sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Atualizando as notícias...


Bom gente, depois de um tempão sumida, consegui dar as caras e aparecer por aqui. Tavão a com saudade, mas realmente o tempo tem me faltado. Nessa época, entre novembro e fevereiro é quando mais o meu trabalho bomba, então sou sugada energeticamente ao longo do dia e quando chego em casa, tem a função da reforma que não acaba nunca e da organização com as coisas da Lívia. Ufa... cansa só de pensar.
 
Da última vez que escrevi, já se passou quase 40 dias, e tem muita coisa pra ser atualizada. A primeira é que fizemos a ecografia morfológica com 22 semanas e tudo estava perfeito. A Lívia estava no tamanho ideal e com todos os órgãos e membros perfeitos. A dra enfatizou muito a formação completa do diafragma, confirmando a não existência de HDC. Nossa... cada exame é uma angústia, enquanto a médica não concluí, meu coração quase salta pela boca, e outro dia o Amaral me confessou isso tbm. Lógico, depois de tudo que já passamos, quem não ficaria apreensivo???
 
Em seguida vieram as festas de final de ano e o stress pegou com a reforma do banheiro aqui de casa. O objetivo era passarmos o Natal aqui com minha família, porém no meio da obra, o pedreiro desapareceu por 15 dias, e nesse período tive que ficar usando um balde e escovar os dentes no tanque. Olha.... foi punk, eu tava quase matando meio mundo. Ainda bem que acabou essa parte, mas infelizmente não pudemos comemorar o Natal como queríamos.
 
Ano novo passamos na praia, na casa da família do meu cunhado e foi muito legal, mesmo que na hora dos fogos todos os sentimentos borbulharam na minha cabeça e foi impossível não desabar e cair no choro. Mas no fim, os sentimentos se transformaram em esperança de um ano melhor.
 
Aí vieram os finais de semana no Farol da Solidão, praia que eu adoro, que todo ano nessa época a gente vai, e esse ano não podia ser diferente, tínhamos que apresentar a nossa praia pra Lívia. Lá fizemos um ensaio fotográfico amador, fotografado pela minha irmã, que adora fotografia e comprou uma maquina semiprofissional. As fotos ficaram tão lindas que estamos incentivando ela a fazer disso um complemento financeiro. Deem uma olhada nas fotos e digam, se pra primeira vez isso não ficou um espetáculo.... Claro que os modelos ajudaram né hehehe.
 
Amostra do book fotografado pela minha irmã #GlauciaPedro
Na volta da praia fizemos a ecografia 3D, porque eu tava morta de curiosidade de ver o rostinho da dona moça. Mas ela é tão tinhosa que não quis se mostrar bem. O médico disse que ela está tão encaixada na posição que seu rostinho fica colado na placenta e não dá pra ver direito. Uma pena, mas mesmo assim conseguimos algumas imagens razoáveis e o mais interessante, o tempo todo da ecografia ela apareceu sorrindo. Até o médico brincou dizendo que ela devia ser um bebê muito feliz. Se o nosso amor por ela faz ela ficar feliz, deve ser mesmo, porque amamos essa pequena mais do que de mais. Olha que carinha mais amada.... Desconfio que ela se parece comigo.
 
Carinha da nossa princesa sorrindo

Desde a virada do ano eu comecei a sentir um peso absurdo abaixo da barriga. Desconfiei que fosse pq ela tava muito gordinha, já que na eco de 26 semanas ela tava com 35cm e 870gramas. Mais comprida do que pesada, mas eu achava que por isso eu estava sentindo tanta dor e então resolvi esperar o dia da minha consulta pra falar isso pro médico. Só que essa dor começou a me atrapalhar, a ponto de eu ter que voltar mais cedo do trabalho ou até mesmo nem ir, pq doía de mais pra caminhar.
 
Na sequencia, comecei a ter uma sensação estranha, pressentimentos de que a gravidez não iria até o fim. Seguidamente sonhava que estava sangrando ou que a bolsa rompia. Mesmo estando acordada estava sempre com a sensação de que estava escorrendo líquido pelas pernas. Comecei a ficar angustiada, e resolvi até antecipar a data do chá de fraldas em 3 semanas. Minha mãe ficava rindo de mim, que eu tava encucando achando qu a Lívia viria antes, mas meu coração estava apertado e com uma sensação estranha.
 
