãe paga prendas e acaba toda esculhambada e pintada de batom. Eu detesto esse tipo de coisa, acho que fica cansativo aos convidados e desgastante para a mãe que precisa fazer tudo carregando uma barriga enorme. Desde sempre eu soube que a nossa festinha não seria assim, mas precisava pensar em algo pra caracterizar a festa infantil.

Como eu precisava manter o repouso e não podia saracotear, pensei em algo diferente. Elaborei um vídeo rápido, contando a história da gravidez e enfatizando os pontos mais marcantes. A ideia era apresentar o vídeo e depois sortear entre os convidados uma pessoa que por sua vez sortearia uma pergunta a qual a resposta estava no vídeo. Se ela errasse a resposta, ela mesma pagaria uma prenda que também era sorteada. Se ela acertasse, ganhava como recompensa um saquinho de MM´s e quem pagaria a prenda seria o Amaral. 

Então eram 3 saquinhos para sorteio: um com os nomes dos convidados, um com as perguntas sobre a gravidez e outro com as prendas a serem pagas. Seriam sorteados só 10 convidados para que as brincadeiras não se tornassem cansativas e maçantes, até porque não é todo mundo que gosta disso e precisava lembrar que os homens estavam juntos, e homens não têm paciência com isso.

Pensando nos homens, tinha que ter atrativo pra eles também. Então separei o vídeo game do Amaral, baralho e fichinhas de pôquer. Quem quisesse poderia curtir uma brincadeira "longe" das gargalhadas da mulherada.

Para as crianças, a opção estava no salão de festas mesmo. Como a festinha nseria no salão do condomínio da minha irmã, lá tem a brinquedoteca e a pracinha. Então não faltaria atração pra ninguém.

Pensado em todo mundo, era hora de pensar no futuro e fazer da festinha um momento de recordação para a Lívia. Mas como ela recordar algo que nem viveu ainda?

Pensei então em fazer uma “Caixinha das Emoções”. A ideia era ter uma caixa com papeis e canetas e os convidados escreverem recadinhos para que ela mesma leia depois de alfabetizada. Ideia aprovada, só precisava fazer uma caixa decorada.

Queria também demonstrar a todos o nosso amor e expectativa pela chegada dela. Então mandei fazer camisetas com a fotinho da eco 3D dela e um trecho da música “Fico assim sem você” pra eu e o Amaral usarmos na festa.

Tinha que ter lembrancinhas, e isso pra mim é sempre uma incógnita. Já fui a várias festas em que os anfitriões dão lembrancinhas que acabam virando um estorvo. Algo lindo, que dá o maior trabalho em fazer e muitas vezes custam caro, mas que são inúteis, não servem pra nada e a gente quando recebe não sabe o que faz e fica com pena de colocar fora. Como fugir disso?

Pensei então que a melhor forma de dar um agrado era fazer algo de comer. Mas tinha que ser barato e fácil de fazer. Resolvi fazer florzinhas de balas de goma. Durante a festa elas serviriam como decoração da mesa e depois os convidados poderiam pegar e levar pra casa juntamente com um imã de geladeira que também teria uma fotinho da eco 3D dela e um agradecimento pela presença.

Então durante esse último mês me envolvi em produzir todas essas ideias e pude continuar meu repouso. Já que quando precisava comprar alguma coisa ou mandar fazer fora, meu pai e o Amaral que faziam isso por mim.

Pra mim que sou super organizada, detalhista e controladora, foi muito difícil aceitar que eu simplesmente tinha que pedir pra alguém fazer algo por mim e esperar o resultado. Mas no fim das contas tudo deu certo e eu aprendi que dá pra confiar no trabalho das pessoas sem o meu envolvimento em tudo.

Durante o período de organização do ChurrasBaby, voltei no médico mais uma vez e fiz mais uma eco de acompanhamento. No exame feito pelo médico, ele constatou que o colo do útero estabilizou e parou de abrir. Ótimo, isso é resultado de todo repouso. Mas não quer dizer que estou liberada para vida normal. É preciso continuar de repouso pra garantir que o colo do útero não volte a abrir antes do tempo.

