segunda-feira, 9 de julho de 2012

O que nos impede???


Oi amigas... e amigos também, porquê sei que tem alguns meninos que também leem o blog de vez em quando...

Esse ano a coisa tá maluca na minha vida profissional. O trabalho não dá trégua e por conta disso, não sobra muito tempo pra me dedicar ao blog, porque quando não estou trabalhando, estou podre de cansada. Mas até que é bom, pelo menos ocupo a mente.

Hoje, mesmo podre de cansada vim aqui pra escrever um pouquinho. Num outro post comentei que eu e o Amaral fizemos o exame de cariótipo, pra tirar o fantasma do “fator genético” da nossa cabeça. Pois bem, depois de 40 dias, saiu finalmente o resultado e graças a Deus deu tudo normal. Tanto o meu quanto o do Amaral, não apresentou nada de anomalia.

Ufa... que alívio saber disso, mas confesso que fiquei muito apreensiva quando abri o resultado na internet. Antes de ler, fiz uma oração e pedi que Deus me desse coragem pra enfrentar qualquer que fosse o resultado.

Pronto, o teste foi feito, já sabemos que não temos nenhum problema genético que possa ser passado aos nossos filhos. Então porque a HDC surgiu na nossa vida???? Está mais do que confirmado que essa pergunta não tem uma resposta, assim como não há resposta definitiva sobre ser genético ou congênito. A única certeza que temos, é de que não somos nós que decidimos como as coisas vão acontecer nas nossas vidas. O certo, é deixar tudo nas mãos de Deus.

E por falar em mãos de Deus... o que nos impede de tentarmos novamente? Estamos bem física e psicologicamente, o fator genético foi afastado, temos bons empregos, plano de saúde (muuuuito importante), temos uma casa que é nossa e principalmente, temos muito amor em nossa relação. O que nos impede? Nada...

Pois é, nada impede, mas também não estamos 100% certos de que é o momento. Acho que o primeiro passo agora vai ser parar pra pensar sobre o assunto. Mas só pensar, porque eu não quero entrar em neuras de planejar tudo nos mínimos detalhes. Aprendi que isso não depende de nós, e o que tiver que ser, será. Então... “deixa acontecer, naturalmente”... (na gosto de pagode, mas lembrei desse hehe)

Mas falando em naturalmente, sábado tive um sonho, daqueles que há muito não aconteciam. Um sonho tão real, tão natural, que me lembro dos mínimos detalhes.

Sonhei que eu e o Amaral chegamos num lugar que eu não conhecia, e numa cantinho, sentada num banco estava uma pessoa, que não observei se era homem ou mulher, e essa pessoa estava com um menino de aproximadamente um aninho no colo. Era a criança dos meus sonhos: ruivinho, olhos azuis e com sardinhas. O cabelinho dele era tão vermelho que parecia até que era pintado. Esse menino olhou pra gente, nós trocamos sorrisos e de repente alguém (que não apareceu no sonho) disse o seguinte: “ele é de vocês, e deverá se chamar Bernardo.”

Nossa... to escrevendo e lembrando da nitidez do sonho, consigo enxergar direitinho o rostinho daquele menino.  E ainda mais esse nome.... era uma das opções de nome quando esperávamos  João Pedro.
Eu e meus sonhos... já tive tantos sonhos que serviram pra mim como um sinal, que acredito que esse possa ser mais um, porém acho tão engraçado, pois tenho a sensação de que nosso próximo bebê será uma menina. Aliás, não só eu, mas tooooodo mundo ao meu redor acha a mesma coisa.

Vamos aguardar e ver o que acontecerá. Só o que eu não gostaria que acontecesse é que as pessoas nos cobrassem e nos pressionassem. Não temos pressa. Já estamos preparados, só não estamos prontos. Então tudo deverá acontecer com naturalidade, sem pressa e principalmente, sem pressão, ok?  #ficaadica hehehe

domingo, 17 de junho de 2012

Sentimento de mãe de anjo


Oi pessoal....

Hoje resolvi escrever sobre um assunto muito vivido por nós, mães de anjos. Será que um dia essa dor vai passar????

Pois é, essa pergunta eu me faço todos os dias e não encontro resposta. Será que passa? Será que só ameniza? Ou será que continuamos sentindo, porém nos acostumamos com ela???

Pois bem, das mães de anjo que tenho contato, eu sou a que já vive esse dilema há mais tempo.  Através do blog e do grupo de HDC no facebook comecei a me relacionar com algumas virtualmente, e muitas vezes me envolvi ao ponto de chorar e sofrer a perda junto com elas.