Aí ontem de manhã fomos fazer a ecocárdio e o médico brincou que a Lívia tinha tirado nota 10 com estrelinhas e purpurina lilás, que ela era uma menina de ótimo coração. Que bom, mais uma etapa de alívio em saber que ela está perfeita, crescendo bastante e bem saudável. Nossa... como esperei por isso. 

De tarde, fui na minha consulta com o obstetra e apresentei meus exames. De cara ele já me deu um piti, pois eu estou bastante anêmica. Nem imaginava, pois não tenho me sentido fraca, mas ele disse que o desejável é que o valor esteja entre 37 e 40 e eu estou com 30. Já me prescreveu vitaminas e ainda brincou dizendo que se hoje eu precisasse de um cirurgia, nenhum médico toparia fazer.  

Ok, piti tomado, fui pra salinha pra fazer o exame de toque, e lá comentei com ele que eu estava sentindo bastante dor e queria saber se era normal. Ele me examinou e fez cara feia, dizendo que meu colo do útero estava alterado. Perguntei o que isso significava e ele foi categórico: REPOUSO, REPOUSO, REPOUSO, AFASTAMENTO DO TRABALHO, INSS.... Meu Deus, conforme ele ia falando eu ia amolecendo. Perguntei como assim, o que estava acontecendo e ele disse que meu colo do útero já estava se modificando, que eu estava tendo contrações e que com isso eu estava diagnosticada com TPP – Trabalho de Parto Prematuro.  

Nossa.... gelei. Aí ele me explicou que eu corria risco de entrar em trabalho de parto e ter que correr pro hospital pra fazer um parto de emergência. Aloou... como assim? A Lívia só tem 27 semanas.... 

Por isso toda a preocupação dele. Ele me determinou de repouso absoluto, disse que a partir daquele momento eu não tinha mais atividade profissional, atividade doméstica, e que meu negócio era ficar de repouso pra tentarmos arrastar essa gravidez até pelo menos 34/35 semanas (início de março).
 
Já me prescreveu hormônios e me pediu um novo exame com medição do tamanho do colo do útero, me passou os laudos para afastamento do trabalho e encaminhamento pro INSS e os CID´s do problema dizem (Z35)  Supervisão de gravidez de alto risco e (O47)Falso trabalho de parto antes de se completarem 37 semanas de gestação.
 
Falou também que dependendo do resultado que desse o exame de medição do colo uterino, talvez fosse necessário eu internar pra tratar a anemia urgente e que a gente teria que fazer as injeções para amadurecimento dos pulmões dela, pois dependendo como fosse, ela nasceria logo.
 
Méeeeeu Deus..... tava tudo indo tão bem que eu não queria acreditar nisso. Meu pai estava comigo na consulta e ficou apreensivo. Saí do consultório gelada, liguei pro Amaral e aí desabe no choro. Nossa... eu precisava desabafar. Conversamos, ele com sua calma e paciência habitual conseguiu me acalmar um pouco e aí pude vir pra casa mais tranquila.
 
Chegando em casa, liguei pro meu chefe pra dar a notícia e ele como de costume, apoiou totalmente meu afastamento e determinou que eu não falo mais em trabalho, e ordenou que nenhum colega me ligue pra falar sobre trabalho. Acho até engraçado, pois na gravidez do JP eu tinha outro chefe e era completamente diferente. As vezes até me pergunto se esse meu chefe de agora existe mesmo. É de outro mundo....
 
Bom, hoje de manhã acordei cedo e fui à maratona de ligar e tentar agendar o exame de urgência. Consegui por início da tarde. Peguei o resultado na mesma hora liguei pro meu médico. Ele então disse que a medida do colo do útero ainda estava aceitável, e que com isso eu não precisaria internar nem correr contra o relógio, desde que eu me mantivesse em repouso como ele havia sugerido. Disse que vamos ir acompanhando com mais frequência e que não há motivo pra pânico, mas sim pra muito repouso e reposição vitamínica.
 
Isso que dizer que agora eu faço parte da decoração do meu quarto como mais uma almofada em cima da cama. Só saio daqui pra ir ao banheiro e o resto, é tudo nas mãos. O Amaral e meus pais estão colaborando com minha vida de rainha, e eu não me mexo pra nada.
 
Então é isso... com a dona Lívia tudo está muito bem, na eco de hoje ela já estava com 1,1Kg e 36cm, tudo dentro no esperado. Eu é que não sei por que o meu corpo não entende que uma gestação deve levar em torno de 38 semanas e sempre resolve acabar antes.
 
