domingo, 26 de fevereiro de 2012

Hoje chorei de saudade

Hoje eu estava fazendo uma coisa nada comum: assistindo Esquenta da Regina Casé e ouvindo pagode e funk. Por favor.... tudo que eu detesto (Regina Casé, pagode e funk), mas como não tinha nada melhor na TV, era isso ou nada.
Mesmo sendo um programa que não curto, ainda assim aprendi algumas coisas, e confirmei aquilo que eu já sabia: a gente sempre pode aprender mais.

Estava vendo o filho do gordinho do Exalta Samba cantar (nem sei o nome dele), me emocionei ao ouvir a letra da música e acabei chorando. Toda vez que vejo alguma declaração de amor entre pais e filhos, é impossível não lembrar do João Pedro. Sempre acabo lembrando que ele poderia estar aqui e acabo pensando que ele já podia estar caminhando, falando suas primeiras palavras, fervendo por aí... Impossível não pensar nessas coisas. Chorei de saudade, saudade das coisas que não vivi e que não sei como são de verdade. Esquisito sentir isso.... mas chorei de saudade. Em quanto eu chorava, o Amaral me abraçava e chorava junto. Não era aquele choro desesperador, apenas um choro de saudade, um choro de “não há o que fazer”... Logo nos recompomos e seguimos assistindo TV.

Em seguida apareceu um mulher linda, que eu não sei quem é, mas ela passou poucas e boas depois de sofrer um acidente e ficar 3 anos sem andar. Mesmo assim ela superou todas as dificuldades, teve 5 lindos filhos e hoje esta bem, se recuperando a cada dia do trauma que sofreu há 27 anos. Fiquei impressionada com a força de vontade daquela mulher e me vi nela em alguns momentos, principalmente quando ela começou a narrar a sequencia de fatos de superação: “primeiro eu quis andar, depois eu quis andar direito, depois eu quis andar sem apoio, depois eu quis andar rápido, depois eu quis correr...” e assim por diante.... Me vi nela, com determinação e disposta a superar cada fase difícil e sempre buscar um depois.

Mas o que mais me marcou foi uma frase que ela disse: “A DOR É INEVITÁVEL, MAS O SOFRIMENTO É OPCIONAL”. Nossa... que frase! Acho que até hoje eu não tinha ouvido uma frase tão perfeita que retratasse tudo que aprendi. Isso é a mais pura verdade. 

A dor da saudade eu vou sentir pra sempre, e hoje mesmo me perguntei se isso um dia vai passar (mesmo já sabendo que não passa), mas não posso é me permitir sofrer pra sempre, pois uma pessoa que sofre, não vive, e eu quero viver. Quero viver pra poder usufruir de tudo que me foi destinado, quero aproveitar cada oportunidade da vida e fazer disso a escola da minha evolução. Doer, vai doer, mas com o tempo vou aprendendo a não sofrer mais e a viver somente com as lembranças.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carnaval de muitas emoções

Gente, como tá difícil dar atenção ao blog...

Minha vida de vez voltou ao normal (e isso é muito bom), não tenho mais tempo pra nada.... Tenho tido muito trabalho, estou me envolvendo de cabeça nos meus projetos, à noite tenho participado do grupo de estudos no centro espírita, então 3 vezes por semana vou ao Boa e nos finais de semana aproveito pra fazer as visitinhas aos amigos e à família, ou então ir à praia. Semana passada dei mais um passo à minha vida normal, pedi reingresso na faculdade. Preciso retomar de vez tudo que ficou em standby devido aos últimos acontecimentos.

Para muitos, tudo isso que aconteceu na minha vida pode ser considerado como perda de tempo, mas eu não penso assim. Pra mim foi um ganho. Um ganho de experiência, de aprendizado, de vida. Muitas vezes precisamos cair do cavalo pra poder “ganhar” com os acontecimentos.  

