quinta-feira, 20 de setembro de 2012

20 de Setembro sempre é especial

O dia 20 de setembro é sempre um dia especial. Na verdade a semana que antecede a ele já começa com um gostinho diferente.
Pra quem não sabe, dia 20 de setembro é considerado o dia do Gaúcho. Data esta que foi marcada pelo início da chamada Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos no ano de 1835 e que durou 10 anos. O intuito dessa revolução era protestar pelo alto valor tributado em cima da comercialização do nosso charque (carne de sol), principal fonte de renda das famílias gaúchas na época, além dos interesses políticos que tinha por trás de uma separação do RS do restante do país. O povo gaúcho considerava que o separatismo era a solução para uma terra de paz e para a evolução econômica do nosso povo. Durante esta revolução tentamos nos aliar à SC e PR que apoiaram a causa e juntos formaríamos a República dos Pampas. Nossos guerrilheiros lutaram até o fim, mas infelizmente o separatismo não aconteceu e perdemos a guerra.

Então quer dizer que o RS comemora uma revolução perdida?????

Não, não comemoramos a revolução perdida. Comemoramos a raça, força e coragem dos nossos homens (e mulheres tbm) que deram sua a vida em nome desta causa. A Semana Farroupilha é a semana em que se comemora a força do povo Gaúcho, é quando mais exaltamos a frase do nosso hino "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra". Sim, o povo gaúcho se orgulha do feito histórido de tantos anos atrás.

(maiores informações podem ser encontradas no link http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos#Antecedentes_e_causas)

Mas deixando a história de lado.....

Cresci numa família que valoriza tudo isso. Meu avô foi a principal pessoa que me incentivou e colocou nesse caminho. Ele era um tradicionalista extremo, que cultuava as tradições do nosso estado onde quer que estivesse e repassou isso dentro de casa. Lembro que todos os dias depois que ele fechava o armazém, minha vó já estava com o chimarrão pronto pra que ele se sentasse no seu sofá em frente à televisão e fizesse o fechamento da féria do dia. Como morávamos na casa dos fundos, eu estava sempre junto, então ele me deu de presente um sofázinho igual ao dele, uma cuia, uma bomba e uma chaleirinha, pra que todos os dias eu sentasse ao lado dele e juntos nós curtíssemos aquele momento. Claro que eu nem sabia do que se tratava, mas hoje me lembro com carinho e agradeço por ter herdado dele esse gosto pela nossa tradição. Já falei sobe isso aqui no blog, se quiser conferir clique aqui e aqui.

Bom, hoje então era dia de desfile comemorativo na minha cidade, e como devo fazer repouso, não iria acompanhar os festejos. Mas aí estava em casa e comecei a ouvir barulho dos caminhões, dos cavalos e convidei o Amaral pra gente ir assistir, longe da muvuca, ficando num lugar fora de circulação. Ele aceitou na hora, porque também adora isso tudo. Então fomos pro local onde passa o desfile. Me deu uma nostalgia tão grande quando vi a cavalaria, mas segurei a onda pra não demostrar pro Amaral que eu estava emocionada. Mas aí depois dos cavalos, vem os caminhões todos enfeitados, o churrasco e as danças rolando soltos e não consegui segurar a saudade que senti. Lembrei de quando eu era criança e desfilava em cima dos caminhões. Deixei as lágrimas escorrerem. Pode parecer bobagem, mas fiquei muito emocionada. Dá um desconto né, to grávida, tô sensível hehehe.

Meu pai foi desfilar, vi ele em cima do caminhão "pilotando" a churrasqueira e não pude deixar de me emocionar também quando vi pais carregando seus filhos pequenos no lombo de um cavalo, tal e qual eu e o Amaral sonhávamos em fazer com o João Pedro. A essas alturas ele estaria com uma idade perfeita pra participar do seu primeiro desfile, mas.... melhor não seguir nesse assunto.

Chegando em casa, ainda nostálgica, fui vasculhar as fotos antigas e encontrei algumas raridades que resolvi compartilhar com vcs...
 
Aqui eu com alguns meses de vida fazendo nosso cachorro de cavalo. De um lado minha mãe e do outro meu avô, no mais típico traje gaudério. Provavelmente era semana farroupilha, pois eu parecia ter perto de um aninho.