Já na eco de acompanhamento, que foi feita com 31 semanas, o peso da dona moça bateu incríveis 1,9Kg (300 gramas a mais do que a média sugerida para o tempo de gestação). Ótimo também, pois caso ela nasça antes do tempo, já nasce com peso bom. E conforme o médico, o peso do bebê é o que dá a indicação de fortalecimento dos pulmões, dado muito importante no nosso caso de risco de parto prematuro.

Sendo assim, podemos considerar que estamos indo bem dentro do possível e contando cada semana como uma vitória.

Então finalmente chegou o dia do ChurrasBaby da Lívia. Fomos cedinho lá pro condomínio da minha irmã pra arrumar tudo até de noite. Eu fiquei só na coordenação, dizendo o que era pra fazer e onde era pra colocar as coisas. Como tinha que seguir o repouso, não dava pra abusar. Ficou comigo mesmo só os acabamentos: decoração da mesa de doces e painel das fotos. O resto contei com a ajuda do Amaral, dos meus pais e as dindas e dindos da Lívia.

Seguem algumas fotinhos da primeira festinha para a nossa Lívia... (já tô pensando na festa de 1 aninho hehe)
 
 
Convite: a maioria foi enviado pelo facebook.
Apenas alguns foram entregues pessoalmente.


Decoração totalmente caseira.



Detalhes da mesa de doces: com direito a bandejas provençal, bolo de fraldas e docinhos personalizados.
Os doces foram feitos por Raquel Machado - Encontre no Facebook por Adocicare (são maravilhosos)
 

Bolo de fraldas feito por mim. Usei umas 25 fraldas da mais barata e decorei com o mesmo tecido usado na decoração do quartinho dela, fitas mimosa e acabamentos em papel crepon.
O sapatinho usado em cima foi um dos primeiros que eu comprei logo que descobrimos ser menina.


Camisetas que usamos com o trecho da música "Fico assim sem você"
"Lívia
To loca pra te ver chegar / To louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço / Retomar o pedaço que falta no meu coração"



Caixinha das Emoções feita por mim.
Comprei uma caixa de MDF, pintei de lilás e decorei com o mesmo tecido e algumas pedrinhas de artesanato. Na parte interna da caixa, coloquei uma explicação à Lívia do que ela encontrará alí dentro quando enfim puder ler sozinha. Algumas pessoas já sabiam que teria essa caixinha e prepararam recadinhos antes mesmo de chegarem à festa, mas a maioria escreveu de improviso durante a festa mesmo, inclusive eu e o Amaral.
Jurei para mim mesma que aguentaria a curiosidade e não leria os recados. E assim o fiz. No dia seguinte, depois de lavar as camisetas que usamos, coloquei-as dentro da caixa, fechei amarrei com nó cego, enrrolei em uma toalha e guardei a caixa dentro do roupeiro. Só a Lívia poderá abrir essa caixa quando eu achar que ela á está em condições de ler.
 

Espaço para as lembrancinhas: usei potinhos de CupNoodles como cachepôs para as florzinhas de bala de goma, forrei-os com feltro e decorei com tecido e pedrinhas de bijuteria. Junto com as lembrancinhas, deixei exposto o album de fotos para que os convidados pudessem ver. No imã da geladeira tinha escrito o seguinte:
 "Se você acha que eu dou trabalho desde agora, espere para ver quando eu estiver aí do lado de fora.
Obrigada por ter vindo ao meu ChurrasBaby.
Lívia" 

Brincadeiras: aqui Amaral e minha tia Néa pagando as prendas. Como minha tia foi a única pessoa que errou a resposta, ela pagou prenda, todas as outras pessoas acertaram e o Amaral se encarregou de pagar os micos. Tinha troca de fraldas, troca de roupa, cantar e dançar música da Xuxa, tomar mamadeira, dar de mamar, entre outras coisas básicas. Para simbolizar a Lívia, usamos uma boneca da Felícia, filha do Sherek e Fiona (característico para mim e o Amaral que temos uma história e vida muito parecida com a desses Ogros que adoro).