Hoje, mais vivida e calejada dessa dor, consigo controlar os sentimentos e não sofrer tanto, até mesmo porque não estou mais tão ativa no grupo por conta dos compromissos do dia a dia. Porém tenho visto os comentários, frases e pensamentos que as amigas mães de anjos postam em suas redes sociais e vejo que não fui só eu que pensei assim, mas que todas nós pensamos e desejamos muito ter outro filho.

Lembro que logo que tudo aconteceu, tive que ir ao meu trabalho levar uns documentos e uma (agora ex) colega me perguntou com todas as letras “e tu vai ter coragem de tentar de novo?” Meu Deus, quando ela me perguntou isso tive vontade de metralhar a cara dela. Ora... Que mãe vai desistir do sonho de ter um filho??? Tudo o que eu mais queria era outro bebê, e logo. Não pra substituir o João Pedro, por que isso é impossível, mas sim pra ter um motivo de alegria e acalentar meu coração.

Tanto eu quis, que fiz. Quatro meses depois eu já estava grávida novamente, porém de novo, tivemos uma fatalidade, e desta vez a gestação foi interrompida. Situações diferentes, mas sofrimentos iguais. Por causa disso eu desisti de tentar??? Não, nunca vou desistir, porém preferi me estabilizar emocionalmente e deixar meu corpo se recuperar, para um dia eu estar totalmente bem pra tentar novamente.

Já faz 1 ano e meio que o João Pedro não está mais conosco, e já faz mais de 1 ano que tivemos a segunda fatalidade,  porém ainda não quis tentar novamente, mas o fato de eu não estar tentando, não significa que eu não queira. Quero sim, e quero muito, porém são vários fatores que envolvem um planejamento familiar.

Hoje eu me sinto totalmente recuperada e preparada para uma nova tentativa, mas isso também não quer dizer que eu não sofra mais e não sinta falta de ter um filho. Respondendo às perguntas que iniciaram este post, tem resposta pra todas: tem dias que sofro, que dói de mais, que a falta que meu filho faz causa um buraco sem tamanho no meu peito, mas confesso que com o passar dos dias, esse sentimento tem se dissipado, foi amenizando até que acostumou. Essa dor que eu vivi, me tornou uma pessoa forte, que as vezes até me confundo se estou mais forte, ou se me tornei insensível. Assisti ao filme “As mães de Chico Xavier” e não derramei uma lágrima. Se tivesse assistido logo no início, ou até mesmo antes de tudo acontecer, certamente teria me acabado de tanto chorar, e como já sabia disso, esperei o momento certo. Sempre fui muito chorona, mas agora, não é qualquer coisa que me faz chorar.

Mas uma coisa que me chateia e me faz chorar é não ser considerada mãe. Vivi uma situação assim no dia das mães, que acredito, que chorei mais de decepção do que qualquer outra coisa. Não fui considerada mãe, pelo simples fato de eu não estar com meu filho nos braços, pelo fato de meu nome não constar em uma lista de pessoas com dependentes. Me perguntei: “se minha mãe morrer eu vou deixar de ser filha?” Não.... então não é porque meu filho morreu que eu deixei de ser mãe. 

Nessa mesma ocasião, ouvi de uma pessoa que “tentou” (só tentou, por que não conseguiu) me agradar o seguinte comentário: “tu FOI mãe”. Não... eu não FUI mãe, eu SOU mãe. Não é porque meu filho não vive comigo que eu deixei de ser mãe dele. 

Então amigas, se vocês compartilham desse sentimento, saibam que não estão sozinhas. Bem provável que todas nós vivemos isso. Àquelas que se perguntam se isso um dia vai passar, eu relato a minha experiência: Passar não passa, mas a gente aprende a lidar com a situação. Depende só da gente ter força e coragem para encarar. E àquelas que, assim como eu, desejam tentar novamente, eu recomendo que não se preocupem com o tempo, em tentar o mais rápido possível. Se preocupem em estarem bem, fortes e preparadas para receber um novo anjo em suas vidas, pois a criança que vir, precisa ser recebida em um lar saudável e ter todas as atenções voltadas a si, e para isso, nós mamães precisamos estar com o corpo e a mente sãs. Deus sabe o tempo certo de cada uma de nós, e se ele ainda não mandou um bebê a quem está tentando, é porque certamente ainda não é o melhor momento. 

Faça acontecer esse melhor momento!

