quinta-feira, 8 de agosto de 2013

3º e 4º mês – Evolução

Estou escrevendo o 3º e 4º mês juntos pq eles foram bem parecidos. Passados os dois primeiros meses, onde tudo era novidade (não que ainda não seja), começou a chegar um período de calmaria (sqn).

Na verdade o tempo foi passando, a gente foi se reconhecendo, se adaptando e as coisas foram entrando nos eixos. As noites de sono vinham sendo mais satisfatórias, as mamadas mais organizadas, ela mais satisfeita em relação à fome e eu mais do que nunca decidida a botar ordem no circo.

Aos poucos consegui ir mostrando pra mim mesma (e pros outros, pq querendo ou não muitos estavam me avaliando) que eu era capaz de cuidar, criar e educar a minha filha. Um dia estávamos sozinhos em casa (o que é raríssimo) e o Amaral olhou pra mim, me fez um carinho e disse “e tu tinha medo de não dar conta”. Nossa.... isso pra mim foi um mega elogio.

Eu tinha sim medo de não dar conta. Medo de não conseguir cuidar dela, da casa, de mim... Com certeza ela em primeiro lugar, e se as outras coisas precisarem ficar pra trás, elas ficam, mas de um jeito ou de outro estou conseguindo. Consegui até tirar um 10 na prova de final de semestre na faculdade hehehe.

Mas além de ser o período de minha afirmação como mãe de família, esse é período de evolução pra ela. Nossa.... como as coisas mudaram em relação aos dois primeiros meses. Antes era tudo muito sensível, agora tudo é mais roots, hehehe

Nesse período começou a surgir o chamado “sorriso social”, aquele que é dado por algum motivo. A Lívia sempre foi muito sorridente, desde a barriga, pois víamos nas ecografias que ela estava sorrindo. Mas claro que eu sabia que tudo isso era reflexo, não era intencional.

Já no hospital conseguimos fotos dela sorrindo, um sorriso de boca mole, mas a coisa mais linda (mãe babona). Mas a chegada do sorriso social só veio a confirmar o que eu já sabia: A Lívia é muito feliz. Nossa, desde que aprendeu a sorrir, ela sorri por tudo, qq coisa é motivo pra ela abrir aquele bocão e mostrar a gengiva sem dente. Amoooo

Nessa faze também começaram a aparecer as primeiras balbucias. Lógico que eu sei que ela não está falando, mas afirmo com toda certeza: ELA CONVERSA. Ela fazia (digo fazia pq hoje, com quase 5 meses já é bem diferente) um engresamento, uma enrolação que só podia estar querendo dizer alguma coisa. E eu, como boa tagarela que sou, sempre dei corda e puxei papo. Dependendo só de mim, com 6 meses a Lívia vai estar discursando já hehehe.

Começou também a ficar mais firmezinha, já querendo sentar, se virar... Claro que tudo não passavam de tentativas, mas é maravilhoso ver uma coisinha que saiu de dentro de mim evoluindo assim tão rápido. Dá uma sensação estar no caminho certo.

Eu já me virava muito bem com ela, já saíamos sozinhas, íamos às lojas, batíamos perna por tudo. Com toda essa minha destreza com ela, não me apegava em ficar em casa porque ela era pequeninha. Saíamos por tudo, fomos passear na serra, na praia, shopping então era direto. Nunca tive frescura de não sair pq ela era bebezinha (falo “era” como se hoje ela já fosse grande hehe), só não gostava e ainda não gosto, quando gente sem noção se aproxima.

Adoro sair na rua e ver que todo mundo fica olhando, mas sempre tem um sem noção que quer beijar, ficar pegando na mãozinha ou apertando a bochecha. Poxa, ela é um bebê, ainda não tem imunidade suficiente pra lutar contra os vírus podres que nós adultos temos. Então com isso sempre fui chata. Se um estranho tocava nela, logo eu limpava. Não é por nojo, não. É puramente segurança e prevenção.

Inclusive fica a dica: Quando você vir um bebezinho, não hesite em olhar, sorrir e elogiar. Os pais inflam de tanta alegria e isso transmite boas energias para quem faz e quem recebe. Mas evite tocar, chegar muito perto e muito menos beijar (se você for um estranho). Até completar o ciclo de vacinas, que vai até 1 ano e meio, a criança é como um computador vazio: nós é que salvamos os registros e inserimos os vírus. Só que não dá pra simplesmente mandar o bebê pro técnico e pedir pra fazer uma limpeza.  Capite???