Aqui o resultado da festa... Muuuuuitos presentes pra nossa gordinha.
 

Não faria bolo, mas minha madrinha de casamento nos deu esse de presente surpresa. Detalhe para a decoração: os bis e os marshmallows simbolizam uma churrasqueira com espetos. Adorei.


Só uma fotinho nossa pra registrar o barrigão. Fizemos quase um novo book durante a festa hehe
 

Dindos Julinho e Eder tomaram conta da churrasqueira. Dessa vez o papai Amaral não foi o piloto oficial dos espetos.
 
 
Vídeo apresentado com a retrospectiva da gravidez.
 
 
Espero que minhas ideias possam servir de dicas para quem está vivendo esse maravilhoso momento de espera de um bebê.
 
Abraço a todos e até as próximas notícias.
 
 
 
 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Atualizando as notícias...


Bom gente, depois de um tempão sumida, consegui dar as caras e aparecer por aqui. Tavão a com saudade, mas realmente o tempo tem me faltado. Nessa época, entre novembro e fevereiro é quando mais o meu trabalho bomba, então sou sugada energeticamente ao longo do dia e quando chego em casa, tem a função da reforma que não acaba nunca e da organização com as coisas da Lívia. Ufa... cansa só de pensar.
 
Da última vez que escrevi, já se passou quase 40 dias, e tem muita coisa pra ser atualizada. A primeira é que fizemos a ecografia morfológica com 22 semanas e tudo estava perfeito. A Lívia estava no tamanho ideal e com todos os órgãos e membros perfeitos. A dra enfatizou muito a formação completa do diafragma, confirmando a não existência de HDC. Nossa... cada exame é uma angústia, enquanto a médica não concluí, meu coração quase salta pela boca, e outro dia o Amaral me confessou isso tbm. Lógico, depois de tudo que já passamos, quem não ficaria apreensivo???
 
Em seguida vieram as festas de final de ano e o stress pegou com a reforma do banheiro aqui de casa. O objetivo era passarmos o Natal aqui com minha família, porém no meio da obra, o pedreiro desapareceu por 15 dias, e nesse período tive que ficar usando um balde e escovar os dentes no tanque. Olha.... foi punk, eu tava quase matando meio mundo. Ainda bem que acabou essa parte, mas infelizmente não pudemos comemorar o Natal como queríamos.
 
Ano novo passamos na praia, na casa da família do meu cunhado e foi muito legal, mesmo que na hora dos fogos todos os sentimentos borbulharam na minha cabeça e foi impossível não desabar e cair no choro. Mas no fim, os sentimentos se transformaram em esperança de um ano melhor.
 
Aí vieram os finais de semana no Farol da Solidão, praia que eu adoro, que todo ano nessa época a gente vai, e esse ano não podia ser diferente, tínhamos que apresentar a nossa praia pra Lívia. Lá fizemos um ensaio fotográfico amador, fotografado pela minha irmã, que adora fotografia e comprou uma maquina semiprofissional. As fotos ficaram tão lindas que estamos incentivando ela a fazer disso um complemento financeiro. Deem uma olhada nas fotos e digam, se pra primeira vez isso não ficou um espetáculo.... Claro que os modelos ajudaram né hehehe.
 
Amostra do book fotografado pela minha irmã #GlauciaPedro
Na volta da praia fizemos a ecografia 3D, porque eu tava morta de curiosidade de ver o rostinho da dona moça. Mas ela é tão tinhosa que não quis se mostrar bem. O médico disse que ela está tão encaixada na posição que seu rostinho fica colado na placenta e não dá pra ver direito. Uma pena, mas mesmo assim conseguimos algumas imagens razoáveis e o mais interessante, o tempo todo da ecografia ela apareceu sorrindo. Até o médico brincou dizendo que ela devia ser um bebê muito feliz. Se o nosso amor por ela faz ela ficar feliz, deve ser mesmo, porque amamos essa pequena mais do que de mais. Olha que carinha mais amada.... Desconfio que ela se parece comigo.
 