Aproveitando o post de hoje, reafirmo alguns pensamentos:
  • Não é porque meu filho morreu que eu deixei de ser mãe.
  • Não é porque eu não esteja tentando, que eu não queira.
  • Não é porque eu vivo sorrindo, que eu deixei de sentir falta dele.
  • Não é porque eu choro de vez em quando, que eu esteja sofrendo.
  • Não é porque não tenho mais fisicamente o meu filho, que preciso ser infeliz!

Boa noite e boa semana a todos!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

De volta ao blog:: Genético x Congênito


Ahhhh escrever... que saudade que eu tava de escrever pro blog... Já faz um bom tempo que eu não escrevia pro blog, não por vontade própria, mas por falta de tempo. Claro que eu tinha sim uns momentinhos de descanso, mas nesses momentos eu estava sempre tão cansada que a última coisa que queria ver na frente era um computador.

Me envolvi num projeto muito importante no trabalho e isso tomou toda a minha atenção. Tomei essa oportunidade que me deram como um desafio, um desafio que atestaria de vez se eu realmente tinha ativado 100% meu lado profissional. E para minha grata surpresa, esse meu lado voltou com muita força e muito melhor do que era antes. Estar conduzindo esse projeto foi uma forma de me reafirmar, depois que tudo que eu passei, que sou sim capaz de me refazer em todos os pontos da minha vida. Fiquei muito feliz com isso.

Entreguei esse projeto esta semana e com isso ganhei uns dias de folga, coisa boa, porque ta um frio terrível pra levantar cedo e ir trabalhar hehe. Bem provável que logo cairei de cabeça em outro, mas enquanto isso, aproveito pra fazer aquilo que eu estava sentindo a maior falta, que era escrever pro blog e me atualizar com as postagem do grupo de HérniaDiafragmática Congênita que participo no facebook.

Essa semana saiu uma polêmica no nosso grupo que foi se HDC é ou não derivada de fator genético. Nossa, isso deu tanta discução, que teve gente que não entendeu a idéia e acabou se revoltando.
Primeiro que a idéia deste grupo é ajudar as famílias atingidas por este problema, além trocar idéias e informações que possam ser úteis tanto a quem tem seus querubins sobreviventes, quanto às mamães de anjos. Toda a discução surgiu porque no site da revista Pais&Filhos, onde saiu a minha reportagem sobre o João Pedro e a HDC  (falei sobre essa reportagem aqui), uma mamãe postou o seguinte:



Só que ela postou isso em janeiro, e só agora eu fui ver. Então comentei com a Débie (veja o blog dela aqui), que está tomando a frente no grupo para que ela divulgasse isso lá como forma de alerta a todas que desejam tentar novamente.

Confesso que fiquei surpresa com o que essa mãe escreveu, nunca tinha ouvido falar de repetir esse problema em irmãos e isso me preocupou. Tudo que recebi de informações dos médicos a respeito do assunto, é que não há comprovação de HDC ser genético, mas pelo visto também não há comprovação de que não possa ser. O que meu médico me deixou claro, foi que existem problemas genéticos que contribuem para a formação da HDC, mas que ela acontecendo sozinha, sem incidência de outra má formação, não caracteriza ser genético. É meio confuso, eu sei, mas da forma que o médico me explicou eu entendi o que ele quis dizer. Nossa amiga Ana Cleice, que também participa do grupo e também tem um blog contando como sua filhota luta com essa problema até hoje (conheça o blog dela aqui), nos deu uma definição que achei bem fácil de entender:



Enfim, HDC continua sendo um mistério. E enquanto isso, ela continua assombrando as famílias e levando o bem mais precioso dos pais.

Eu e o Amaral pensamos sim em retomar a tentativa de ter filhos e há algum tempo viemos conversando sobre isso. Não temos época prevista pra tentar, mas quando isso for acontecer, quero estar cercada de todas as informações, por isso (antes mesmo de toda essa polêmica), consultamos uma geneticista pra esclarecer algumas coisas. Só o fato de termos tido um bebê com HDC e mais uma gestação interrompida, nos coloca em situação de realização do exame de cariótipo. Esse exame visa analisar a quantidade e a estrutura dos cromossomos em uma célula. Nossas células são normalmente formadas por 23 pares de cromossomos (portanto 46 cromossomos). Um cromossomo é uma longa seqüência de DNA, que contém vários genes, com informações sobre as funções específicas nas células dos seres vivos. No caso de mães que tiveram bebês com HDC, acho importantíssima a realização deste exame, pois em relação à esta doença, a única certeza é a incerteza. 