Então é isso. Assim foi nosso 3º e 4º mês:
     - Sorrisos e muitos sorrisos
     - Conversas que só ela entende
     - Passeios
     - Tudo entrando nos eixos


Seguem fotinhos desse período.

3º MÊS

Sorrisão na festa junina que fizemos em casa

Em época de protestos por todo Brasil...

Temos protesto em casa tbm...

Com as amigas no passeio à casa da praia

Família em Bento Gonçalves (olha o sorriso da moça)

Com o vô gaudério no rodeio
Escrevendo a cartinha de dia da vovó

Bolinho de comemoração aos 3 meses



4º MÊS 

Testando a cadeirinha do papá

Segurado a mamadeira sozinha

Sentadinha e ainda apoiando o braço no sofá... que nojo
Passeadora, adora a cadeirinha do carro

Na pediatra.... ama qdo tira a roupa

Se revirando no soninho

Depois que aprendeu, não tem mais dormir de barriga pra cima
Bolinho de comemoração aos 4 meses


terça-feira, 30 de julho de 2013

2º mês - Adaptação

Passado o primeiro mês, onde estávamos sendo apresentadas uma à outra e nos reconhecendo, era chegada a hora de nos adequarmos à vida normal.

Como no primeiro mês a orientação era de mamadas por livre demanda e pra ajudar meu leite não a sustentava, era impossível estabelecer uma rotina, já que ela praticamente passava o dia (e a noite) pendurada na teta.  Mas com a entrada da mamadeira eu conseguia saber se o choro era de fome ou outra coisa. E essa “outra coisa” quase sempre eram as malditas cólicas.

Nossa... não gosto nem de me lembrar. Começou um pouco antes de completar um mês, mais ou menos com 25 dias. Ela começou a chorar além do normal, principalmente à noite. Tinha hora marcada: 2h da madrugada. Não era um choro comum, eram gritos, gritos desesperadores.

Que fase complicada. Me desesperava quando ela começava a gritar, ficava sem saber direito o que fazer e acabava chorando junto. Fazia massagem, colocava bolsinha de água morna e em último caso dava umas gotinhas de luftal, mas as vezes nada disso adiantava e só o que resolvia era colocar ela pra dormir de bruços. Isso é assunto que vou contar em outro post, quando falar sobre o sono.

Minha sorte é que o Amaral é muito, mas muito calmo. Porque não foi uma nem duas vezes que eu entrei em desespero com o choro dela na madrugada e comecei a chorar junto. Eu não sabia mais o que fazer, me achava uma incompetente, incapaz de conseguir ajudar minha filha. E quando via o Amaral com toda aquela calma, pegava ela no colo e de vagarinho ia fazendo ela se acalmar, eu ficava com vergonha de mim, por não ter conseguido cumprir meu papel.

Não tive depressão pós-parto, mas cheguei perto. E tenho certeza que isso só não aconteceu porque tenho um marido muito companheiro, compreensivo e acima de tudo, parceiro. Pra ele não tem essa de só a mãe é que tem que fazer pelo bebê, o pai também pode, e deve ajudar. Isso foi o que me salvou.

Além dessa função em lidar com as cólicas, no segundo mês comecei a investir no treinamento de sono noturno. Chamo de treinamento porque é um caminho longo e uma criança que não tem base nenhuma, precisa de atenção total e orientação pra cumprir tarefas simples, mesmo que seja o sono. Mas não foi tão simples essa missão.

Eu acredito que a gente aprende as coisas por repetição, por isso insistia em manter uma rotina. Todo dia tudo igual e nos mesmos horários para ir habituando o corpo da Lívia ao que é dia o que e noite. Era um esforço enorme pra mantê-la acordada durante o dia e outro para fazê-la dormir num horário adequado.

Durante a semana era mais tranquilo de fazer essa rotina, mas nos finais de semana era impossível. Com a casa sempre cheia, todo mundo pegando no colo e embalando, cada um se achando mais capaz do que o outro pra fazer ela não chorar... Era aquela passação de colo em colo durante o dia e eu pagando meus pecados durante a noite. Era fatal, final de semana ela se enchia de mania e só queria dormir no colo.

