segunda-feira, 19 de março de 2012

Um findi mais que perfeito

Bom, como eu havia comentado, o Amaral trocou de emprego recentemente e por isso não conseguimos tirar férias juntos, portanto, pra fazer qualquer passeio, só no final de semana mesmo. Aproveitamos esse findi pra fazer várias coisas que ha tempos estávamos querendo.

Como somos amantes da serra, reservamos uma pousada no interior de Bento Gonçalves e na sexta de noite nos bandiamos pra lá. A pousada é linda... Na verdade é um vinícola construída como um castelo de pedra e tem várias coisas pra fazer. O caminho até lá é deslumbrante: paredões de pedra em estrada sinuosa e íngreme, fiquei muito tensa enquanto estávamos indo, pois não gosto de viajar a noite, ainda mais em lugar com lomba e curvas, mas foi só chegar que relaxei... Já chegamos tarde, então só poderíamos aproveitar no sábado.

No sábado acordamos cedo, tomamos nosso café e pedimos água pro chimarrão (não podia faltar). Não sei como eu fui patetiar, mas me perdi total na hora de arrumar as malas. Esqueci que na serra a temperatura é mais baixa, ainda mais no meio do mato perto de uma cachoeira.... Levei só roupa de verão e na minha idéia, nem íamos sair da pousada, íamos ficar curtindo a piscina e apreciando a bela paisagem. Mas só doido pra entrar na piscina com o friozinho que tava, então acabamos curtindo a infra estrutura da pousada, apreciando a beleza do lugar e resolvemos ir para a cidade para almoçar.

Em 24 de fevereiro, eu e o Amaral fizemos 6 anos de casados (no civil), tínhamos programado de ir à Veranópolis jantar num restaurante giratório que tem lá, mas nosso carro nos deixou na mão e não pudemos ir. Eu nem me lembrava que estávamos perto, aí o Amaral deu a idéia de aproveitarmos a subida a serra e conhecer o tal restaurante. Perfeito, rapidinho chegamos lá e pudemos saborear uma comida típica italiana maravilhosa além de curtir a cidade, já que o restaurante é num mirante de 80 metros de altura e em duas horas e faz um giro completo, então a cada momento tínhamos uma vista diferente. Simplesmente MARAVILHOSO.... Recomendo a todos (http://www.mirantedaserra.tur.br/)

Passeamos um pouco por Veranópolis, fomos conhecer o Estádio Antônio Davi Farina, onde o meu time deu um baile no Veranópolis no dia seguinte hehehe e no retorno, à tardinha vimos parando no caminho para curtir a paisagem, depois passeamos no centro de Bento, visitamos a igreja de Santo Antônio (não poderia faltar), tomamos um sorvete, fomos na vinícola Aurora reabastecer meu estoque de vinhos hehehe e voltamos pra pousada. No domingo, acordamos cedo, tomamos nosso café, arrumamos as malas e fomos para Garibaldi, onde visitamos minha grande amiga Débie.

Na pousada Fornasier

Mirante Cascata dos Amores (na pousada)       

Entrada de Veranópolis
 
        
No resturante giratório

Entrada de Garibaldi
                       
Conheci a Débie quando eu e o Amaral formos visitar a UTI Neonatal do hospital Moinhos de Vento, a fim de preparar tudo pro dia do nascimento do João Pedro, e a Débie e o Rafa estavam lá com a Cecília, que também nasceu com Hérnia Diafragmática Congênita e estava internada se recuperando das cirurgias. Naquele dia fomos apresentadas e nós quatro fomos direcionados pra uma salinha onde conversamos muito a respeito do problema e eles nos passaram como estava sendo a experiência em lidar com tudo isso. Aquilo foi tão importante pra nós, pois estávamos perdidos, e ter com que conversar foi um alento pra gente. Só que nosso contato não acabou naquele dia. Tudo que aconteceu depois todo mundo já sabe e acompanhar a evolução da Cecília, pra mim era uma alegria. A Débie é a maior lutadora pela causa da HDC e ela mantém um blog com o intuito de divulgar a doença a ajudar os pais que passam por esse tormento (http://ceciliabatatinha.blogspot.com/)

Enfim, eu e a Débie mantivemos contato freqüente, e passamos a conversar sobre tudo, não só sobre HDC. Nos tornamos amigas virtuais e encontramos tantas afinidades que a distância entre nós parecia nem existir. Estávamos combinando uma visita há tempos, mas nunca dava certo, só que dessa vez, aconteceu. Chegamos no centro de Garibaldi, pegamos a Débie e a Cecília e fomos em direção ao sítio dos pais do Rafa onde ele já estava preparando o churrasco.