Neste final de semana fui à praia, passar o carnaval entra família e amigos e conversa vai, conversa vem, e lá pelas antas saiu a frase “Deus escreve certo por linhas tortas”, então uma pessoa que estava na mesma casa falou uma frase certeira “Deus escreve certo por linhas certas, nós é que vemos as linhas tortas”. Toma! Levei uma paulada daquelas, que me fez mais uma vez repensar algumas coisas. Não adianta, TUDO está certo da forma que é, e temos é que tentar sempre aprender com as situações.

Outro dia lá no Boa Nova apresentaram uma citação de Kardec: “se reconhece o verdadeiro espírita pelo esforço que ele faz para superar as provas e expiações que a vida lhe apresenta”. Hum? Falou comigo? Pois é, parecia que estavam aprontando pra mim naquele momento.... Esforço.... esse é meu lema. É isso que faço todos os dias ao acordar, e confesso que a cada dia tem sido menos difícil. E quanto menos o esforço é necessário, mais rapidamente minha vida volta ao normal, sem dor e sem sofrimento. Que ótimo, talvez eu esteja ficando pronta para encarar tudo de novo se for preciso. 

Mas bem, iniciei escrevendo com um objetivo e acabei desvirtuando... a escrita fluiu livremente e deixei minhas mãos digitarem o que veio na minha cabeça. Na verdade vim aqui pra comentar sobre meu final de semana de carnaval, que era pra ser uma festa de bagunça mas acabou virando um chororô de pura emoção.

Já contei aqui no blog sobre o Cícero, cunhado da minha irmã que tem síndrome de Down. Pois é, fomos pra casa da sogra da minha irmã nesse carnaval e então a festa era garantida, afinal, com o Cícero junto não há como não fazer uma festa.  Ah alguns dias atrás, meus pais estavam passeando com o Cícero e neste passeio conheceram a Bárbara e sua mãe. A Barbara tem 18 anos e também tem síndrome de down. Uma característica dos Downs é serem muito amorosos, e tanto o Cícero quanto a Bárbara demonstraram todo o seu amor um pelo outro. Não aquele amor que nós, ditos normais conhecemos, amor carnal, de desejo e de paixão. Não, o amor deles é o amor verdadeiro, o amor puro, o mais lindo e sublime jeito de amar. Meus pais acharam que seria legal convidar a Bárbara e sua mãe para irem na nossa festinha de carnaval.  Nós nem estávamos esperando que elas fossem, mas lá pelas tantas, a mãe dela ligou avisando que estavam chegando.

Nossa, que alegria... A felicidade que o Cícero ficou de saber que ela iria na festinha era o máximo. Quando elas chegaram, foi uma festa. A Bárbara foi vestida de princesa e o Cícero estava de Pierrô. Lindos.... Eles dançaram, brincaram, se divertiram e todos nós ficávamos admirados de ver aqueles dois anjos puros ali na nossa frente demonstrando o mais puro amor. Lá pelas tantas, a Bárbara resolveu fazer uma homenagem ao um pai, ela se ajoelhou na frente dele, pegou sua mão e começou a fazer uma declaração. Não entendi tudo que ela disse, mas falava que estava feliz por ter sido convidada pra festinha, que agradecia muito meu pai por ter levado ela até ali, que o amava muito e que ele era sua vida. Nossa, enquanto ela ia falando, ela ia chorando emocionada, e todos nós na volta estávamos nos desmanchando, sem falar no meu pai que desabou. Poucas vezes vi meu pai emocionado daquele jeito.

Presenciar aquela cena foi a coisa mais linda que vivi nesses últimos tempos. Tantas dores e sofrimentos que já passei ficaram pra trás diante dessa mais pura demonstração de amor. Não tinha quem não chorasse, o clima de amor que estava naquela festa era algo mais do que maravilhoso.  Depois a Bárbara e o Cícero resolveram fazer declarações pra todo mundo, e virou seção choradeira.

Depois nascimento do meu filho, não havia ainda sentido tanto amor como senti naquele dia. A Bárbara e o Cí me deram de novo momentos de amor sublime e real e pude novamente sentir o que é o amor de verdade. 