Sigo agora em repouso, portanto com mais tempo de aparecer aqui de vez em quando pra dar notícias do andamento das coisas.
 
Como nunca é de mais, peço aos amigos que rezem por nós, pra que tudo corra bem e dentro do tempo esperado. Não queremos passar por imprevistos, UTI neonatal, procedimentos de emergência.... Deus há de nos proteger.
 
Boa noite a todos e fiquem com Deus.




 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Final do ano sempre é um tormento

Bom, passados os dias de tormento, finalmente criei coragem de vir aqui no blog escrever.  Digo coragem porque realmente tenho me sentido meio covarde com meus sentimentos. Não sei se tem a ver com o momento sensível que estou vivendo, mas parece que aquela força de antes não é tão forte.

Quem acompanha minha história sabe que o final do ano é muito marcante pra mim. E como falam muito na lei da atração, parece que isso se confirma pra mim, pois é uma tristeza atrás da outra e tudo parece que não vai ter fim.  As vezes penso que nunca mais vou ter um final de ano feliz.

Os dias que antecederam as datas que marcam o nascimento e a morte do João Pedro foram muito conturbados. Eu tentava compensar a angústia que sentia com os sentimentos bons em relação à Lívia, só que isso começou a ser contraditório. Eu sei que pode ser uma maluquice, mas eu me sentia culpada em estar tendo sentimentos felizes com Lívia e sentimentos tristes com o João Pedro.  Me perguntava como eu podia me sentir assim em relação aos meus dois filhos.

Isso era tão estranho e eu sofri muito imaginando que a Lívia estivesse triste comigo porque ultimamente eu pensava muito no JP e desejava ter ele de volta. Imaginei que ela pudesse pensar que eu gostasse mais dele do que dela.

Em contrapartida, imaginei que o JP pudesse estar decepcionado comigo por eu estar preparando tudo para a chegada da Lívia e não desse atenção suficiente a ele. É uma sensação muito estranha, porque sei que meu filho não está mais vivo entre nós, mas pra mim é apenas como se ele morasse em outro lugar, pois meus sentimentos por ele são muito vivos. É estranho não sei como explicar isso.

Eu me senti muito culpada por estar preparando algumas coisas pra enfeitar o quartinho da Lívia, quando minha vontade era também de estar preparando a festinha de 2 anos do João Pedro. Sentia como se ele fosse ficar triste comigo por não fazer nada por ele. É difícil me fazer entender, mas realmente foi um período muito conturbado, que sem o Amaral teria sido muito difícil de passar.

Havia dias que minha angustia era tanta, que eu aproveitava o transito de ia e vinda do trabalho pra chorar e colocar pra fora tudo que estava preso no meu peito.  Esse era o meu único momento sozinha, momento meu, com meus pensamentos. Difícil era controlar esses sentimentos durante o expediente e passar o dia sorrindo.

No dia que seria o aniversário dele, acordei muito angustiada, e chorei assim que abri os olhos. Senti muita falta dele e fiquei imaginando como seria ele ali, deitado no nosso meio brincando no domingo de manhã. O Amaral me ajudou, me acalmou e então consegui sair da cama. Até que passamos um dia agradável, tentando nos ocupar de tudo que foi jeito pra não deixar espaço livre pros pensamentos.

Na hora de deitar, fiz uma oração especial, pedindo aos anjos de luz que ajudem meu menino a cumprir o seu propósito no plano espiritual e que ele possa enfim resgatar o que fosse necessário, para quem sabe um dia poder retornar ao plano terrestre e seguir a sua evolução. Pedi ao meu filhote um carinho, disse que eu estava com muita saudade e queria sentir sua presença em nossas vidas. Enquanto rezava, imaginei isso acontecendo através da imagem de uma borboleta branca pousando em mim, simbolizando a paz dos anjos do céu.

Dormi bem naquela noite, mas no dia seguinte, dia do falecimento dele, tive que fazer um esforço pra levantar e ir trabalhar. O pior de tudo foi ter que engolir o choro e fazer cara de “tudo bem” o dia inteiro. As duas colegas que trabalham comigo sabiam o que aquele dia significava, então fizeram de tudo pelo meu bem estar e me ajudaram a passar um dia não tão tenso.