Nossa, eu e a Débie tínhamos nos visto apenas 3 vezes, mas parecia que éramos amigas de infância de tanta afinidade. Lá no sitio estavam os pais do Rafa  e a família da Débie (mãe, namorado da mãe, irmã, irmão, cunhada e sogra do irmão), e todos eram como se fossem amigos nossos, pois eu já conhecia todos eles em função dos blogs. Fomos tão bem recebidos, nos sentimos tão a vontade, que eu estava me sentindo em família. Fiquei tão a vontade que uma hora me sentei no chão e fiquei descalça (só faço isso em casa hehehe). O Amaral e o Rafa que tinham se visto apenas duas vezes, se entrosaram fácil fácil. O Amaral que é todo tímido, não estava nem aí, parecia que estava em casa....

Ver a Cecília tão bem me deixou tão feliz que eu não cabia dentro de mim. Estar ali diante daquela criança que representa um milagre, era uma coisa inexplicável. A C é uma criança encantadora, estava solta, brincando e correndo por tudo. Dava uma vontade de apertar aquelas bochechas....

[Uma vez uma pessoa me perguntou se eu não ficava triste de ver que deu certo com outras crianças e com meu filho não (não sei como alguém pode pensar assim). Lógico que não. Não é porque não deu certo com a gente que eu vou querer que dê errado pra todo mundo. Deus me livre, mas o sofrimento que eu passei com a morte do meu filho eu não desejo pra ninguém. Além do mais, quem disse que não deu certo pra gente???? Esse era o “certo” de Deus, e se foi feita a Sua vontade, então deu certo sim.]

Comemos um belo churrasco feito pelo Rafa e depois fomos caminhar pra conhecer o sítio, tudo tão natural, tão entre amigos, eu estava me sentindo tão bem que não queria mais ir embora. Conversamos muito, rimos de montão, falamos sobre várias coisas, combinamos novas visitas e passeios mas a hora de ir embora estava chegando, afinal, só eu estou de férias...

Quando entramos no carro nem saímos do sítio e eu olhei pro Amaral e falei “Tem mesmo que ir embora? Tá tão bom...” O fim de semana estava tão perfeito que eu não queria que acabasse nunca. Com certeza vão ficar muitas lembranças desses dias e certamente essa visita à Débie e ao Rafa reforçou mais ainda o laço que criamos naquela dia 17/11/10 quando nos conhecemos. Contei sobre esse dia no blog do JP e aqui.

Rafa, Débie, C, Eu e o Amaral

Rafa, C e Amaral indo se aventurar no sítio


Fechando nosso final de semana mais que perfeito, já em casa, nos encontramos e saímos pra um lanche com nossos amigos-irmãos-compadres-vizinhos Vivi e Eder que estavam de férias em SC. Programamos nossas férias juntos para viajarmos, mas... não deu e tivemos que fazer férias individuais.

Enfim, nosso findi foi muito mega maravilhoso. Estar com quem a gente gosta, num lugar que a gente gosta faz a gente se sentir muito mais feliz, faz a gente esquecer todos problemas da vida. Afinal, problemas? Quem não tem? Está nas nossas mãos fazer eles parecerem menores.

Beijos, e uma linda semana a todos

segunda-feira, 12 de março de 2012

Enfim, férias...

Muitas pessoas devem pensar “nossa, mas ela ficou um ano sem trabalhar e já ta cansada”. Bom, cansada é apelido.

Quando engravidei do João Pedro, tive vários problemas na gestação e precisei ficar praticamente a gravidez inteira em repouso e afastada do trabalho. Aí depois ele nasceu, aconteceu tudo que todos já sabem e mesmo assim  eu tinha direito à licença maternidade. Mas de qualquer forma, se não tivesse direito à licença, eu não teria a mínima condição de retornar ao trabalho, tal era a depressão em que fiquei.