Enfim... nem sempre as coisas são como a gente deseja, e muitas vezes é preciso relevar pra não criar caso. Mas chegou um ponto em que eu comecei a dar uns basta e dizer uns não de vez em quando. Não dava... quando todos viravam as costas eu e o Amaral é que sofríamos.

Eu fazia questão de estabelecer uma rotina. Sou adepta da organização, das coisas nos seus mínimos detalhes e de ordem e determinação. Se é assim, é assim e ponto final. E por ser assim tão organizada sofri um pouco quando descobri que com uma criança não é assim que funciona. Por mais que eu quisesse, nem sempre ela dormia ou ficava acordada no mesmo horário e eu ficava p da cara quando as coisas saíam meu controle.

Não adianta, eu já tive mil pauladas na cabeça me provando que nem sempre consigo estar no controle de tudo e mesmo assim não aprendo.... Tenho esperança ainda de um dia eu ficar menos incomodada quando for contrariada. Mas por outro lado, ser contrariada me chama ao desafio e se sou desafiada vou até o fim pra conseguir vencer. E nesse caso a disputa era comigo mesma. Era provar pra mim mesma que eu era capaz de estabelecer a tal rotina com a Lívia.

E com muita persistência fomos estabelecendo uma rotina que ficasse boa para todas as partes, mas tentando não ficar refém do relógio. Nosso dia era mais regido pela frequência das mamadas do que propriamente pelo horário das atividades. Ela mamava assim que acordava e seguia mamando a cada 3 horas e à noite era a sequencia de banho, mamá e cama. Dentro do possível, mantínhamos essa rotina.

E assim foi o nosso segundo mês:
     - Cólicas infernais que faziam a Lívia se contorcer e berrar
     - Eu desesperada sem saber como ajudar
     - Amaral com jornada dupla: trabalhando e me ajudando com a Lívia (além de ter que me acalmar várias vezes)
     - Eu estressada com a função de colo, pegação e embalação de todo mundo
     - Rotina sendo estabelecida


E aí umas fotinhos...
De bruços pra poder suportar as cólicas

Passeando no parque... 

O famoso banho de balde. Ela adorou.

Conhecendo a bendita Galinha Pintadinha

Bolinho de 2 meses. Foi difícil arrancar um sorriso nesse dia.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

1º mês - Reconhecimento

Não é novidade pra ninguém que quando temos um bebê, nosso tempo passa a ser totalmente dedicado a ele. Aqui em casa não foi diferente. 99,9% do meu tempo é totalmente voltado à Lívia e os 0,01% restante, quando não estou fazendo algo por mim, estou pensando nela.


Por conta dessa total dedicação, logicamente o blog ficou em standby, e não consegui contar aqui tudo que eu gostaria. Então vou tentar fazer posts resumidos de como foram esses meses de reconhecimento, adaptação, surpresas e frustração.


O post de hoje é sobre o 1º mês, o mês do reconhecimento. Pois foi exatamente isso que aconteceu, nós três (mãe, pai e bebê) nos reconhecemos como família e principalmente eu e o Amaral nos reconhecendo no nosso novo papel de mãe e pai.


Ficamos apenas dois dias no hospital e a ida para casa foi cheia de emoção. Já na saída do quarto do hospital eu comecei a chorar e assim foi até entrar em casa. Afinal, a outra vez que entrei no Moinhos para ter meu bebê saí de lá sem ele, e desta vez poder levar minha filha nos braços era um grande presente de Deus.


Tive alta bem tarde e chegamos em casa quase meia noite. Sozinhos em casa, essa primeira noite foi bem atrapalhada. A Lívia dormiu no moises ao meu lado e cada vez que ela tinha que mamar, o Amaral me alcançava ela pra evitar que eu fizesse força. Se alguém estivesse assistindo certamente morreria de rir da nossa atrapalhação. Hoje dou risada, mas no dia eu estava assustada pensando que seria assim pra sempre hehehe.


Como eu fazia questão de da o primeiro banho, no dia seguinte iniciamos a função antes que as visitas começassem a chegar, pois eu não queria ter plateia. Afinal, eu estava nervosa, com medo de errar e queria privacidade naquela hora.  Ficamos então só eu e o Amaral com ela e eu fui fazendo como me ensinaram no cursinho de gestante que fiz qdo estava gravida do JP. Como ainda tinha umbigo, não podia ser banho de imersão, então lavei a cabeça e depois foi banho de gato. Mas eu que não queria plateia fiquei meio sem jeito quando no meio do banho as visitas começaram a chegar. E todas, sem exceção foram pra dentro do quarto assistir o banho. Ainda bem que eu já estava no final e pra minha surpresa, me saí muito bem e me senti muito segura. Não adianta né.... bem que dizem que quando nos tornamos mães aprendemos tudo por instinto.