Carinha da nossa princesa sorrindo

Desde a virada do ano eu comecei a sentir um peso absurdo abaixo da barriga. Desconfiei que fosse pq ela tava muito gordinha, já que na eco de 26 semanas ela tava com 35cm e 870gramas. Mais comprida do que pesada, mas eu achava que por isso eu estava sentindo tanta dor e então resolvi esperar o dia da minha consulta pra falar isso pro médico. Só que essa dor começou a me atrapalhar, a ponto de eu ter que voltar mais cedo do trabalho ou até mesmo nem ir, pq doía de mais pra caminhar.
 
Na sequencia, comecei a ter uma sensação estranha, pressentimentos de que a gravidez não iria até o fim. Seguidamente sonhava que estava sangrando ou que a bolsa rompia. Mesmo estando acordada estava sempre com a sensação de que estava escorrendo líquido pelas pernas. Comecei a ficar angustiada, e resolvi até antecipar a data do chá de fraldas em 3 semanas. Minha mãe ficava rindo de mim, que eu tava encucando achando qu a Lívia viria antes, mas meu coração estava apertado e com uma sensação estranha.
 
Aí ontem de manhã fomos fazer a ecocárdio e o médico brincou que a Lívia tinha tirado nota 10 com estrelinhas e purpurina lilás, que ela era uma menina de ótimo coração. Que bom, mais uma etapa de alívio em saber que ela está perfeita, crescendo bastante e bem saudável. Nossa... como esperei por isso. 

De tarde, fui na minha consulta com o obstetra e apresentei meus exames. De cara ele já me deu um piti, pois eu estou bastante anêmica. Nem imaginava, pois não tenho me sentido fraca, mas ele disse que o desejável é que o valor esteja entre 37 e 40 e eu estou com 30. Já me prescreveu vitaminas e ainda brincou dizendo que se hoje eu precisasse de um cirurgia, nenhum médico toparia fazer.  

Ok, piti tomado, fui pra salinha pra fazer o exame de toque, e lá comentei com ele que eu estava sentindo bastante dor e queria saber se era normal. Ele me examinou e fez cara feia, dizendo que meu colo do útero estava alterado. Perguntei o que isso significava e ele foi categórico: REPOUSO, REPOUSO, REPOUSO, AFASTAMENTO DO TRABALHO, INSS.... Meu Deus, conforme ele ia falando eu ia amolecendo. Perguntei como assim, o que estava acontecendo e ele disse que meu colo do útero já estava se modificando, que eu estava tendo contrações e que com isso eu estava diagnosticada com TPP – Trabalho de Parto Prematuro.  

Nossa.... gelei. Aí ele me explicou que eu corria risco de entrar em trabalho de parto e ter que correr pro hospital pra fazer um parto de emergência. Aloou... como assim? A Lívia só tem 27 semanas.... 

Por isso toda a preocupação dele. Ele me determinou de repouso absoluto, disse que a partir daquele momento eu não tinha mais atividade profissional, atividade doméstica, e que meu negócio era ficar de repouso pra tentarmos arrastar essa gravidez até pelo menos 34/35 semanas (início de março).
 
Já me prescreveu hormônios e me pediu um novo exame com medição do tamanho do colo do útero, me passou os laudos para afastamento do trabalho e encaminhamento pro INSS e os CID´s do problema dizem (Z35)  Supervisão de gravidez de alto risco e (O47)Falso trabalho de parto antes de se completarem 37 semanas de gestação.
 
Falou também que dependendo do resultado que desse o exame de medição do colo uterino, talvez fosse necessário eu internar pra tratar a anemia urgente e que a gente teria que fazer as injeções para amadurecimento dos pulmões dela, pois dependendo como fosse, ela nasceria logo.
 
Méeeeeu Deus..... tava tudo indo tão bem que eu não queria acreditar nisso. Meu pai estava comigo na consulta e ficou apreensivo. Saí do consultório gelada, liguei pro Amaral e aí desabe no choro. Nossa... eu precisava desabafar. Conversamos, ele com sua calma e paciência habitual conseguiu me acalmar um pouco e aí pude vir pra casa mais tranquila.
 