Nossa festa teve muitos outros momentos de emoção, mas eu ficaria dias escrevendo pra contar tudo que esses dois aprontaram. Sei que essas duas pessoinhas especiais deixaram a minha festa de carnaval mais do que especial. Não vou nunca me esquecer as cenas que presenciei. Realmente o AMOR VERDADEIRO existe.

Olhem a latinha desses dois figuras....

Cícero e Bárbara
(que a essas alturas já tinha trocado de princesa para havaiana)

Cícero, Eu, Bárbara e Amaral
(nós de Vilma e Fred Flintstones)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tem "gente" nova no pedaço

No post anterior eu contei da função que foi a tosa do Tião e esse assunto deu muito o que fala, mas tudo não “havia” passado de um susto, só que 5 dias depois... outro susto. Cheguei do trabalho, fui brincar um pouquinho com ele e percebi que ele estava com uma machinha vermelha no lombo, em cima do pescoço. Fui olhar o que era e entrei em pânico. A gravatinha que colocaram nele estava tão apertada que estava cortando o pescoço. Imediatamente cortei a fita que prendia a gravata e me apavorei mais ainda.... a gravata ficou colada na parte de baixo do pescoço, porque o corte estava tão profundo, que a fita tava colada na carne. Que pavor!!! Tirei tudo muito rápido, chamei o Amaral e ele me ajudou a colocar um spray cicatrizante e antisséptico que sempre tenho em casa, tendo em vista que chow chow seguidamente tem alergias por causa do pelo. Limpei o machucado e fui na farmácia comprar remédio pra ele. Que desespero, o machucado era tão grande, e estava tão feio que eu não tava mais nem querendo ir pra praia no final de semana pra não deixar ele sozinho. Liguei pra pet que fez a tosa pra reclamar e contar o que tinha acontecido, eles pediram mil desculpas e ofereceram a medicação pra que eu aplicasse no Tião. Nem fui lá buscar, a final, eu já tinha comprado tudo que precisava. Enfim, mais um susto.... mas graças a Deus ficou tudo bem. Todos os dias aplicamos a medicação, limpamos o ferimento e dou remédio evitando inflamação e infecção.... Tadinho, essa tosa deu o que falar.... 

Mas fora esse susto, estamos com “gente” nova na família: adotamos uma beagle. Desde que a “namorada” do Tião perdeu a cria (contei aqui sobre isso), eu estava com vontade de adotar um cachorrinho. Como eu e o Amaral trabalhamos o dia todo, o Tião fica muito sozinho então a noite ele exige muito da nossa atenção, e nem sempre estamos disponíveis, então pensamos que seria bom ele ter uma companhia, mesmo que não fosse da mesma raça.

Quando minha colega voltou de férias no início do ano, ela chegou contando que a cachorra dela havia dado cria e que ela precisava achar quem quisesse adotar. Na mesma hora liguei pro Amaral e perguntei o que ele achava da idéia. Mesmo que ele não concordasse, eu ia convencer ele hehehehe. Pronto, estava decidido, um dos filhotes seria nosso. Preferi uma cadelinha pra não correr o risco do Tião brigar por espaço. Estava então só esperando os cachorrinhos desmamarem pra poder pegar ela.

Uma vez eu comentei que, assim como minha amiga Débie, eu gostaria de ter uma cachorra com o nome de Judite, mas essa beagle não tem porte pra ter um nome forte desses, então pensei em colocar o nome dela de Natalina, já que ela nasceu no dia do Natal, só que um dia, logo depois que decidimos adotá-la, sonhei com um primo meu que há muito não vejo, e que eu sabia que estava na fila da adoção há anos. No sonho ele me dizia que finalmente ele e a esposa haviam conseguido adotar e me falava da filha dele dizendo que era o máximo adotar, que era uma realização e tanto,  e quando ele foi me mostrar sua filha, na verdade era um botão de rosa. Então ele me disse “adotar é uma ato tão bonito, que não precisa ser só adoção de bebê, podemos adotar, uma flor, um animalzinho, qualquer coisa... dando amor é o que importa”, me lembro ainda de ele ter me dito que o nome a filha dele era Rosa, Rosa Bandeira (nosso sobrenome). Achei tão linda a mensagem que ele me assou que fiquei com isso na cabeça.