Primeiro final de semana em casa, logicamente estaríamos de casa cheia, ainda mais que era Páscoa, então não ficamos sozinho nunca. Eu já esperava por isso, pois sabia que todos estavam muito ansiosos pela chegada da nossa princesinha.


É bom receber visitas, a gente fica louca de vontade de mostrar o bebê pra todo mundo, mas é muito cansativo. Muito mesmo. Por mais que todos fossem íntimos, não me sentia a vontade de ir descansar e deixar minha casa cheia. Hoje, sabendo como as coisas são, sei que quando alguma amiga tiver bebê, vou deixar passar um tempo pra ir visitar, porque os primeiros dias o que mais os pais e o bebê precisam é de tranquilidade.
Sempre achei que quando a gente tem um filho, a responsabilidade é toda nossa. Então nada de ficar um tempo na casa da minha mãe como muitas pessoas me perguntaram se eu faria assim. Claro que eu precisaria de ajuda, e por isso minha mãe ficou na minha casa na primeira semana enquanto o Amaral estava no trabalho, mas assim que ele chegava ela ia embora e a noite era tudo com a gente.


Mas como eu fazia questão de eu mesma fazer as coisas pra ela, minha mãe me ajudava com as coisas da casa, recebia as visitas, ficava com ela a tarde pra eu poder dormir um pouco... O resto: trocar fralda, banho, trocar roupas, mamá... era tudo comigo.


Eu sou da opinião que a mãe é quem tem que fazer tudo pelo bebê. Acredito que isso aproxime, crie vínculo, reforça o amor e responsabilidade. Ora, se eu decidi ter um bebê, eu tenho que ser responsável por ele, não é?


Nos primeiros dias tudo era perfeito. Mas aí conforme os dias iam passando, as reservas de energia dela iam diminuindo e cada vez mais ela ia necessitando o peito e aí as coisas começaram a enfeiar.


No post anterior comentei sobre minha dificuldade em amamentar e em como meu leite não a sustentava, então começou a função do choro. Ela chorava muito, se não estivesse no peito, logo estava chorando. Isso começou se tornar exaustivo. Era assim dia e noite e eu e o Amaral estávamos uns cacos de tão cansados. Fora toda a função da dor nos meus seios que comentei no post anterior. As coisas só começaram a se ajeitar com a entrada do complemento de leite em pó.


Sorte que nessa época o Amaral estava num emprego que trabalhava das 14 as 22hs, então podia me ajudar na madrugada sem comprometer tanto o sono.


E assim foi nosso primeiro mês:
- Nós três nos conhecendo, nos entendendo e criando vínculo de família.
- Dias intermináveis com ela ou mamando ou chorando.
- Noites de sono pingado, intercalados pelas mamadas.
- Finais de semana mega cansativos com a casa sempre cheia de visitas até tarde.


Seguem fotinhos do primeiro mês
Primeiro banho.

Papai trocando a primeira fralda

Peladinha pra aguentar o calorão do início de abril

Primeiro banho dado pelo papai

Bolinho de comemoração pelo 1º mês
(faço questão de eu mesma fazer o bolo, mesmo que seja de caixinha hehe)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