Chegando em casa, liguei pro meu chefe pra dar a notícia e ele como de costume, apoiou totalmente meu afastamento e determinou que eu não falo mais em trabalho, e ordenou que nenhum colega me ligue pra falar sobre trabalho. Acho até engraçado, pois na gravidez do JP eu tinha outro chefe e era completamente diferente. As vezes até me pergunto se esse meu chefe de agora existe mesmo. É de outro mundo....
 
Bom, hoje de manhã acordei cedo e fui à maratona de ligar e tentar agendar o exame de urgência. Consegui por início da tarde. Peguei o resultado na mesma hora liguei pro meu médico. Ele então disse que a medida do colo do útero ainda estava aceitável, e que com isso eu não precisaria internar nem correr contra o relógio, desde que eu me mantivesse em repouso como ele havia sugerido. Disse que vamos ir acompanhando com mais frequência e que não há motivo pra pânico, mas sim pra muito repouso e reposição vitamínica.
 
Isso que dizer que agora eu faço parte da decoração do meu quarto como mais uma almofada em cima da cama. Só saio daqui pra ir ao banheiro e o resto, é tudo nas mãos. O Amaral e meus pais estão colaborando com minha vida de rainha, e eu não me mexo pra nada.
 
Então é isso... com a dona Lívia tudo está muito bem, na eco de hoje ela já estava com 1,1Kg e 36cm, tudo dentro no esperado. Eu é que não sei por que o meu corpo não entende que uma gestação deve levar em torno de 38 semanas e sempre resolve acabar antes.
 
Sigo agora em repouso, portanto com mais tempo de aparecer aqui de vez em quando pra dar notícias do andamento das coisas.
 
Como nunca é de mais, peço aos amigos que rezem por nós, pra que tudo corra bem e dentro do tempo esperado. Não queremos passar por imprevistos, UTI neonatal, procedimentos de emergência.... Deus há de nos proteger.
 
Boa noite a todos e fiquem com Deus.




 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Final do ano sempre é um tormento

Bom, passados os dias de tormento, finalmente criei coragem de vir aqui no blog escrever.  Digo coragem porque realmente tenho me sentido meio covarde com meus sentimentos. Não sei se tem a ver com o momento sensível que estou vivendo, mas parece que aquela força de antes não é tão forte.

Quem acompanha minha história sabe que o final do ano é muito marcante pra mim. E como falam muito na lei da atração, parece que isso se confirma pra mim, pois é uma tristeza atrás da outra e tudo parece que não vai ter fim.  As vezes penso que nunca mais vou ter um final de ano feliz.

Os dias que antecederam as datas que marcam o nascimento e a morte do João Pedro foram muito conturbados. Eu tentava compensar a angústia que sentia com os sentimentos bons em relação à Lívia, só que isso começou a ser contraditório. Eu sei que pode ser uma maluquice, mas eu me sentia culpada em estar tendo sentimentos felizes com Lívia e sentimentos tristes com o João Pedro.  Me perguntava como eu podia me sentir assim em relação aos meus dois filhos.

Isso era tão estranho e eu sofri muito imaginando que a Lívia estivesse triste comigo porque ultimamente eu pensava muito no JP e desejava ter ele de volta. Imaginei que ela pudesse pensar que eu gostasse mais dele do que dela.

Em contrapartida, imaginei que o JP pudesse estar decepcionado comigo por eu estar preparando tudo para a chegada da Lívia e não desse atenção suficiente a ele. É uma sensação muito estranha, porque sei que meu filho não está mais vivo entre nós, mas pra mim é apenas como se ele morasse em outro lugar, pois meus sentimentos por ele são muito vivos. É estranho não sei como explicar isso.

Eu me senti muito culpada por estar preparando algumas coisas pra enfeitar o quartinho da Lívia, quando minha vontade era também de estar preparando a festinha de 2 anos do João Pedro. Sentia como se ele fosse ficar triste comigo por não fazer nada por ele. É difícil me fazer entender, mas realmente foi um período muito conturbado, que sem o Amaral teria sido muito difícil de passar.