Em resumo, me afastei do trabalho em maio de 2010 e retornei em maio de 2011. Achei que seria dispensada, mas para minha surpresa, meu gerente resolveu apostar em mim. Ele foi muito sincero e disse que se não me conhecesse, teria sim me dispensado, mas como conhecia meu trabalho, resolveu apostar e me dar a chance de recuperar o temo em que fiquei longe do meu lado profissional.

Quando retornei, meu gerente eu meus colegas foram fundamentais, todos, sem exceção me apoiaram de uma forma que nem eu esperava. A recepção que tive no retorno ao trabalho foi o que me deu a certeza de que eu precisava voltar a ser a profissional de antes, porém com muito mais bagagem e maturidade pessoal.

Tudo aconteceu gradativamente. Fui recebendo responsabilidades aos poucos, me interando da nova realidade da empresa até que pude assumir sozinha a responsabilidade de tocar um projeto importante. Nossa, pra mim isso foi tudo. Além de sentir  confiança que foi depositada em mim, pude voltar a toda e praticar o meu lado líder de novo.

Parte desse projeto encerrou no início deste mês, e me senti muito lisonjeada quando recebi os elogios pelo trabalho. Eu tinha certeza da minha capacidade, mas receber a confiança dos meus superiores mesmo depois de todo que aconteceu, foi maravilhoso para o meu crescimento profissional e também pessoal. Sou muito grata ao meu gerente, à empresa e aos meus colegas por terem confiado em mim. Diante disso, o mínimo que podia fazer era corresponder às expectativas de todos, e acredito que retribui o que esperavam de mim. Assim, me senti útil, capaz e tive a certeza de que posso muito mais e estou pronta e apta par qualquer desafio. 

Mas enfim, depois desse período de muita correria no trabalho, estou merecidamente de férias. Infelizmente não vou poder viajar, pois o Amaral trocou de emprego recentemente e não poderá tirar férias, então minhas férias vão ser pra descansar mesmo. Vou aproveitar pra cuidar da minha saúde e fazer um checkup, vou cuidar dos detalhes da minha casa, decoração, arrumação... Vou aproveitar para visitar as amigas, pra tomar chimarrão no meio da tarde, para ler livros, fazer artesanato. Vou literalmente tirar 15 dias de férias pra ficar comigo mesma.

Legalmente minhas férias iniciam hoje, dia 12 de março, mas ontem eu já me sentia de férias. Afinal, no domingo eu já começo a pensar no trabalho quando tenho que me organizar e voltar cedo pra casa pois no outro dia é dia de “são pega”, mas ontem não foi assim. Iniciamos o dia com um churrasco aqui em casa, onde em princípio viriam só as minhas cunhadas, mas por fim, veio uma cambada, aí aproveitamos pra fazer o batizado da Rosa. As pessoas riem de mim quando falo em batizado de cachorro. É claro que não é um batizado de verdade, tudo é pela alegria das crianças (nossos afilhados), e como fizemos batizado do Tião em 2009, tinha que ter pra Rosa também. Era uma cachorrada aqui em casa... Fizemos o batizado da Rosa e da Estrela (que é irmã a Rosa e fica na casa da minha amiga). A criançada estava enlouquecida com toda a farra. As cachorrinhas estavam de vestido e topes na cabeça e o “padre” (mais pra a do que pra cá) usava um galho de limoeiro pra fazer o batizado. Que divertimento. Rimos muito e as crianças estavam realizadas.

Depois do batizado, todo mundo foi lá pra casa dos meus pais e fizemos da piscina uma balneário. Meu Deus, era uma bagunça, devia ter umas 20 pessoas na piscina, mas só assim pra agüentar o calorão. Ficamos até tarde na água até que tivemos que vir pra casa, afinal, só eu estou de férias, o resto, todo mundo tinha que trabalhar. Chegando em casa, o Amaral foi pro banho e eu fui pra área dos fundos ficar apreciando a lua que estava maravilhosa. Estava ali sozinha, debruçada na sacada apreciando aquela linda cena de enorme lua cheia, e óbvio, pensando nele (já falei tantas vezes da lua cheia no blog que acho que nem preciso fazer o link). Aquele pra mim era meu momento de conexão com meu anjinho. De repente, uma borboletinha branca vem batendo suas asinhas, literalmente “borboletiando” pro meu lado e ficou pra lá e pra cá na minha volta, perto do meu rosto. Aquilo me deu uma paz.... nem preciso dizer o que eu senti né????