As dores da amamentação

Saudades do blog... mas tá difícil de conseguir parar pra escrever, e se for pra fazer meia boca, prefiro não fazer.
Hoje a Lívia tá que só dorme. Está com uma crise alérgica, nebulizando e por isso acorda, mama e dorme de novo. Resolve fazer festinha só na madrugada, mas é passageiro (assim espero hehe).
Mas não é sobre isso que eu venho falar hoje. Tem um assunto que eu não quero deixar muito tempo sem desabafar. Vamos lá: AMAMENTAÇÃO...
Nossa, eu sempre tive muito medo de não conseguir amamentar. Primeiro pelo bem que o leite materno faz ao bebê e depois pelo alto custo que é manter uma criança a leite em pó. Então desde sempre eu dizia pra mim mesma: vou fazer de tudo pra amamentar.
Já aos 4 meses de gravidez começou a sair o colostro, então fiquei um pouco mais tranquila, mesmo sabendo que isso não era garantia de fartura. Mas aí a Lívia nasceu e já primeira hora colocaram ela a mamar em mim.
Que momento.... me senti a mulher mais feliz do mundo. Gerar uma criança, trazer ela ao mundo e prover o seu sustento naturalmente é uma coisa que só podia ser de Deus mesmo, de tão sublime que é isso tudo.
Estava radiante que a Lívia mamava bastante e fazia a pega correta. As visitas iam nos ver no hospital e eu me gabava muito por estar conseguindo amamentar. Estava realizada com isso. Toda hora mostrava pro Amaral que os peitos estavam cheios, redondos... chegavam estar lustrosos de tão grandes.  Mal sabia eu o que isso causaria mais na frente.
Tivemos alta na sexta de noite e a primeira noite em casa foi até engraçada (digo isso hoje, porque no dia achei uma atrapalhação). A Lívia passou praticamente a noite inteira mamando e como os médicos orientam à livre demanda, eu deixei ela sugar.
Sábado de tarde eu tava que não aguentava a dor nos bicos dos seios, e então fui apresentada às tais fissuras que a amamentação pode causar.
Fiz tudo que me indicaram: passava um oleosinho que deram no hospital (não lembro o nome), colocava casca e mamão, passei a pomada Massê,  Ceralip e nada, mas nada mesmo fazia parar de doer.
Dar de mamar estava sendo torturante. Cada vez que a Lívia grudava o seio eu gritava de dor que assustava todos que estavam nos visitando. Mas eu não queria desistir. Podia doer o que fosse que eu estava disposta a dar o peito.
Mas no sábado de noite as coisas ficaram muito piores. Além das fissuras, aconteceu o empedramento de leite. Eu produzia tanto leite que ela não dava conta de sugar tudo, então foi empedrando tudo e meus seios ficaram encaroçados e doloridos ao extremo. Estavam quentes, pesados e vermelhos. Ninguém me alertou que eu precisava ir tirando leite com a bombinha. Eu achava que quanto mais tivesse, melhor.
A dor era tanta que tarde da noite meu pai e o Amaral saíram atrás de comparar uma bombinha e minha irmã e minha mãe se grudaram a fazer massagem nos meus seios e eu só tinha condições de chorar. Era cada uma num seio, massageando e apertando pra tentar extrair o leite, mas não saia. Era como se o leite tivesse congelado lá dentro.  Não aguentando mais de tanta dor, fui pro chuveiro e deixei escorrer água quente. Passei os dentes de um pente pra “abrir valetas” nos seios e ainda assim não saia.
Estava no meu limite, só chorava e sentia muita dor, então minha mãe sugeriu que o Amaral fosse pro banho comigo e sugasse meus seios com toda força que pudesse. Nem a bombinha nem a Lívia tinham força pra desempedrar, então constrangedoramente deixei que o Amaral fizesse o que minha mãe sugeriu. Ele sugava com força e quando cuspia, tinha sangue. Claro, os bicos estava rachados.
Foram umas duas horas em função de desempedrar os seios. Dor torturante, mas eu não queria desistir. Aliviou um pouco e eu segui sugando com a bombinha nos intervalos das mamadas pra ajudar a esvaziar. O empedramento resolveu dentro de uns 2 ou 3 dias, mas as fissuras seguiram por bastante tempo. Só consegui aliviar usando as conchas de silicone e pomada bepantol depois de cada mamada.
Conforme passavam os dias, a reserva energética da Lívia ia diminuindo e cada vez mais ela ia sugando. E sugava tão desesperada que fazia a pega errada, e por conta disso, fissurava cada vez mais. Depois que ela grudava, eu não conseguia tirar a boca dela do sei de jeito nenhum, e isso doía muito.