Na noite seguinte, acordei de madruga ouvindo (na minha cabeça) alguém dizer “a Rosane vem vindo”, então lembrei que há algum tempo uma amiga me disse que tinha sonhado que eu teria uma filha e que ela se chamaria Rosane.  Fui pesquisar na internet e Rosane significa “Rosa Graciosa”. Comecei a ligar os fatos (adoção, amor, filha, rosa, Rosane...) e decidi então que chamaria a cachorrinha de Rosa. Rosa Natalina é o nome dela hahahaha. É muita criatividade pra escolher nome de cachorro hehehe...

Então na última segunda-feira trouxe a Rosa pra casa. Fui no mercado e comprei tudo que precisava: tapetinho, potinhos pra comida, ração, fraldinha, brinquedinhos, ossinhos pra roer... tudo pra entreter um filhote, mas nada disso foi suficiente pra fazer ela não chorar de noite. Ela berrou a madrugada inteira e só se acalmava quando eu levantava e pegava ela no colo, dava uma embaladinha e fazia ela dormir (tal e qual um bebê).

No dia seguinte, cheguei cedo e fui brincar um pouco com ela, naquela madrugada ela já chorou menos, e aí foi a vez do Amaral levantar pra acalmar ela. Só que de manhã, perto da hora de eu ir trabalhar, achei estranho que eu não estava mais ouvindo o choro dela, e minha vizinha me ligou dizendo que a Rosa tinha caído da sacada e estava no pátio dos fundos. Meu Deus, dei um salto da cama e fui correndo atrás dela. Nosso pátio dos fundos é bem mais abaixo em relação ao pátio da frente, vendo nossa casa da frente, ela está na altura da rua, mas nos fundos é como se a casa fosse de 2 andares, te até uma área grande qué é como uma sacada, tipo uns 2 ou 3 metros acima do chão. E a danada da Rosa se enfiou num frestinha minúscula e cai lá pra baixo.

Desci e procurei ela por tudo, e como ainda tem restos de obra no pátio era difícil enchergar, achei que ela tivesse fugido, porque nos fundos não temos muro e é divisa com um sítio. Então comecei a chamar por ela e ouvi ao longe os choramingos. A safada atravessou a cerca do lado e foi parar no pátio da outra vizinha. A sorte é que os cachorros da vizinha estavam no pátio da frente, senão teriam engolido ela. Minha nossa, dois dias em casa e já tá dando trabalho... bem que dizem que beagle são uns pestinhas mesmo... ainda bem que ela não se machucou.

Terceira noite e eu acabada de não conseguir dormir por causa do choro dela e preocupada se ela não cairia de novo, então resolvi então arriscar outra coisa: colocar ela pra dormir no pátio da frente com o Tião. Coloquei então um telinha no portão pra evitar que a danadinha fugisse, arrumei as coisinhas dela num cantinho e falei bem séria com os dois (Tião e Rosa): “olha aqui ó, Rosa, não é pra tu chorar e nem fugir, e tu Tião, é pra cuidar dela e não machucar”. Parece até que eles entenderam, porque dormiram a noite inteirinha num silêncio, e eu pude dormir também. Ahhh que alívio...

Percebi que o Tião tem um pouco de ciúmes dela, quando ela chega perto dele ele foge, ela corre atrás pra brincar com ele e ele não dá bola, quando eu chego em casa ele vem saracoteando pro meu lado, aí brinco com ele, e depois vou nela um pouquinho, aí ele vira de costas pra mim, como se estivesse me desdenhando. Acho que tenho que dar um tempo até ele se acostumar com ela.