Enfim... minhas férias mal começaram, mas começaram tão bem, com momentos de alegria e emoções, tudo no mesmo dia... Tomara ser assim todos os próximos dias.

Um beijo a todos... vou lá curtir minhas férias.....

Segue algumas fotinhos desse maravilhoso dia que tive:

 
O batizado da Rosa

Nossos cumpadres

Camila e Kauã, os dindos da Rosa

O batizado da Estrela
(Renan e Amanda foram os dindos)

Eu e meus afilhados na piscina
(Amanda, Camila e Renan)

Era ou não era um balneário
(piscinão de Ramos hehe)



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Hoje chorei de saudade

Hoje eu estava fazendo uma coisa nada comum: assistindo Esquenta da Regina Casé e ouvindo pagode e funk. Por favor.... tudo que eu detesto (Regina Casé, pagode e funk), mas como não tinha nada melhor na TV, era isso ou nada.
Mesmo sendo um programa que não curto, ainda assim aprendi algumas coisas, e confirmei aquilo que eu já sabia: a gente sempre pode aprender mais.

Estava vendo o filho do gordinho do Exalta Samba cantar (nem sei o nome dele), me emocionei ao ouvir a letra da música e acabei chorando. Toda vez que vejo alguma declaração de amor entre pais e filhos, é impossível não lembrar do João Pedro. Sempre acabo lembrando que ele poderia estar aqui e acabo pensando que ele já podia estar caminhando, falando suas primeiras palavras, fervendo por aí... Impossível não pensar nessas coisas. Chorei de saudade, saudade das coisas que não vivi e que não sei como são de verdade. Esquisito sentir isso.... mas chorei de saudade. Em quanto eu chorava, o Amaral me abraçava e chorava junto. Não era aquele choro desesperador, apenas um choro de saudade, um choro de “não há o que fazer”... Logo nos recompomos e seguimos assistindo TV.

Em seguida apareceu um mulher linda, que eu não sei quem é, mas ela passou poucas e boas depois de sofrer um acidente e ficar 3 anos sem andar. Mesmo assim ela superou todas as dificuldades, teve 5 lindos filhos e hoje esta bem, se recuperando a cada dia do trauma que sofreu há 27 anos. Fiquei impressionada com a força de vontade daquela mulher e me vi nela em alguns momentos, principalmente quando ela começou a narrar a sequencia de fatos de superação: “primeiro eu quis andar, depois eu quis andar direito, depois eu quis andar sem apoio, depois eu quis andar rápido, depois eu quis correr...” e assim por diante.... Me vi nela, com determinação e disposta a superar cada fase difícil e sempre buscar um depois.

Mas o que mais me marcou foi uma frase que ela disse: “A DOR É INEVITÁVEL, MAS O SOFRIMENTO É OPCIONAL”. Nossa... que frase! Acho que até hoje eu não tinha ouvido uma frase tão perfeita que retratasse tudo que aprendi. Isso é a mais pura verdade. 

A dor da saudade eu vou sentir pra sempre, e hoje mesmo me perguntei se isso um dia vai passar (mesmo já sabendo que não passa), mas não posso é me permitir sofrer pra sempre, pois uma pessoa que sofre, não vive, e eu quero viver. Quero viver pra poder usufruir de tudo que me foi destinado, quero aproveitar cada oportunidade da vida e fazer disso a escola da minha evolução. Doer, vai doer, mas com o tempo vou aprendendo a não sofrer mais e a viver somente com as lembranças.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carnaval de muitas emoções

Gente, como tá difícil dar atenção ao blog...

Minha vida de vez voltou ao normal (e isso é muito bom), não tenho mais tempo pra nada.... Tenho tido muito trabalho, estou me envolvendo de cabeça nos meus projetos, à noite tenho participado do grupo de estudos no centro espírita, então 3 vezes por semana vou ao Boa e nos finais de semana aproveito pra fazer as visitinhas aos amigos e à família, ou então ir à praia. Semana passada dei mais um passo à minha vida normal, pedi reingresso na faculdade. Preciso retomar de vez tudo que ficou em standby devido aos últimos acontecimentos.

Para muitos, tudo isso que aconteceu na minha vida pode ser considerado como perda de tempo, mas eu não penso assim. Pra mim foi um ganho. Um ganho de experiência, de aprendizado, de vida. Muitas vezes precisamos cair do cavalo pra poder “ganhar” com os acontecimentos.  