Passei a dar mamá com uma fraldinha na minha boca, pra que os meus gritos não assustassem ela nem os vizinhos. Era desesperador e minha mãe e o Amaral enchiam os olhos de lágrimas cada vez que eu ia dar de mamá.
Já estava acostumada com a dor, mas o tempo das mamadas estava acabando comigo. A Lívia ficava cerca de 1 hora e meia mamando e quando largava o peito chorava o tempo todo. Eu não achava que aquilo fosse normal, então liguei pra pediatra e ela pediu que eu fosse ao consultório. Lá pesamos a Lívia e ela que deveria ter ganho no mínimo 400gr naqueles 20 dias, ganhou apenas 120gr.
Que decepção pra mim. Todo meu esforço não estava sendo suficiente, pois meu leite não a sustentava. Não teve jeito, tivemos que complementar com leite em pó. O assunto do leite em pó ficará para outro post.
Depois de cada mamada no peito, eu tinha que dar um complemento de 30ml de leite em pó. Até fazer a Lívia pegar a mamadeira foi um custo. Tentei no copinho, de colherinha, de seringa e nada, não tinha jeito dela sugar outra coisa que não fosse meu peito, até que finalmente ela aprendeu a sugar a mamadeira e pra minha tranquilidade, começou visivelmente a ganhar peso e espaçar as mamadas.
O grande problema foi que sugando a mamadeira ela desaprendeu a sugar o peito e todas as fissuras que já tinham sido curadas voltaram de novo e lá estava eu com dor, bicos rachados e sangrando. Mas ok, tudo pela amamentação natural.
Na consulta de um mês, a pediatra constatou que a Lívia tinha ganho peso suficiente e poderíamos ir aos poucos tirando o complemento de leite em pó. Ok, fui reduzindo a oferta da mamadeira e proporcionalmente a Lívia foi aumentando o tempo de mamada até que estava novamente levando 1 hora e meia mamando. E o que era pior, aumentou a frequência das mamadas. Era 1 hora e meia mamando, no máximo duas horas de descanso e ela já gritava de fome de novo e lá íamos nós mais 1 hora e meia de mamada. Adivinhem o que aconteceu? Rachou o peito de novo.
Nossa, que terror... Fomos até quase os dois meses dela assim, sofrendo a cada mamada.
Conversei com a pediatra, afinal, sempre ouvi dizer que não existe leite fraco, mas ela me disse que as coisas não são bem assim, e que pode acontecer sim de o leite não ser nutritivo suficiente. Não tem uma explicação lógica para afirmar o por que meu leite não sustenta a Lívia. Eu tomo bastante água (nessa fase da amamentação) e procuro me alimentar bem. Mas essa história de que toda mãe é capaz de produzir leite suficiente pra seu bebê aqui em casa não colou.
Não tivemos escolha e tivemos que partir para o leite em pó em maior quantidade. Segui dando o peito e depois o complemento, mas conforme ela foi crescendo, a demanda foi aumentando e hoje estamos com 150ml de leite em pó a cada 3 horas.
Por conta da facilidade com que o leite sai da mamadeira, nem sempre ela quer mamar no peito. Já conversei com a pediatra sobre tirar de vez o peito, já que não a sustenta. Mas a dra pediu que eu mantenha enquanto puder pelo fator de proteção e imunidade que o leite materno dá ao bebê.
Só por isso ainda estou mantendo, porque é duro ofertar à uma criança um leite que não sustenta. Com o leite do peito e como se ela tomasse água. Enche a barriga mas em seguida fica com fome de novo.
Hoje procuro dar o peito só à noite, pois é um momento em que ela se acalma e consegue dormir melhor. As vezes ela dá duas ou três sugadas e já pega no sono.
Sei que vou ter problemas mais lá na frente, na hora de desmamar de vez, pois vejo que hoje ela é emocionalmente dependente do peito pra dormir bem. As vezes que tento fazê-la dormir sem o peito e um chochorô e ela acorda mais cedo. Mas vou deixar pra resolver esse problema quando for a hora dele, por agora deixa assim.
Enfim... digo com orgulho EU FIZ DE TUDO PRA AMAMENTAR, mas infelizmente não consegui manter só com a amamentação natural. E hoje eu reconheço e tiro o chapéu praquelas mães que conseguem manter um bebê só com leite do peito. Isso não é pra qualquer um.
Para aquelas que estão grávidas ou pensando em engravidar, eu alerto: a amamentação não é esse mar de rosas que a mídia mostra. Tem que ter muita vontade, disposição e força pra aguentar a dor. Mas todo esforço vale a pena. Eu daria minha vida pela minha filha, então ter os bicos dos seios rachados não é nada perto disso.
Se puder amamentar, amamente. Além de ser saudável para o bebê, é um momento único que só a mamãe tem com a criança.
 