To amando essa vida de cachorreira. Nunca gostei muito de cachorros, era eles num canto e eu no outro, mas depois da vinda do Tião pra nossa vida, tudo mudou. E agora com a Rosa, tenho aquele sentimento de casa cheia. Adoro ficar parada olhando eles correndo pelo pátio e ela correndo pra incomodar o Tião... acho tudo o máximo.

Segue algumas fotinhos da nova integrante da família...

 Essa é a Rosa, carinha de coitadinha, característica de begle

Dormindo com sua Mônica e o trapinho com cheiro da mamãe
 

Aqui, a família completa, e o Tião tentando fugir da foto
(dá pra ver em baixo da mão do Amaral a mancha azul do remédio que estamos colocando nele, ainda bem que não dá pra ver o machucado, porque é muito feio)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

As aventuras de Sebastião

No post de hoje vou falar mais uma vez de um dos anjos da minha vida: o meu cachorro.

Com todo o calor que tem feito, não dá pra ele ficar peludão. Chow chow sofre no verão... Normalmente pago R$ 45 reais pela tosa, mas liguei pro lugar de sempre e não estavam atendendo, então liguei pra clínica veterinária onde sempre levo ele pra perguntar quanto custava. Me atendeu uma senhora, beeeeem atrapalhada, que falou vários palavrões e dizia o tempo todo que odiava computador, que ela era nova na clínica e não sabia direito ver as coisas. Aí lá pelas tantas ela me disse que a tosa era R$ 40. Beleza, mais barato que na pet, era lá mesmo que ia mandar ele. Passei meu endereço e os dados já estavam no sistema. Só que antes de eu confirmar, essa senhora me disse que estava enganada, que na verdade a tosa era R$ 80... Ahhh não, quase o dobro do que eu pagava.... Não mesmo. Disse pra ela que eu estava cancelando e que não precisariam busca-lo.

Insisti mais um pouco ligando pra pet até que me atenderam. Ótimo, agendei pra buscarem ele lá em casa no sábado às 10 da manhã. Perfeito.

Sábado, estávamos num soninho gostoso quando bateram palmas lá na frente de casa. O Amaral saltou da cama rápido, abriu a janela e era um rapaz que tinha ido buscar o Tião pra tosa. Pensei, nossa, que tão antes que eles vieram... masquei pras 10 e chegaram 9:15. Tudo bem, o Amaral entregou o Tião, avisou que era tosa completa, até o rabo e voltou pra cama pra ficarmos deitados mais um pouco. Não deu nem 10 minutos e ligaram lá pra casa, era o veterinário da clínica dizendo que haviam chegado com o Tião mas que tosa completa não era R$ 80, era R$ 90. Aí eu me dei conta..... o Amaral entregou o Tião pra tosa errada.... mas ele não tinha culpa, como ia saber?????

Falei então pro veterinário que eu não confirmei a tosa na clínica, que eu havia ligado só pra saber preço e que tinha cancelado, e que eles foram buscar o cachorro mas não era pra ter ido. O médico, pra minha surpresa foi extremamente ignorante comigo. Disse que estava agendado pra ele e que se estava lá é porque eu não tinha cancelado. Disse que tudo bem, ele não faria a tosa, mas que eu teria que pagar os R$ 10 da tele entrega. Eu disse que não pagaria, pois foi um erro da clínica. Que não era correto eles me cobrarem por um erro da atendente dele. O médico então me botou a boca, me xingou, disse que que se eu não pagasse os R$ 10 reais ele não devolveria o meu cachorro, disse que eu devia ter ligado pro lugar errado porque na clínica dele não há erros desse tipo. Ahhhh não.... perdi a compostura e botei a boca nele de volta. Onde já se viu, falar comigo daquele jeito sendo que quem fez errado foi a secretária da clínica. Eu disse que estava saindo de casa naquele momento e estava indo na clínica buscar o meu cachorro e ele insistiu que não devolveria se eu não pagasse os R$ 10. Não era pelo valor que eu estava brigando, era pela falta de educação dele. Nem morta eu ia pagar. Já estava pronta pra fazer um escândalo, mas não ia pagar mesmo.....