Neste final de semana fui à praia, passar o carnaval entra família e amigos e conversa vai, conversa vem, e lá pelas antas saiu a frase “Deus escreve certo por linhas tortas”, então uma pessoa que estava na mesma casa falou uma frase certeira “Deus escreve certo por linhas certas, nós é que vemos as linhas tortas”. Toma! Levei uma paulada daquelas, que me fez mais uma vez repensar algumas coisas. Não adianta, TUDO está certo da forma que é, e temos é que tentar sempre aprender com as situações.

Outro dia lá no Boa Nova apresentaram uma citação de Kardec: “se reconhece o verdadeiro espírita pelo esforço que ele faz para superar as provas e expiações que a vida lhe apresenta”. Hum? Falou comigo? Pois é, parecia que estavam aprontando pra mim naquele momento.... Esforço.... esse é meu lema. É isso que faço todos os dias ao acordar, e confesso que a cada dia tem sido menos difícil. E quanto menos o esforço é necessário, mais rapidamente minha vida volta ao normal, sem dor e sem sofrimento. Que ótimo, talvez eu esteja ficando pronta para encarar tudo de novo se for preciso. 

Mas bem, iniciei escrevendo com um objetivo e acabei desvirtuando... a escrita fluiu livremente e deixei minhas mãos digitarem o que veio na minha cabeça. Na verdade vim aqui pra comentar sobre meu final de semana de carnaval, que era pra ser uma festa de bagunça mas acabou virando um chororô de pura emoção.

Já contei aqui no blog sobre o Cícero, cunhado da minha irmã que tem síndrome de Down. Pois é, fomos pra casa da sogra da minha irmã nesse carnaval e então a festa era garantida, afinal, com o Cícero junto não há como não fazer uma festa.  Ah alguns dias atrás, meus pais estavam passeando com o Cícero e neste passeio conheceram a Bárbara e sua mãe. A Barbara tem 18 anos e também tem síndrome de down. Uma característica dos Downs é serem muito amorosos, e tanto o Cícero quanto a Bárbara demonstraram todo o seu amor um pelo outro. Não aquele amor que nós, ditos normais conhecemos, amor carnal, de desejo e de paixão. Não, o amor deles é o amor verdadeiro, o amor puro, o mais lindo e sublime jeito de amar. Meus pais acharam que seria legal convidar a Bárbara e sua mãe para irem na nossa festinha de carnaval.  Nós nem estávamos esperando que elas fossem, mas lá pelas tantas, a mãe dela ligou avisando que estavam chegando.

Nossa, que alegria... A felicidade que o Cícero ficou de saber que ela iria na festinha era o máximo. Quando elas chegaram, foi uma festa. A Bárbara foi vestida de princesa e o Cícero estava de Pierrô. Lindos.... Eles dançaram, brincaram, se divertiram e todos nós ficávamos admirados de ver aqueles dois anjos puros ali na nossa frente demonstrando o mais puro amor. Lá pelas tantas, a Bárbara resolveu fazer uma homenagem ao um pai, ela se ajoelhou na frente dele, pegou sua mão e começou a fazer uma declaração. Não entendi tudo que ela disse, mas falava que estava feliz por ter sido convidada pra festinha, que agradecia muito meu pai por ter levado ela até ali, que o amava muito e que ele era sua vida. Nossa, enquanto ela ia falando, ela ia chorando emocionada, e todos nós na volta estávamos nos desmanchando, sem falar no meu pai que desabou. Poucas vezes vi meu pai emocionado daquele jeito.

Presenciar aquela cena foi a coisa mais linda que vivi nesses últimos tempos. Tantas dores e sofrimentos que já passei ficaram pra trás diante dessa mais pura demonstração de amor. Não tinha quem não chorasse, o clima de amor que estava naquela festa era algo mais do que maravilhoso.  Depois a Bárbara e o Cícero resolveram fazer declarações pra todo mundo, e virou seção choradeira.

Depois nascimento do meu filho, não havia ainda sentido tanto amor como senti naquele dia. A Bárbara e o Cí me deram de novo momentos de amor sublime e real e pude novamente sentir o que é o amor de verdade. 