E agora seguem umas fotinhos dos nossos momentos...
 
Primeira mamada no hospital

Primeira mamada em casa. Eu com rosto vermelho de tanto chorar de emoção

Tentando dar o complemento de colherinha 

Enganando ela com a seringa

E enfim, com a mamadeira
 
Hoje em dia, tão adaptada que até segura sozinha

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Enfim... Lívia chegou!

Oiii....
Quando comecei a escrever este post, iniciei e voltei atrás várias vezes. Isso por um único motivo: não sei como começar.
Na verdade este post é mais do que especial, porque ele demonstra o exato estado em que me encontro: o estado de não saber mas nada, de não me reconhecer mais, de não tomar mais conta de mim e dos meus pensamentos.
Estou vivendo um transe tão grande, que não sei quando vou voltar ao normal, se é que vou voltar (será que quero voltar a ser como antes???).
Enfim, a Lívia nasceu. De uma gestação de 37 semanas, num parto cesariana, no dia 27 de março de2013, às 22h e 46min, no hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, pesando 3,160Kg e medindo 48,5cm. E junto com o nascimento dela, nasceram outras duas pessoas: a Grayce e o Amaral. Siiiimmmm porque nós renascemos como mãe e pai, renascemos para a vida....
Pensei mil vezes como seria o post de anúncio do nascimento dela, mas não consigo colocar em palavras, muito menos em texto o que foi viver a emoção de ter a minha filha nos braços. Na verdade, não consigo explicar o que estou vivendo nesses últimos dias desde que ela nasceu.
Eu já sabia como era o sentimento de mãe, mas praticar a vida de mãe é algo mais inexplicável ainda. A gente fica meio abobalhada, com a cabeça nas nuvens, os pensamentos no alto, as coisas entram por um ouvido e saem pelo outro. Nada, mas nada nesse mundo importa mais do que estar com ela, ficar olhando praquele rostinho lindo, cheirando aquele pescocinho, mordendo aqueles pesinhos... ui, só de escrever aqui me dá vontade de largar tudo e ir fazer isso agora.
A Lívia já tem quase dois meses, e óbvio que muitas coisas aconteceram nesse período que dariam bons posts pro blog. Gostaria de contar em detalhes como está sendo o nosso dia a dia, mas a correria é tanta que não tenho mais tempo para detalhes.
Talvez com o passar do tempo, e conforme as coisas forem se ajeitando, eu consiga vir aqui compartilhar nossos momentos, nossas dificuldades.... (sim... tivemos e ainda temos dificuldades em alguns aspectos). Talvez eu consiga voltar a escrever com detalhes sobre nossos tropeços e nossos aprendizados, porque estamos nos conhecendo ainda, e estamos aprendendo uma com a outra.
Por hora, o que posso dizer é que de fato a maternidade completa uma mulher, nos torna mais madura, mais segura de algumas coisas e também completamente insegura em relação à outras.
O nascimento da Lívia me transformou em outra pessoa, pessoa essa que eu ainda não sei definir, mas já percebi que aquilo que antes era prioridade, agora não é mais, aquilo que me irritava, já não irrita mais, aquilo que era urgente, pode ficar pra depois. Percebi que estar com ela, por mais cansativo que seja, é a melhor coisa do mundo. Percebi que aqueles olhinhos brilhantes me hipnotizam e me fazem ser sua refém.
Percebi também que é verdade o que eu já imaginava. Que um filho não substitui outro. A Lívia veio para amenizar vazio que existe no meu peito, mas mesmo com ela nos meus braços, a saudade do João Pedro ainda existe, ainda dói. As vezes parece que dói mais agora, quando comparo quando faço por ela o que não pude fazer por ele, mas a felicidade de estar com ela supera a dor e isso me dá combustível pra seguir.
 Enfim... posso ficar aqui escrevendo linhas e mais linhas que nunca vou conseguir definir tudo isso que estou vivendo, então pra finalizar esse post rápido, deixo algumas fotinhos da minha amadinha e, assim que possível, quando o tempo me permitir, volto aqui para compartilhar nossa felicidade com os amigos que nos querem bem.
Um abraço a todos.
O momento mais esperado

Pesagem - 3,160kg

Pezinhos... como eu amooooo

Procedimentos

Primeira mamada... que momento!

Bolinho de comemoração ao primeiro mês

Mamãe incentiva a ser gremista. Será???
Papai não quer...
 
Atualmente... faceirinha no banho de balde

Risonha