Porém não são todas as pessoas que tem esse bom senso, e nesse dia ainda tive que driblar uma tentativa de rasteira no trabalho. Mas isso não é assunto pra este blog. Porém isso me abalou bastante, e juntando com todo o sentimento do dia, logicamente cheguei em casa e desabei. Tudo era motivo pra chorar e me sentir a pior pessoa do mundo. Ainda bem que o Amaral e eu somos muito ligados um ao outro, que mesmo de longe, ele sentiu que eu estava precisando, e me ligou. Providencial, pois foi só falando com ele que consegui me acalmar. Não fosse as palavras do Amaral e meus sentimentos pela Lívia, não sei como teria sido. Mas enfim, consegui passar por esses dois dias terríveis.

Mas não bastasse isso, no dia seguinte ainda tive que me envolver em problemas de família...  Olha... esses últimos dias foram fora do comum... Ainda bem que passaram.

Num desses dias tensos, estava em casa conversando com meu pai e minha irmã, e de repente entrou pela janela da sala uma linda borboleta branca. Ela ficou rodando, pairando nossas cabeças, entrou em todas as peças da casa, por fim pousou no meu ombro e foi embora. Não pude deixar de me emocionar e lembrar do pedido que eu havia feito em oração apenas 4 dias antes. Aquilo simbolizou um “mãe, eu estou aqui com vocês até nas horas difíceis”.

Como eu acredito, isso pra mim foi um presente, como se fosse um abraço do meu filho, que confortou meu coração e deixou os dias mais leves. Com isso consegui aliviar a tensão e tirar de mim a angústia que eu estava sentido.

Hoje, estando mais “lúcida”, sei que todas as minhas angústias foram em vão e que não há motivo para me sentir culpada. Cada filho é único e com cada um é uma situação diferente. Não há como dividir o amor dos dois, nem um substituirá o outro. O jeito é conciliar os sentimentos e saber que cada um tem seu espaço no meu coração independente do plano em que vivam.

Depois de toda essa angústia curada, agora vem a boa fase de aguardar a eco de amanhã e ver como anda a dona Lívia. Logo trago notícias.

Beijos e boa noite a todos.




 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A proximidade das datas faz doer

Hoje dando uma olhada nos blogs que sigo, me deparei com um texto que achei fantástico.
 
Não que eu tenha gostado do que está escrito, mas achei fantástico porque a pessoa que escreveu traduziu perfeitamente a situação e atualmente vivo esses dois sentimentos juntos.
 
Este texto foi lido por Bruno Gouveia, vocalista da banda Biquini Cavadão, na missa de sétimo dia de seu filho e sua esposa que morreram em um acidente de helicóptero em 2011.

A morte de um filho
é uma gravidez às avessas
volta pra dentro da gente
para uma gestação eterna

aninha-se aos poucos
buscando um espaço
por isso dói o corpo
por isso, o cansaço

E como numa gestação ao contrário
a dor do parto é a da partida
de volta ao corpo pra acolhida
reviravolta na sua vida

E já começa te chutando, tirando o sono
mexendo os órgãos, lembrando ao dono
que está presente, te bagunçando o pensamento
te vazando de lágrimas e disparando o coração,

A morte de um filho é essa gravidez ao contrário
mas com o tempo, vai desinchando
até se transformar numa semente de amor
e que nunca mais sairá de dentro de ti.

Daqui há alguns dias completa dois anos do nascimento e da morte do meu amado filho João Pedro e, inevitavelmente, os sentimentos estão borbulhando na minha cabeça.  
 
Hoje a situação é diferente, pois a Lívia tem me trazido a esperança de dias melhores. Só que a ausência do João Pedro sempre será sentida.
 
O texto acima traduz perfeitamente o que sinto dentro de mim: a “gravidez”, pela espera da Lívia e o “contrário” pela partida do João Pedro.
 
Com todo esse sentimento contraditório dentro de mim, fico me perguntando: “o que será de mim nos próximos dias?”
 
Sinto isso todos os dias, mas a aproximação das datas faz tudo triplicar de intensidade.
 
Torço pra que eu consiga passar os próximos dias bem e mais uma vez superar essa tristeza que toma conta do meu peito perto das festas de final de ano.
 
Quem puder, peço que ao final de ler esse post, faça uma oração por mim, pelo Amaral, para que possamos passar bem por esse dias, pela Lívia, para que ela não sinta a minha angústia, e pelo João Pedro, para que ele esteja bem onde estiver e siga o caminho traçado por Deus.
 