Nossa festa teve muitos outros momentos de emoção, mas eu ficaria dias escrevendo pra contar tudo que esses dois aprontaram. Sei que essas duas pessoinhas especiais deixaram a minha festa de carnaval mais do que especial. Não vou nunca me esquecer as cenas que presenciei. Realmente o AMOR VERDADEIRO existe.

Olhem a latinha desses dois figuras....

Cícero e Bárbara
(que a essas alturas já tinha trocado de princesa para havaiana)

Cícero, Eu, Bárbara e Amaral
(nós de Vilma e Fred Flintstones)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tem "gente" nova no pedaço

No post anterior eu contei da função que foi a tosa do Tião e esse assunto deu muito o que fala, mas tudo não “havia” passado de um susto, só que 5 dias depois... outro susto. Cheguei do trabalho, fui brincar um pouquinho com ele e percebi que ele estava com uma machinha vermelha no lombo, em cima do pescoço. Fui olhar o que era e entrei em pânico. A gravatinha que colocaram nele estava tão apertada que estava cortando o pescoço. Imediatamente cortei a fita que prendia a gravata e me apavorei mais ainda.... a gravata ficou colada na parte de baixo do pescoço, porque o corte estava tão profundo, que a fita tava colada na carne. Que pavor!!! Tirei tudo muito rápido, chamei o Amaral e ele me ajudou a colocar um spray cicatrizante e antisséptico que sempre tenho em casa, tendo em vista que chow chow seguidamente tem alergias por causa do pelo. Limpei o machucado e fui na farmácia comprar remédio pra ele. Que desespero, o machucado era tão grande, e estava tão feio que eu não tava mais nem querendo ir pra praia no final de semana pra não deixar ele sozinho. Liguei pra pet que fez a tosa pra reclamar e contar o que tinha acontecido, eles pediram mil desculpas e ofereceram a medicação pra que eu aplicasse no Tião. Nem fui lá buscar, a final, eu já tinha comprado tudo que precisava. Enfim, mais um susto.... mas graças a Deus ficou tudo bem. Todos os dias aplicamos a medicação, limpamos o ferimento e dou remédio evitando inflamação e infecção.... Tadinho, essa tosa deu o que falar.... 

Mas fora esse susto, estamos com “gente” nova na família: adotamos uma beagle. Desde que a “namorada” do Tião perdeu a cria (contei aqui sobre isso), eu estava com vontade de adotar um cachorrinho. Como eu e o Amaral trabalhamos o dia todo, o Tião fica muito sozinho então a noite ele exige muito da nossa atenção, e nem sempre estamos disponíveis, então pensamos que seria bom ele ter uma companhia, mesmo que não fosse da mesma raça.

Quando minha colega voltou de férias no início do ano, ela chegou contando que a cachorra dela havia dado cria e que ela precisava achar quem quisesse adotar. Na mesma hora liguei pro Amaral e perguntei o que ele achava da idéia. Mesmo que ele não concordasse, eu ia convencer ele hehehehe. Pronto, estava decidido, um dos filhotes seria nosso. Preferi uma cadelinha pra não correr o risco do Tião brigar por espaço. Estava então só esperando os cachorrinhos desmamarem pra poder pegar ela.

Uma vez eu comentei que, assim como minha amiga Débie, eu gostaria de ter uma cachorra com o nome de Judite, mas essa beagle não tem porte pra ter um nome forte desses, então pensei em colocar o nome dela de Natalina, já que ela nasceu no dia do Natal, só que um dia, logo depois que decidimos adotá-la, sonhei com um primo meu que há muito não vejo, e que eu sabia que estava na fila da adoção há anos. No sonho ele me dizia que finalmente ele e a esposa haviam conseguido adotar e me falava da filha dele dizendo que era o máximo adotar, que era uma realização e tanto,  e quando ele foi me mostrar sua filha, na verdade era um botão de rosa. Então ele me disse “adotar é uma ato tão bonito, que não precisa ser só adoção de bebê, podemos adotar, uma flor, um animalzinho, qualquer coisa... dando amor é o que importa”, me lembro ainda de ele ter me dito que o nome a filha dele era Rosa, Rosa Bandeira (nosso sobrenome). Achei tão linda a mensagem que ele me assou que fiquei com isso na cabeça.