Tá, mas aí me pergunto: esse exame detecta todos os tipos de doenças genéticas? Encontrei uma definição simples, que me foi muito esclarecedora:

“Não, o cariótipo analisa apenas os cromossomos. As doenças que estão localizadas nos genes fetais ou pequenos rearranjos e deleções não podem ser identificados no cariótipo. Para ficar um pouco mais fácil de entender vamos fazer uma comparação: imagine que nosso material genético é uma biblioteca, onde existem diversos livros (os cromossomos) e dentro destes livros nós temos os capítulos (que seriam as bandas dos cromossomos) e dentro dos capítulos nós temos o texto, que é formado por um conjunto de palavras (que seriam os genes). O exame do cariótipo irá contar o número de livros e verificar ainda o número e ordem dos capítulos. Portanto se estiver faltando um livro ou se houver uma alteração na ordem dos capítulos poderemos saber pelo cariótipo. Entretanto o cariótipo não irá fazer uma análise de todas as palavras e portanto se houver uma palavra faltando ou escrita errada isto não será visto pelo cariótipo”. Fonte: http://www.fetalmed.net/item/cariotipo.html
 
Ou seja, mesmo investigando tudo que está no nosso alcance, ainda há uma possibilidade de não aparecer num exame. É aí que, na minha opinião, entra o fator Deus. Se fizermos de tudo o possível, darmos todas as condições e tivermos todos os exames favoráveis, e ainda assim acontecer um problema, É POR QUE TINHA QUE ACONTECER. Pela minha crença isso é muito simples de entender, mas.... quem é que aceita isso tão fácil? Mesmo estando ciente que tudo é possível, não é tão simples assim aceitar os fatos.

Fizemos o exame e  resultado sai só em julho. Só agora me senti preparada pra fazer esse exame, pois o resultado dele pode mudar a direção das minhas escolhas. O meio que vamos usar para termos filhos é indiferente em relação ao tamanho da nossa vontade.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O que não dizer a quem perde um bebê

Semana passada saiu no site da revista Pais & Filhos uma reportagem sobre “Como ajudar um casal que acabou de perder um bebê?”
(http://revistapaisefilhos.com.br/so-no-site/paola-di-cola/como-ajudar-um-casal-que-acabou-de-perder-um-bebe). Li e recomendei o link pelo facebook, pois achei a reportagem muito interessante. 

Vi que a autora da reportagem também tem um blog, e resolvi visitar. No blog dela, a reportagem era mais completa e mais interessante ainda.  
(http://gentedefamilia.blogspot.com.br/2012/03/como-ajudar-um-casal-que-acabou-de.html).  Recomendo a todos...