Quando estou vestindo minha roupa pra sair e buscar o Tião, batem palmas lá na frente de casa e era o rapaz da pet vindo buscar o Tião pra tosa verdadeira.... Ai meu Deus, e agora??? O cara tava ali e eu não tinha cachorro pra entregar. Expliquei a situação pra ele e pedi se ele podia esperar um pouco. Ele disse que não tinha problema nenhum, que esperava o tempo que precisasse. Nesse meio tempo tocou meu telefone de novo e era o veterinário mal educado ligando e dizendo que realmente “poderia” ter havido um engano, pois eles estavam com uma funcionária em treinamento naquela semana e ela poderia ter se enganado. Ahhh eu surtei.... como assim “pode ter havido um engano?” Falei pra ele que de fato HOUVE um engano e que eu estava muito decepcionada com a forma com que ele tratou as coisas. Afinal, o Tião é paciente dele desde que nasceu, e por conta disso, recomendei os cachorros do meu pai pra ele também. Sei que desabafei toda a minha insatisfação e ele ficou ali do outro lado cheio de arrogância dizendo que mandaria entregar o Tião de volta.

Ok, passado o stress inicial, nos restou ficar esperando o Tião chegar pra entregar pro rapaz da pet. Passou quase 30 minutos e nada, eu estava nervosa, mas tentava não demonstrar, pois estava vendo que o Amaral estava apavorado. Pedi pro rapaz de pet ir embora, e quando o Tião chegasse, eu o levaria pra pet. Não ia ficar segurando o cara ali em casa sem saber por quanto tempo.....

Quando o rapaz foi embora, fui falar com o Amaral, e ele tava soltando fogo pelas ventas, brabo de um jeito que eu nunca vi. Ele olhava pra mim e dizia: “já pensou se eles fazem alguma coisa com o Tião?”, “já pensou se eles dão um veneno e matam ele?”... Nossa, ele tava tão apavorado, que quando o Tião chegou, ele nem foi falar com o motorista da carrocinha, foi direto conferir se o Tião não tinha nenhuma marca no corpo. Que alívio.... tava tudo em ordem. Falei pro motorista da carrocinha que era pra ele avisar o veterinário pra excluir o nosso cadastro da clínica, pois lá meus cachorros nunca mais vão.

Levamos então o Tião pra pet correta, deixamos com o rapaz que ia fazer a tosa e reparei no carinho com que ele o tratava. Depois, quando o Tião voltou, chegou perfumado, com gravatinha e tudo. Aí parei pra pensar no perigo que corremos... entregamos nosso cachorro pra um desconhecido, que levou ele e não tínhamos certeza pra onde ele estava indo. Podia nem ser da clínica... E se tivesse sido um charlatão que tivesse aproveitando uma situação??? Como eu podia ter certeza que o meu cachorro não estava sendo roubado, ou então que seria machucado??? Porque se esse veterinário falou comigo daquele jeito, estando totalmente sem razão, do que será que ele é capaz????

O Tião é parte da nossa família, como se fosse nosso filho. Fiquei comparando situações e imaginei como se fosse com o pediatra de um filho que eu estivesse falando. Depois que tudo passou e a adrenalina baixou é que nos demos conta que podia ter acontecido várias coisas e que a partir de agora precisamos cuidar pra quem vamos confiar a vida dos nossos bichinhos. Toda vez que levei o Tião naquele veterinário, sempre acompanhei a consulta e sei que ele nunca o fez mal, mas vai saber o que ele pode fazer???? Sei que lá ele não vai mais. E que agora, depois desse susto, vamos cuidar mais pra quem estamos entregando quando ele vai pra banho e tosa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Hora de seguir adiante

Ontem foi um dia especial pra mim. Fui na minha consulta com o psicólogo e programamos a minha alta. 