Havia dias que minha angustia era tanta, que eu aproveitava o transito de ia e vinda do trabalho pra chorar e colocar pra fora tudo que estava preso no meu peito.  Esse era o meu único momento sozinha, momento meu, com meus pensamentos. Difícil era controlar esses sentimentos durante o expediente e passar o dia sorrindo.

No dia que seria o aniversário dele, acordei muito angustiada, e chorei assim que abri os olhos. Senti muita falta dele e fiquei imaginando como seria ele ali, deitado no nosso meio brincando no domingo de manhã. O Amaral me ajudou, me acalmou e então consegui sair da cama. Até que passamos um dia agradável, tentando nos ocupar de tudo que foi jeito pra não deixar espaço livre pros pensamentos.

Na hora de deitar, fiz uma oração especial, pedindo aos anjos de luz que ajudem meu menino a cumprir o seu propósito no plano espiritual e que ele possa enfim resgatar o que fosse necessário, para quem sabe um dia poder retornar ao plano terrestre e seguir a sua evolução. Pedi ao meu filhote um carinho, disse que eu estava com muita saudade e queria sentir sua presença em nossas vidas. Enquanto rezava, imaginei isso acontecendo através da imagem de uma borboleta branca pousando em mim, simbolizando a paz dos anjos do céu.

Dormi bem naquela noite, mas no dia seguinte, dia do falecimento dele, tive que fazer um esforço pra levantar e ir trabalhar. O pior de tudo foi ter que engolir o choro e fazer cara de “tudo bem” o dia inteiro. As duas colegas que trabalham comigo sabiam o que aquele dia significava, então fizeram de tudo pelo meu bem estar e me ajudaram a passar um dia não tão tenso.

Porém não são todas as pessoas que tem esse bom senso, e nesse dia ainda tive que driblar uma tentativa de rasteira no trabalho. Mas isso não é assunto pra este blog. Porém isso me abalou bastante, e juntando com todo o sentimento do dia, logicamente cheguei em casa e desabei. Tudo era motivo pra chorar e me sentir a pior pessoa do mundo. Ainda bem que o Amaral e eu somos muito ligados um ao outro, que mesmo de longe, ele sentiu que eu estava precisando, e me ligou. Providencial, pois foi só falando com ele que consegui me acalmar. Não fosse as palavras do Amaral e meus sentimentos pela Lívia, não sei como teria sido. Mas enfim, consegui passar por esses dois dias terríveis.

Mas não bastasse isso, no dia seguinte ainda tive que me envolver em problemas de família...  Olha... esses últimos dias foram fora do comum... Ainda bem que passaram.

Num desses dias tensos, estava em casa conversando com meu pai e minha irmã, e de repente entrou pela janela da sala uma linda borboleta branca. Ela ficou rodando, pairando nossas cabeças, entrou em todas as peças da casa, por fim pousou no meu ombro e foi embora. Não pude deixar de me emocionar e lembrar do pedido que eu havia feito em oração apenas 4 dias antes. Aquilo simbolizou um “mãe, eu estou aqui com vocês até nas horas difíceis”.

Como eu acredito, isso pra mim foi um presente, como se fosse um abraço do meu filho, que confortou meu coração e deixou os dias mais leves. Com isso consegui aliviar a tensão e tirar de mim a angústia que eu estava sentido.

Hoje, estando mais “lúcida”, sei que todas as minhas angústias foram em vão e que não há motivo para me sentir culpada. Cada filho é único e com cada um é uma situação diferente. Não há como dividir o amor dos dois, nem um substituirá o outro. O jeito é conciliar os sentimentos e saber que cada um tem seu espaço no meu coração independente do plano em que vivam.

Depois de toda essa angústia curada, agora vem a boa fase de aguardar a eco de amanhã e ver como anda a dona Lívia. Logo trago notícias.

Beijos e boa noite a todos.