Vi naquele texto muitas coisas que aconteceram comigo, muitas coisas que me disseram e que eu odiei, que me deixaram mal, e principalmente, que me fizeram sofrer. Ainda hoje algumas pessoas me dizem coisas meio (totalmente) sem noção, mas como já estou mais forte, quase sempre consigo driblar a raiva que sinto na hora. Outras vezes percebo que as pessoas evitam tocar no assunto, só que muitas vezes tratam como se nada tivesse acontecido, principalmente como se meu filho nem tivesse existido. Diante disso resolvi escrever um post com a minha opinião sobre  “o que não dizer a um casal que perdeu um bebê”
1)      Tu quem que ser forte
Quando se vai a um velório (aí não precisa nem ser só de filho), não vai adiantar nada dizer à pessoa que está sofrendo que ela tem que ser forte. Numa hora dessas a melhor coisa é não dizer nada. Não há nada que seja dito que vai amenizar a dor da perda de quem se ama. Dizer isso dá a sensação de cobrança, de que não se pode desmoronar. Alguém consegue não desmoronar diante da morte de um filho???
2)      Tu precisa descansar
Ainda falando na ocasião do velório... O que eu mais queria era poder ficar o maior tempo possível ao lado do meu filho, mas tinham várias pessoas que insistiam em me mandar deitar e descansar. Dane-se o cansaço. Pais que perdem filhos não estão preocupados se estão cansados ou não, na verdade, diante de toda a situação o nosso maior desejo e morrer, então estar cansado não é nada. Qualquer tempo que se passe junto do filhos, mesmo nesta ocasião, é um tempo ganho. Então não diga à pais que enterrarão seu filho em algumas horas que eles precisam descansar.
3)      Logo vocês terão outro
Com certeza o que mais esses pais desejam é ter outro filho (ou outros), mas jamais  um outro filho substituirá um que os deixou. As vezes as pessoas pensam que se eu tiver outro filho, vou esquecer tudo que aconteceu e viverei normalmente dalí em diante. Acredito sim que um outro filho trará alegrias, mas nunca apagará todo o que se passou.
4)      Mas do que teu filho morreu?
É natural que as pessoas perguntem sobre o bebê, afinal, viram a mulher grávida e de repente não vêem mais a barriga. Aí surge aquela perguntinha “e o bebê, como está?”. Já é difícil pros pais responderem essa pergunta, e se ela vier seguida de um “porque?” pior ainda. Numa situação dessas, o melhor a fazer é se desculpar, dizer que sente muito (se realmente sente) ou até mesmo não dizer nada. A curiosidade é intrínseca ao ser humano, mas numa hora dessas, ela deve ser engolida.
O mesmo acontece no caso de perda do bebê na gestação. Não queira saber o por quê. 
5)      Melhor assim, no início
Quando a perda acontece na gestação, muitas pessoas acham “melhor” perder no início do que no fim. Em hipótese alguma existe um “melhor” nessa situação. A perda é dolorida independente de quando tenha sido. Outra coisa comum de dizerem é, no caso de morte de um bebê nascido “pensa bem, melhor assim, que vocês não tiveram tempo de conviver”. Melhor???? Não existe um época “melhor” para perder um filho.
6)      Melhor assim, talvez nascesse uma criança com problema
Não há compensação para isso. Independente de se ter um filho com problema ou não, é filho. Ou será que porque “seria” uma criança com problema, pode morrer que ninguém vai sentir?
7)      Porque vocês não adotam?
O meio como um casal resolve ter um filho não importa, mas quando recentemente houve a perda, tanto de um bebê nascido quanto na gestação, sugerir adoção é o mesmo que disparar um certificado de “incapacidade”. Quem está sofrendo a dor da perda, ouve isso como um “já que tu NÃO CONSEGUE ter filhos mesmo, adota, assim resolve”. Nada contra adoção, muito pelo contrário, sou completamente favorável e adepta, porém nesta ocasião, acho desnecessário esse tipo de comentário.   
8)      Será que é a “mistura” de vocês que não dá certo?
Se um casal tentou ter um filho de forma natural, significa que eles não sabem se a “mistura” dá certo ou não. Esse tipo de pergunta sugere a insinuação de que um dos dois é o “culpado” pela gestação não ir adiante ou pelo bebê ter nascido com algum problema.
9)      Alguém na tua família já perdeu também?
Isso também é uma insinuação de “culpa”. Como se dissessem “vai investigar se tua família não tem problema e passou pra ti”.
10)   Quando vocês vão tentar de novo?
Natural as pessoas quererem saber se o casal está tentando ou, pelo menos, pensando em tentar novamente, porém dependendo de como a pergunta é feita, pode soar como uma pressão, e ninguém gosta de ser pressionado, principalmente se a perda é recente.

Estas são as coisas que eu mais ouvi, e ainda ouço. Mas tem muito mais situações de coisas que foram ditas que me machucaram, doeram e ficaram entaladas.

A morte de uma criança não é uma coisa comum, pelo menos não habitual, e isso faz com que as pessoas tenham curiosidade. As pessoas são atraídas e se interessam por aquilo que causa dor no outro e a mídia está aí pra incentivar, afinal, só se vê tragédia nos noticiários de TV.

Quando as pessoas falam esse tipo de coisa, na maioria da vezes estão falando com a melhor das intenções, porem há formas e FORMAS de falar, sugerir e questionar alguma coisa. Só que numa situação dessas, a pessoa que está sofrendo a perda não tem capacidade de entender a “boa intenção” do outro e acaba sofrendo. Então, com intenção de “ajudar”, tem gente que acaba piorando as coisas.

Como eu comentei no início, resolvi dar a MINHA opinião sobre isso, ou seja, dar a minha versão de interpretação dos fatos. Mas conversando com algumas pessoas em mesma situação, percebi que muitas relatam a mesma percepção. Então, se você que leu este post, algum dia se deparar com algum casal que perdeu um filho, cuide para que na sua boa intenção, de prestar solidariedade, não acabe causando uma dor maior ainda em quem já tem motivos suficientes pra sofrer.

Num próximo post conto algumas coisas absurdas que me falaram nestes últimos 15 meses.