Um abraço a todos e fiquem com Deus. 
 
 
O texto foi retirado do blog PARTIDA E CHEGADA
(http://www.partidaechegada.com/2011/06/morte-de-um-filho-e-gravidez-ao.html)





quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A escolha do nome

Bom, sem sombra de dúvidas, escolher o nome dos filhos não é tarefa fácil. Tem gente que desde pequena já diz que quando tiver filhos se chamará fulano, mas comigo isso não funciona. Talvez por eu naturalmente ser uma pessoa indecisa e que enjoa muito fácil das coisas, nunca me apeguei a um nome e desejei isso pro futuro dos meus filhos.
 
Considero a escolha do nome uma grande responsabilidade, pensem bem, é o nome que essa criança vai carregar pro resto da vida. Nossa, que compromisso.
Quando escolhemos o nome do João Pedro, até que não foi tão difícil. Procuramos pensar na combinação dos sobrenomes: o meu é Bandeira Pedro e o Amaral é do Amaral da Silva, então pros nossos filhos resta um Pedro da Silva (nossa que sobrenome de peso... hehehehe). Mas quando pensamos no nome João, logo me veio na cabeça a combinação “João Pedro da Silva”. Tadinho, teria vários homônimos se deixássemos assim. Então resolvemos usar o Pedro do meu sobrenome como segundo nome dele e incluímos o do Amaral, pra não ficar tão ruim, aí ficou João Pedro do Amaral da Silva.
 
O Amaral gostou da ideia, porque João era o nome do avô dele, então serviria como homenagem ao avô que ele nem conheceu. E se o João Pedro fosse menina, se chamaria Luíza, simplesmente porque achávamos bonito.
 
Aí chegou o momento de escolher os nomes dessa gravidez. Antes mesmo de sabermos o sexo já estávamos conversando sobre isso, pois queria que assim que soubéssemos o que era, já chamássemos pelo nome.
 
Já comentei aqui no blog que um dia sonhei que teria um menino e que ele gostaria de se chamar Bernardo. Acho um lindo nome, estava nas opções na época do JP, mas dessa vez avaliamos outras coisas pra então decidir.
 
Eu definitivamente não gosto de apelidos e diminutivos de nomes. Sei lá, é uma coisa minha, mas detestava quando se referiam ao João Pedro como “Joãozinho”. Poxa, escolhemos um nome tão bonito pra alguns ficarem diminuindo.... Maluquices da minha cabeça, mas não gosto.
 
E quando havíamos falado em Bernardo no passado, minha mãe na mesma hora disse que chamaria de “Berno”. Deusolivre.... Então esse nome foi descartado.
 
Seguimos então na busca por nomes curtos, que minimizassem a chance de diminutivos e eu ainda pensava na situação da atualidade do nome. Queria um nome que combinasse com a idade em qualquer tempo. Por exemplo, o meu nome, não é um nome que eu acho que combine com uma senhora idosa, não imagino meus netos me chamando de “vó Grayce”, ou então o Amaral sendo chamado de “vô Anderson” hahaha. E também não podia ser um nome tão velho, que não combinasse com a fase criança, mas isso já foi mais difícil. Sei lá, mais uma maluquice da minha cabeça, mas vou fazer o que se essas coisas pairam nos meus pensamentos??? hehehehe.
 
Pra menino, a escolha foi muito rápida, a primeira opção que eu citei o Amaral gostou e quando falamos pra família, todos gostaram. Se fosse menino seria INÁCIO. Não e um nome que combine muito com criança, mas acho muito bonito, forte e dificilmente alguém chamaria de Inácinho ou Inaciozinho. Bingo, era Inácio e estava definido.
 
Já pra escolher o nome de menina foi um parto... Aquela ideia de Luiza não me agradava mais, já tinha passado a fase, e a primeira opção que estava na minha cabeça era Antônia. Eu acho lindo, e pra mim servia como homenagem à Santo Antônio, meu bruxo. O Amaral gostou, mas foi só eu falar dessa opção pra minha mãe que ela encheu de apelidos (ela é campeã disso). Minha mãe disse que se fosse Antônia, ela chamaria de “Tonha”, e se por um acaso ela fosse grandona como eu, minha mãe disse que todos chamariam ela de “Tonhão”. Pronto, bastou pra eu excluir o nome da lista... Por favor, isso não se faz com uma criança. Se fosse pra chamar de Tônia, até não me importava, mas Tonha, ou Tonhão, nem pensar....
 