Minha próxima consulta será daqui 15 dias, depois passa a um intervalo de 3 semanas, depois 4 até que deixo a terapia de vez. Assim como um dependente de remédios, é preciso fazer o desligamento aos poucos, pra não ter crise de abstinência hehehe.

Em julho de 2011 quando procurei auxílio psicológico, meu estado emocional estava tão frágil que sequer eu conseguia discernir as coisas. Hoje, passados 6 meses, muitas vezes me pego pensando “como eu pude agir daquela  forma?”. 

Conversando com o Amaral ontem de noite, falamos sobre o fim da minha terapia e pedi que ele me desse sua opinião sobre minha evolução neste período. Eu já tinha opinião sobre mim mesma, mas era preciso ouvir de mais alguém e ninguém melhor do que a pessoa que vive comigo. E para minha feliz surpresa, a visão dele é exatamente igual a minha. 

Neste período, percebi que eu me tornei uma outra pessoa. Uma pessoa melhor, não melhor do que ninguém, mas melhor que eu mesma já fui. Os acontecimentos dos últimos tempos mudaram de mais a minha vida e a terapia ajudou a me colocar no eixo e me orientar. Quando cheguei lá, eu estava surtada e sem rumo, e hoje tenho plena consciência dos fatos, e percebi que a terapia, que tinha como objetivo trabalhar as perdas, ajudou a trabalhar outros aspectos da minha personalidade também.

Tenho ainda muito que melhorar, que evoluir, mas isso é fato na vida de todo mundo. Todos temos que estar em constante evolução, porém agora vou sair da “barra da saia” da terapia e vou tocar a minha vida “sozinha”.

Esse é um momento de liberdade, de independência, como se a partir de agora eu esteja me tornando responsável por colocar em prática tudo o que eu aprendi. Auto análise, auto controle... Orai e vigiai. Essa será minha rotina daqui pra frente. Vigiar meus pensamentos, minhas atitudes, meu comportamento e principalmente minhas palavras. A partir de agora, a minha vida é minha e devo seguir nela com tudo que aprendi.

Neste período, fiz uma escolha importante. Escolhi ter Deus junto de mim, e encontrei Deus através da doutrina espírita. Como pretendo ter Deus cada vez mais perto, ontem iniciei oficialmente os estudos doutrinários. Estou participando das aulas do intensivo de verão que o Boa Nova proporciona a quem tem interesse de conhecer melhor a doutrina espírita. A primeira aula não foi tão interessante, nada do que eu já não conhecia, mas estou certa de que aprenderei muito e usarei os conhecimentos para a minha evolução e para fazer o bem.

Hoje, conversando e descontraindo com meus colegas de trabalho, entramos no assunto de filhos, e percebo que eles ficam cheios de dedos pra falar disso comigo. Mas quando eu expus pra eles como eu me sentia em relação a tudo que tinha acontecido, pude perceber no rosto deles que eles ficaram contentes em me ver bem. Minha colega me abraçou e me disse que estava feliz em me ver falando assim.

Em certo momento, quando estava falando de um momento marcante, algumas lágrimas rolaram dos meus olhos, mas foram lágrimas de emoção. Talvez até de emoção por estar falando no assunto e não estar sofrendo, pois hoje isso é um fato superado. Consigo conversar, pensar e lembrar de tudo que aconteceu sem entrar em sofrimento, sem lamentar. Consigo pensar e planejar o futuro sem sentir medo. Mas o que me deixa mais contente é de saber que eu não perdi a esperança, e que agora, mais do que nunca, eu acredito e confio em Deus e sei que tudo que Ele quer, vai dar certo. Afinal, o que não me mata, me fortalece.

Não estou planejando engravidar este ano, pelo menos não pensei nisso ainda. Não é porque eu não esteja preparada ou que eu não esteja em condições, é apenas porque pretendo retomar outros projetos, outros objetivos da minha vida que ficaram em standby.  Mas como disse, não estou planejando, mas se for da vontade de Deus.... que assim seja.