A mini cuia e bomba que ganhei do meu avô. Está guardada para meus filhos.


Pela carinha eu devia ter menos de 2 anos. Com meu primeiro vestido de prenda.


Já maiorzinha, com uns 3 anos, quando fui aia de um casamento que aconteceu no CTG.


Com uns 5 ou 6 anos. Reparem que o primeiro vestido foi reformado e agora virou uma saia hehe


Com 9 anos, quando fui primeira prenda da escola


Em cima do caminhão no dia do desfile, com minha amiga-irmã Viviane, sua irmãzinha e minha irmã Glaucia (vejam que agora aquela saia, que era meu primeiro vestido, se transformou no primeiro vestido da minha irmã hehehe)


Pra ser "Prenda de Faixa" de um CTG, devemos fazer prova escrita e oral sobre conhecimentos da história do nosso estado. Aqui estava passando pela sabatina da prova oral. Precisava declamar uma poesia, apresentar um artesato feito a mão, apresentar uma dança típica e leval algo típico da nossa culinária feito por mim. Não é pra qualquer uma....


Ao final das provas, fui aprovada como 1ª Prenda Juvenil do CTG Estância de Sapucaia (1ª prenda foi a classificação que fiquei de acordo com os resultados da minha prova e Juvenil é a categoria pela minha idade, essa categoria pode ser mirim, juvenil, adulta e chinoca). Meu pai também fez as mesmas provas e foi aprovado como 1º Xirú Farroupilha do mesmo CTG. Minha mãe não pôde participar porque ela era da patronagem do CTG, senão seria a família toda...


Aqui era um rodeio e eu estava concorrendo na categoria de declamação de poesias.
Ganhei um troféu de 1º lugar.


Aqui era um outro rodeio e estavamos concorrendo em danças de grupo.
Nossa invernada ganhou 1º lugar tamém


 
Início do desfile de hoje, com a cavalaria. Eram muitos cavalos, mas pensa em muuuuitos...


 
Meu pai em cima do caminhão no desfile de hoje, e aqui no canto o pai do Amaral que também estava assistindo o desfile.
 
Tenho muitas outras fotos, mas ficaram na casa da minha mãe. Lá pelos meus 16 anos, comecei a trabalhar e estudar à noite, então já não tinha mais tempo de frequentar o CTG e participar dos grupos de dança e todas as outras atividades. Acabava indo só nos bailes até que perdi o contato e acabei ficando bastante tempo fora. Quando conheci o Amaral (ele também gosta muito de toda função) retornamos com mais frequencia. Não participamos ativamente de nenhum CTG, a falta de tempo não nos permite, mas temos amigos e conhecidos espalhados em CTG´s e Piquetes então volta e meia estamos infiltrados no meio tradicionalista.
 
Fora isso, na nossa casa dificilmente passamos um domingo sem estar na volta da churrasqueira, com um bom chimarrão ouvindo as músicas tradicionais da nossa cultura. Domingo é o dia em que conseguimos nos aproximar da tradição e cultivar nossos costumes.

2 comentários:

  1. Puxa, como seu blog está lindo!!!
    Sabe, quando fiz o comentário falando da cor preta que era o blog, logo depois vim aqui e estava aberto só para leitores convidados! Fiquei me sentindo muito mal, pensando que você não teria gostado da intromissão e me barrado de vir aqui. E ainda pensei: puxa, nem tenho como pedir desculpas! Fiquei aliviada agora, rs.
    Se me permite, estarei sempre por aqui, como sempre estive, torcendo pela felicidade de vocês! Beijos grandes!
    www.euemeusanjos.blogspot.com

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  2. kkkk, capaz Élen. Não proibo ninguém de acessar o blog.
    Tirei ele do ar por uns dias até concluir as mudanças. Como havia respondido no seu outro comentário, eu já estava preparando uma mudança, e sua sugestão caiu como uma luva.
    Fique a vontade para estar aqui qdo quiser.
    E que bom que gostou.
    Grande beijo

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Obrigada por comentar.
Fique atento(a), pois respondo os comentários no próprio comentário.
Abraço, fique com Deus