Aí lancei minha segunda opção: Olívia. Quando falei pro Amaral, ele me olhou com uma cara e na hora disse “Todo mundo vai chamar ela de Olívia Palito”. Argumentei que não, até porque sendo nossa filha, impossível ser magricela, aí ele disse que então chamariam ela de “Olívia Bolota”. Esse a Amaral..... vou te contar, me sai com cada uma. Insisti com ele que isso não aconteceria, porque  o desenho do Popeye é da nossa infância e não de agora e as crianças modernas nem sabem que existe uma Olívia Palito. Pedi pra ele então pensar em alguns nomes e me dizer, mas ele me trouxe cada ideia que prefiro nem citar, vai que alguém goste....
 
Eu ainda estava apostando em Olívia, mas quando falei pra família, quase me mataram. Disseram que o nome era feio, que era de velha, e voltaram com a história do Olívia Palito... Aí alguém falou “Porque não coloca Lívia então?”. Teve mais gente apoiando a ideia e eu então parei pra pensar no nome, já que essa opção nunca tinha aparecido na minha mente.
 
Lívia é um nome lindo, moderno, serve para qualquer etapa da vida, não combina com Livinha, ou Liviazinha. É... tudo estava se encaixando nos requisitos. O Amaral concordou, e enfim decidimos. LÍVIA. Eu ainda preferia Olívia, mas não vou criar caso por causa de apenas uma letra hehehe.
 
Ainda não estou totalmente habituada, as vezes me pego pensando no nome, mas logo senta a poeira e vejo que foi uma bela escolha. Acho realmente muito bonito, mas talvez por nunca ter colocado esse nome na minha lista de favoritos, é que me causa essa estranheza.
 
Ela já é chamada pelo nome desde a hora que a médica identificou no ultrassom, já estou pensando nas coisinhas que vou fazer personalizadas com o nome dela, nossa, já estou pensando em tanta coisa e sinto que tenho tão pouco tempo pela frente... afinal, já estamos no meio do caminho....
 
Bom, a escolha do nome e descoberta do sexo eram as coisas que faltavam pra eu planejar o resto, agora é só correr contra o tempo e deixar tudo arrumadinho pra quando ela chegar em abril.
 
Mãos à obra....
 
Bom feriado a todos.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vem aí uma menina: LÍVIA

Oi gente...
 
Relendo meu último post, vi que eu estava reclamona de mais. Acho que penso isso hoje porque aquelas sensações não tão boas que comentei já estão passando. Ultimamente tenho me sentido mais bem disposta e com menos efeitos colaterais da gravidez. Que bom né...
 
Mas enfim, chegou dia de ecografia e óóóóbvio que eu tava ansiosa. Andava numa curiosidade pra saber o sexo que não me aguentava mais, tava até com dificuldade pra dormir. Mas na última noite, minha ansiedade era outra e as coisas ruins que já passei me vieram à cabeça e me deixaram além de ansiosa, angustiada.
 
Toda hora vinha na minha cabeça a cena do médico me dando a notícia da HDC do João Pedro e não tinha como eu desviar o pensamento. Na noite anterior ao exame, me senti meio mal, estava ofegante, com falta de ar, pressão um pouco baixa e cheguei até a ficar trêmula. Típicos sinais de crise de ansiedade. Mas consegui controlar e não deixei isso me dominar.
 
De manhã, no dia do exame, antes de sair da cama, eu e o Amaral ficamos um pouco abraçados, conversando, não consegui disfarçar e acabei confessando que eu estava com medo. O medo era tanto que e acabei chorando.
 
Não tem como... só quem já passou por isso pra saber como é difícil aguardar o resultado de um exame. A sorte é que tenho o Amaral ao meu lado, e ele me acalma e me tranquiliza.
 
Fomos então pra clínica e o tempo de espera até o exame foi uma tortura. Quando entramos pra sala, deitei na maca e o Amaral ficou conversando com a “barriga” pedindo pro bebê mostrar o que era e principalmente mostrar que estava bem.
 
Assim que a médica entrou já foi falando “essa é a eco da curiosidade então?!” Aí eu disse pra ela que antes de saber o sexo, eu precisava saber se estava tudo bem. Aí ela foi olhando e dizendo que estava tudo excelente. Foi mostrando os órgãos e dizendo que estava tudo do tamanho adequado ao tempo de gestação e que estava tudo no devido lugar. Me mostrou a linha do diafragma e disse que até o momento ele estava completinho. Ufaaaa.... nessa hora já escorreram lágrimas dos meus olhos.
 