Na noite seguinte, acordei de madruga ouvindo (na minha cabeça) alguém dizer “a Rosane vem vindo”, então lembrei que há algum tempo uma amiga me disse que tinha sonhado que eu teria uma filha e que ela se chamaria Rosane.  Fui pesquisar na internet e Rosane significa “Rosa Graciosa”. Comecei a ligar os fatos (adoção, amor, filha, rosa, Rosane...) e decidi então que chamaria a cachorrinha de Rosa. Rosa Natalina é o nome dela hahahaha. É muita criatividade pra escolher nome de cachorro hehehe...

Então na última segunda-feira trouxe a Rosa pra casa. Fui no mercado e comprei tudo que precisava: tapetinho, potinhos pra comida, ração, fraldinha, brinquedinhos, ossinhos pra roer... tudo pra entreter um filhote, mas nada disso foi suficiente pra fazer ela não chorar de noite. Ela berrou a madrugada inteira e só se acalmava quando eu levantava e pegava ela no colo, dava uma embaladinha e fazia ela dormir (tal e qual um bebê).

No dia seguinte, cheguei cedo e fui brincar um pouco com ela, naquela madrugada ela já chorou menos, e aí foi a vez do Amaral levantar pra acalmar ela. Só que de manhã, perto da hora de eu ir trabalhar, achei estranho que eu não estava mais ouvindo o choro dela, e minha vizinha me ligou dizendo que a Rosa tinha caído da sacada e estava no pátio dos fundos. Meu Deus, dei um salto da cama e fui correndo atrás dela. Nosso pátio dos fundos é bem mais abaixo em relação ao pátio da frente, vendo nossa casa da frente, ela está na altura da rua, mas nos fundos é como se a casa fosse de 2 andares, te até uma área grande qué é como uma sacada, tipo uns 2 ou 3 metros acima do chão. E a danada da Rosa se enfiou num frestinha minúscula e cai lá pra baixo.

Desci e procurei ela por tudo, e como ainda tem restos de obra no pátio era difícil enchergar, achei que ela tivesse fugido, porque nos fundos não temos muro e é divisa com um sítio. Então comecei a chamar por ela e ouvi ao longe os choramingos. A safada atravessou a cerca do lado e foi parar no pátio da outra vizinha. A sorte é que os cachorros da vizinha estavam no pátio da frente, senão teriam engolido ela. Minha nossa, dois dias em casa e já tá dando trabalho... bem que dizem que beagle são uns pestinhas mesmo... ainda bem que ela não se machucou.

Terceira noite e eu acabada de não conseguir dormir por causa do choro dela e preocupada se ela não cairia de novo, então resolvi então arriscar outra coisa: colocar ela pra dormir no pátio da frente com o Tião. Coloquei então um telinha no portão pra evitar que a danadinha fugisse, arrumei as coisinhas dela num cantinho e falei bem séria com os dois (Tião e Rosa): “olha aqui ó, Rosa, não é pra tu chorar e nem fugir, e tu Tião, é pra cuidar dela e não machucar”. Parece até que eles entenderam, porque dormiram a noite inteirinha num silêncio, e eu pude dormir também. Ahhh que alívio...

Percebi que o Tião tem um pouco de ciúmes dela, quando ela chega perto dele ele foge, ela corre atrás pra brincar com ele e ele não dá bola, quando eu chego em casa ele vem saracoteando pro meu lado, aí brinco com ele, e depois vou nela um pouquinho, aí ele vira de costas pra mim, como se estivesse me desdenhando. Acho que tenho que dar um tempo até ele se acostumar com ela.

To amando essa vida de cachorreira. Nunca gostei muito de cachorros, era eles num canto e eu no outro, mas depois da vinda do Tião pra nossa vida, tudo mudou. E agora com a Rosa, tenho aquele sentimento de casa cheia. Adoro ficar parada olhando eles correndo pelo pátio e ela correndo pra incomodar o Tião... acho tudo o máximo.

Segue algumas fotinhos da nova integrante da família...

 Essa é a Rosa, carinha de coitadinha, característica de begle

Dormindo com sua Mônica e o trapinho com cheiro da mamãe
 

Aqui, a família completa, e o Tião tentando fugir da foto
(dá pra ver em baixo da mão do Amaral a mancha azul do remédio que estamos colocando nele, ainda bem que não dá pra ver o machucado, porque é muito feio)