Abraço a todos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Um down em minha vida

O assunto que vou abordar hoje é uma assunto muito ESPECIAL: Síndrome de Down.

Nunca fui uma pessoa preconceituosa e desde que me conheço por gente, lembro de ter uma simpatia pelos downs, mas até então não conhecia nenhum. Até que minha irmã arrumou um namorado que tem um irmão com síndrome de down. Eu já conhecia o namorado da minha irmã, tinha estudado com ele no ensino médio, mas não conhecia sua família, então resolveram fazer um churrasco pra apresentar as famílias. E lá fui eu como “irmã da namorada” conhecer os “pais e irmãos do namorado”.  A grande expectativa da noite era conhecer o Cícero, que já tinham me dito que “era uma parada”.

Chegamos na casa do meu cunhado e o Cí foi nos receber no portão. Cumprimentou os homens com um abraço e as mulheres com um beijinho na mão. Uma educação que não se vê em muitas crianças. Ele não é mais criança, já tem 16 anos, mas é inocente e puro como uma criança. Simplesmente me apaixonei por ele. A noite foi muito agradável  no dia seguinte estava contando a um amigo como tinha sido e eis que ele me pergunta “o irmão do teu cunhado tem down e mesmo assim tua irmã vai ficar com ele? Se eles casarem, como vai ser os filhos?” Noooossa, fiquei tão braba com aquele comentário que até acho que me exaltei. A ignorância das pessoas é algo impressionante. Se ainda fosse uma pessoa sem instrução, até era aceitável, mas nos dias de hoje alguém não saber que a síndrome de down não é hereditária.... ah por favor. E mesmo que fosse, isso não era motivo pra não manter um relacionamento. Naquele momento defendi o Cícero como se ele fosse meu e fiquei louca com a forma como esse meu amigo se referiu mesmo sem o conhecer.

Bom, no dia que conheci o Cícero me encantei por ele a ponto de sentir saudade quando ficava tempos sem ver. Começamos a nos ver com mais freqüência, a estar mais próximos e não só a mim, mas a toda a minha família o Cícero se tornou mais do que especial. Meus pais são loucos por ele, principalmente meu pai, que visivelmente mudou seu jeito e sua maneira de pensar depois que passou a conviver com o Cí.

Só quem conhece esse anjo sabe o quanto ele é especial, o quanto ele é puro e como ele ama... Nossa... quando ele diz que ama, é porque ama mesmo, não é fingimento, os downs amam com facilidade e se apegam as pessoas. No final do ano passado passamos um dia inteiro juntos, contei sobre este dia aqui.Depois, fomos pra praia em vários finais de semana e aprontamos várias....  No carnaval foi o auge.... Conheci a Bárbara, amiga do Cícero que também que down. Contei sobre este dia aqui também.

Conviver com o Cícero mudou a minha vida: aprendi a falar e entender o downês, (o Cí tem dificuldade em pronunciar algumas palavras), pude viver o amor puro, aquele que não cobra nada em troca, aprendi que ser diferente é normal, e principalmente, aprendi que quem cria a diferença somos nós, os ditos normais. O Cícero é criado e educado como uma pessoa sem necessidades especiais, e isso faz toda a diferença. Ninguém fica com peninha dele, ninguém trata ele diferente, não deixam ele fazer tudo que quer e não é mimado. Ele é sim bajulado por todos que o conhecem, mas tudo dentro do limite. Ele estuda na escola regular e isso pra ele é ótimo, pois realmente a inclusão acontece e ele participa de todas as atividades com os colegas normalmente.

Enfim, queria deixar uma mensagem no dia de hoje, 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Donw, e dizer a todos que ainda olham com diferença, que o maior problema da síndrome de down é o PRECONCEITO. 

Minha amiga Viviane publicou em seu face um texto que achei perfeito ara a ocasião: 
" O maior defeito que podemos enxergar em um alguém, que não tem, é uma falta de amor que não se sente.
Não se sente, por qualquer um que de nós, que são apenas diferentes.
Com um amor incondicional, não pode existir alguém que não mereça ser amado.
Descobrimos finalmente, que o anormal são os nossos sentimentos sempre condicionados.
Passando toda uma vida, em uma busca feia e egoista.
Querendo sempre, um alguém que julgamos ser perfeitos...
Para que possa, finalmente, ser por nós amado
Para que possa, finalmente, ser por anós amados.”

Na praia, Eu, minha irmã Glaucia, o Cícero, Minha amiga-irmã Viviane e minha mãe Elaine

Lembrei do Cí quando estava em Bento semana passada