Aí depois que me acalmei, foi hora que matar a curiosidade. Como já fiz varias ecos, já sou craque em identificar os borrões das imagens. Aí quando a médica estava tentando ver o sexo, eu vi uma “coisa” que pra mim era um saquinho, mas achava estranho que não tinha pintinho. Aí a médica parou a imagem e mostrou: “estão vendo: aqui são os lábios e aqui no meio é a rachinha. É uma menina”.  Ainda não estava entendendo... era “muito grande” pra ser uma pepeca.  Aí a médica me disse que é assim mesmo, que é bem inchadinha. Perguntei se ela tinha certeza, se não tinha possibilidade de estar errado e ela me garantiu que era menina.
 
Nossa... quanta felicidade descobrir o sexo do bebê e ainda por cima saber que está tudo bem, tudo indo perfeito. Dá um alívio....
 
Quando a médica nos deixou sozinhos, o Amaral veio beijar a barriga e eu desandei no choro. Um choro de alívio, de alegria. Saímos da sala do exame ligando pra todo mundo contando a novidade. Tudo era alegria...
 
Angústia tirada do peito, a primeira coisa a fazer era entrar numa loja e comprar uma roupa bem linda.
 
Todo mundo dizia que se fosse menina iam encher de roupinha rosa, mas eu não sou muito adepta do “tudo rosa”. Sempre sonhei que se tivesse uma menina, ia usar um vestido azul marinho e sapatinho vermelho, e assim foi. Nem olhei as roupas cor de rosa, fui direto realizar o meu sonho e assim fiz. Escolhi o vestido e o Amaral o sapato e assim estava feita a primeira compra da nossa Lívia (em outro post conto sobre a escolha do nome).
 
O detalhe é que eu fiz as compras chorando... Tinha uma senhora na loja que me olhava o tempo todo, acho que tava apavorada com minha reação, mas eu ria e chorava ao mesmo tempo, parecia uma doida. Era tanta emoção que não cabia dentro de mim.
Olha que amor a roupitcha da moça
Eu tinha certeza que assim que descobríssemos o sexo, os presentes iam borbulhar, e não foi diferente. Meus pais chegaram lá em casa de noite cheios de presentes: cobertor, roupinhas, toquinhas, sapatinhos... um monte de coisas. Aí depois chegou minha irmã e meu cunhado (que serão dindos) com mais um monte de presentes: ursinho, bodys, tênis... nossa, tantos presentes que não cabiam em cima do sofá.
Presentes da dona Lívia
 
Ganhamos também um presente especial, o Cícero, irmão do meu cunhado, aquele que tem síndrome de down,  já falei dele aqui, aqui e aqui, fez pra gente um desenho que conforme ele era “a Deici, o Malal e a Lifa” (a Grayce, o Amaral e a Lívia) e ele escreveu “Você Amo”. Coisa mais querida. Tá guardadinho junto com as roupinhas da “Lifa”.

Minha família ficou enlouquecida, comprando presentes e já programando o que ainda vão comprar. Posso imaginar o que vem pela frente... Coisa boa saber que todo mundo esta bem feliz. Eu não tinha preferência por sexo, mas no fundo, sabia que era uma menina, assim como a maioria das pessoas também achava. Só não afirmava antes para caso viesse um menino, não queria criar expectativas.

Como sempre gravo as ecografias, fiz um apanhado do melhores momentos da Lívia com 17 semanas.
 

 
No dia seguinte, fui arrumar e guardar todos os presentes, e peguei as coisinhas do João Pedro pra organizar e ver o que poderá ser aproveitado. Nossa, que sentimento estranho que me deu. Tive a sensação de estar “substituindo” ele por ela enquanto separava as roupinhas. Isso foi horrível pra mim, cai no choro e só o que pude fazer foi rezar por ele, e dizer que ninguém nunca vai tomar o seu lugar. Mesmo com a alegria pela chegada da Lívia, existe um vazio pela ausência do João Pedro, e isso é muito conflitante dentro de mim. Logo fará dois anos que tudo aconteceu, e isso está mexendo com meus sentimentos... Vou tentar não remexer nesse assunto agora e aproveitar o momento de felicidade que estamos vivendo.